10/02/2015

Conflito Inglaterra-China: A guerra do ópio





A Guerra do Ópio, também conhecida como Guerra Anglo-Chinesa, foi um conflito armado ocorrido em território chinês, em meados do século XIX, entre a Grã-Bretanha e a China. Ocorreram dois conflitos: A Primeira Guerra do Ópio (entre os anos de 1839 e 1842) e a Segunda Guerra do Ópio (entre 1856 e 1860).




A Guerra do Ópio aconteceu dentro do contexto do Imperialismo e Neocolonialismo da segunda metade do século XIX. Nações europeias, principalmente a Inglaterra, conquistaram e impuseram seus interesses econômicos, políticos e culturais aos povos e países da Ásia, África e Oceania.









No início do século XIX, as nações europeias só tinham autorização do governo chinês para fazer comércio através do porto de Cantão. O governo chinês também proibia os europeus de comercializarem seus produtos diretamente com os consumidores chineses. Havia intermediários (funcionários públicos) que estabeleciam cotas de produtos e preços a serem cobrados.

A Grã-Bretanha, em plena Segunda Revolução Industrial, buscava avidamente mercados consumidores para seus produtos industrializados, porém as medidas protecionistas chinesas dificultavam o acesso dos britânicos ao amplo mercado consumidor chinês 
Como não conseguiam ampliar o comércio de mercadorias com os chineses, os ingleses passaram a vender ópio, de forma ilegal, para a população da China como forma de ampliar os lucros. O ópio, cultivado na Índia (colônia britânica) era viciante e fazia muito mal a saúde. Em pouco tempo, os ingleses estavam vendendo toneladas de ópio na China, tornando o vício uma epidemia. O governo chinês chegou a enviar uma carta para a rainha Vitória I da Inglaterra protestando contra este verdadeira tráfico de drogas mantido pelos ingleses.

 campo de Papoulas




Mesmo com os protestos do governo chinês, os ingleses continuaram a vender ópio na China. Em 1839, como forma de protesto, o governo chinês ordenou a destruição de um carregamento de ópio inglês. O governo britânico considerou o ataque uma grande afronta aos seus interesses comerciais e ordenou a invasão armada à China, dando início a Primeira Guerra do Ópio.

Os britânicos invadiram e dominaram a China. A guerra terminou com a derrota chinesa em 1842.
 

 

O tratado de Nanquim




Após a guerra, a Inglaterra impôs o Tratado de Nanquim aos chineses, com as seguintes obrigações:



  •  A China teve que abrir cinco portos ao livre comércio;
  • Os ingleses passaram a ter privilégios no comércio com a China;
  • A China teve que pagar indenização de guerra à Inglaterra;
  • A China teve que ceder a posse da ilha de Hong Kong aos britânicos (a ilha foi possessão britânica até 1997).



O ópio

 




A palavra ópio em grego significa suco, o qual é obtido realizando-se incisões na cápsula de uma planta quando ainda verde, denominada “Papaver somniferum”, mais popularmente conhecida como papoula do Oriente, que é originária da Ásia Menor e cultivada na China, Irã, Índia, Líbano, Iugoslávia, Grécia, Turquia e sudoeste da Ásia. Desta mesma planta, também podem ser extraídas várias outras substâncias com propriedades farmacológicas.
O ópio é produzido à partir deste suco resinoso, que é um látex leitoso e coagulado, que depois de seco, torna-se uma pasta de cor acastanhada, e então é fervida para transformar-se em ópio, que por sua vez tem um cheiro típico e desagradável, manifestando-se potencialmente com o calor, de sabor acre e amargo.
Atualmente, o ópio é ilegal e considerado uma das substâncias mais viciantes que existem, no entanto possui propriedades anestésicas, e por milhares de anos foi utilizado como sedativo e tranquilizante, e também ministrado como remédio para diarréia, gota, diabetes, disenteria, tétano, insanidade.
No caso do ópio, quando utilizado, na forma de pó, cápsulas, comprimidos, ou chás seus efeitos , durarão aproximadamente de três à quatro horas e dependerão da quantidade de droga utilizada, da freqüência do uso e das condições físicas e psicológicas do usuário, podem ser agudos ou crônicos, porém, de um modo geral são os seguintes:
Vômitos, náuseas, ansiedade, tonturas, falta de ar, contração acentuada da pupila dos olhos, paralisia do estômago, prisão de ventre., palidez, perda de peso, membros pesados, queda da pressão arterial, alteração da freqüência cardíaca e respiratória, podendo chegar à cianose(cor azulada da pele), com o uso crônico poderá ocorrer intensificação de alguns sintomas, tais como: má digestão e prisão de ventre crônicas e problemas de visão devido à miose.
O uso freqüente do ópio e à longo prazo diminui a atividade cerebral podendo causar: deterioração intelectual, irritabilidade crescente, apatia, mente letárgica, indisposição, declínio dos hábitos sociais, diminuição da capacidade de vigília (provoca o sono), alteram os centros da dor, causam depressão geral do cérebro ocasionando uma perda de contato com a realidade e mente obnubilada (sem rumo).
Quando ocorre um aumento nas dosagens, os efeitos poderão evoluir para casos de overdose, com sonolência descontrolada, coma e em casos mais graves, a morte por falha respiratória.
A overdose ainda poderá ocorrer por mistura da droga com álcool e barbitúricos.
A maioria das drogas inicialmente, parecem inofensivas, trazendo falsas sensações de bem-estar, relaxamento e tranqüilidade momentâneas, diminuição da ansiedade cotidiana, mudança de estados psíquicos, agitação e vivência de experiências e visões totalmente ilusórias.
Após esse período, e com o uso freqüente, poderá desenvolver-se a tolerância (que é a busca de doses cada vez mais elevadas para um mesmo resultado). com possível dependência física e psíquica (trata-se de necessitar do entorpecente para sentir-se bem ou até mesmo para viver), que varia de acordo com a substância utilizada.
Igualmente à seus derivados, o ópio provoca no organismo, a tolerância e não pode-se prever o ponto em que o indivíduo torna-se grave dependente. Nesse caso, o usuário deixa de sentir o estupor causado pela droga, porém neste estágio já encontra-se totalmente aprisionado, de uma vez que, normalmente não deixa de consumi-la para escapar da inevitável e terrível síndrome de abstinência, que pode iniciar-se dentro de aproximadamente doze horas e estender-se de um à dez dias, incluindo: cólicas musculares e abdominais, lacrimejamento, dores cruéis, insônia, falta de apetite, inquietação, sudorese, arrepios, diarréias, tremores, instabilidade emocional com crises de choro, vômito,náuseas e vertigens. Além disso o o uso da droga não poderá ser descontinuado abruptamente, ficando o usuário neste caso, sujeito a sua morte.
Como vimos o ópio e seus derivados são substâncias com grandes possibilidades de causar dependência e mudanças bioquímicas permanentes a nível molecular, ocasionando uma pré-disposição ao uso, que mesmo depois de anos de privação da droga , o ex-dependente poderá retornar ao vício.
De qualquer forma, havendo o desejo de descontinuar o seu uso este deverá ter acompanhamento médico com diminuição progressiva da dose de opiáceo com possível inclusão de medicamentos que auxiliam no abandono da droga.
 
 
 


 Para saber mais, assista ao filme disponível para download "A guerra do ópio" 


  • Título Original: OPIUM WAR (A guerra do ópio)
  • Com: Bob Peck, Simon William , Corin Redgrave, Lin Liankun, Sihung Lung, Su Min.
  • Realização: Xie Jin
  • Produção: Wu Baowen e Zhang Wei.
  • Autoria: Z. Sujin, Ni Zhen, Z. Fuxian
  • Música: Jin Fuzai
  • Ano: 1997
  • Duração: 116 (cor) minutos/Legendado - formato MP4
 
 

  Link 1: A guerra do ópio








27/01/2015

Reflexão: Monomito - A jornada do herói

Sempre como fala de aula, lembramos que o aluno tem uma grande jornada diante de si. Que muitas batalhas lhe aguardam pelo caminho. Não é incomum, ver postagens onde os alunos em redes sociais ou outros meios contam que aprenderam mais com algum jogo de RPG ou similar, do que com as aulas - seja na questão do trato com a língua estrangeira, seja em relação ao domínio de algumas ideias a respeito de História, Geografia, Matemática, etc. Isto tem uma ideia por trás, que talvez até a leitura desta postagem não fosse percebida. Os jogos, o cinema, os animes japoneses e outras produções artísticas podem estar lhe passando a ideia do "monomito"(também chamado de jornada do herói), para fazer com que aquela breve jornada tenha um significado.
O conceito da Jornada do Herói foi concebido por Joseph Campbell, estudioso norte-americano de mitologia e religião. Campbell cria um modelo de como seria o passo a passo do percurso de transformação do homem comum em herói, com todas as provações que surgem no meio do caminho. Resumidamente, a jornada do herói é o caminho que o indivíduo percorre até a conquista de uma meta, é a aceitação de novos desafios e de toda a dificuldade para vencer cada etapa de aprendizagem dentro de cada escolha.
A jornada do herói, segundo Campbell possui estágios ou fases (bastante similiar esta ideia para quem joga videogames). As principais fases são:
·         Mundo Comum – O mundo normal do herói antes da história começar.
·         O Chamado da Aventura – Um problema se apresenta ao herói: um desafio ou a aventura.
·         Reticência do Herói ou Recusa do Chamado – O herói recusa ou demora a aceitar o desafio ou aventura, geralmente porque tem medo.
·         Encontro com o mentor ou Ajuda Sobrenatural – O herói encontra um mentor que o faz aceitar o chamado e o informa e treina para sua aventura.
·         Cruzamento do Primeiro Portal – O herói abandona o mundo comum para entrar no mundo especial ou mágico.
·         Provações, aliados e inimigos - O herói enfrenta testes, encontra aliados e enfrenta inimigos, de forma que aprende as regras do mundo especial.
·         Aproximação – O herói tem êxitos durante as provações.
·         Provação difícil ou traumática – A maior crise da aventura, de vida ou morte.
·         Recompensa – O herói enfrentou a morte, se sobrepõe ao seu medo e agora ganha uma recompensa (o elixir).
·         O Caminho de Volta – O herói deve voltar para o mundo comum.
·         Ressurreição do Herói – Outro teste no qual o herói enfrenta a morte, e deve usar tudo que foi aprendido.
·         Regresso com o Elixir – O herói volta para casa com o “elixir”, e o usa para ajudar todos no mundo comum.




A ideia do “monomito” esta presente em nossa vida moderna e ter conhecimento dele pode nos ajudar a superar desafios que a vida nos traz, seja nos estudos ou em qualquer outra área.

Vamos ver essas ideias em prática em uma fonte conhecida. Veja abaixo as ideias da jornada do herói aplicadas a trilogia mais recente das histórias do Batman, dirigidas por Christopher Nolan:


Atenção, este infográfico contem detalhes das histórias dos três filmes, caso não tenha assistido, procure fazê-lo primeiro antes de ler esta parte da postagem. 












22/11/2014

Resistência: Rainha Nzinga Mbandi Ngola



Indomável e inteligente, Nzinga Mbandi Ngola foi soberana (1624-1663) do povo Ginga de Matamba e Angola, nascida em Cabassa, interior de Matamba, que altaneira e silenciosa conseguiu juntar vários povos na sua luta contra os invasores portugueses e resistiu até ao fim sem nunca ter sido capturada, tornando-se conhecida pela sua coragem e astúcia. Do grupo étnico Mbundu, era filha do rei dos mbundus no território Ndongo, hoje em Angola, e Matamba, Ngola Kiluanji, foi contemporânea de Zumbi dos Palmares (1655-1695), o grande herói afro-brasileiro. Ambos pareceram compartilhar de um tempo e de um espaço comum de resistência: o quilombo. Enviada a Luanda pelo seu meio irmão e rei Ngola Mbandi, para negociar com os portugueses, foi recebida pelo governador geral e pediu a devolução de territórios em troca da sua conversão política ao cristianismo, recebendo o nome de D. Anna de Sousa. 



 Estratégia política ou conversão? o batismo de Nzinga gera controvérsias até hoje

Depois os portugueses não respeitaram o tratado de paz, e criaram uma situação de desordem no reino de Ngola. A enérgica guerreira, diante da gravidade da situação e da hesitação de seu irmão manda envenená-lo, tomando o poder e o comando da resistência à ocupação das terras de Ngola e Matamba. Não conseguindo a paz com os portugueses em troca de seu reconhecimento como rainha de Matamba, renegou a fé católica, aliou-se aos guerreiros jagas de Oeste e fundou o modelo de resistência e de guerra que constituía o quilombo. Com sua política ardilosa, conseguiu formar uma poderosa coligação com os estados da Matamba, Ndongo, Congo, Kassanje, Dembos e Kissama, e comandou a resistência à ocupação colonial e ao tráfico de escravos no seu reino por cerca de quarenta anos, usando táticas de guerrilhas e de ataques aos fortes coloniais portugueses, incluindo pagamentos com escravos e trocas de reféns. Após a assinatura de um tratado (1656) com o  governador geral, que incluiu a libertação de sua irmã Cambu, então convertida como Dona Bárbara e retida em Luanda por cerca de dez anos pelos portugueses, e sua renúncia aos territórios de Ngola, uma paz relativa voltou ao reino de Matamba até a sua morte, aos 82 anos, sendo sucedida por Cambu, continuadora da memória de sua irmã, mas já estava em curso o declínio da Coligação. Dois anos mais tarde, o Rei do Congo empenhou todas as suas forças para retomar a Ilha de Luanda, ocupada por Correia de Sá, saindo derrotado e perdendo a independência, e no início da década seguinte o Reino do Ndongo foi submetido à Coroa Portuguesa (1771). A rainha quilombola de Matamba e Angola tornou-se mítica e foi uma das mulheres e heroínas africanas cuja memória desafiou tempo, dando origem a um imaginário cultural que invadiu o folclore brasileiro com o nome de Ginga, despertou o interesse dos iluministas como no romance Zingha, reine d’Angleterre. Histoire africaine (1769), do escritor francês de Toulouse, Jean-Louis Castilhon, inspirado nos seus feitos, e foi citada no livro L'Histoire de l'Afrique, da publicação Histoire Universelle (1765-1766).




 estátua de Nzinga em Luanda


 Ainda hoje é reverenciada como exemplo de heroína angolana pelos modernos movimentos nacionalistas de Angola. Sua vida tem despertado um crescente interesse dos historiadores, antropólogos e outros estudiosos do período do tráfico de escravos. Sua resistência à ocupação dos portugueses do território angolano e o conseqüente tráfico de escravos, tem sido motivo de intensos estudos para a compreensão de seu momento histórico, caracterizado por sua habilidade política e espírito de liderança desta rainha africana na defesa de sua nação. Também é conhecida como Jinga, Zhinga, Rainha Dona Ana e Rainha Zinga



17/11/2014

Reflexão: Ser o maior de todos



Heróis são importantes. Eles nos inspiram e nos fazem acreditar em coisas que temos dentro de nós, uma certa coragem que por muitas vezes ainda sequer sabemos. Heróis da vida real, são mais importantes ainda. De todos os problemas que enxergo em nossa sociedade atualmente, o mais danoso, perigoso e triste, é o fato de como não temos mais grandes referências. O esporte sempre foi um dos maiores campo da imaginação para sonhar com estes grandes homens, hora ao lado deles, hora alcançando os mesmos feitos. Poucos atletas foram tão completos, tão corajosos e inspiradores quanto Muhammad Ali.
Boxeador e ativista social, Muhammad Ali nasceu como Cassius Marcellus Clay Jr., em janeiro de 1942 em Louisville, Kentucky. Tendo crescido no Sul, em um período de Segregação Racial, Ali experimentou todo o prejuízo da discriminação, mas conseguiu através do esporte destacar-se. Campeão olímpico, três vezes campeão dos pesos pesados mundiais, Ali destacaria-se também pela força de suas ações políticas contra o preconceito racial, perseguição religiosa, a discriminação e a pobreza dos povos. Sempre com algo a dizer, em um tempo que atletas negros não eram ouvidos, Ali proclamava-se "o maior de todos", rápido e bonito. Não era só um jogo de cena antes das lutas, era uma declaração corajosa e necessária. Uma declaração de liberdade, de poder ser tudo o que se quisesse mesmo tendo que lutar muito contra as dificuldades da vida.


Mesmo tendo perdido seus títulos, por ter se recusado a lutar na guerra do Vietnã, manteve a altivez do espírito de um grande campeão e seguiu em frente até que esta injustiça fosse desfeita.


Ali ainda é desses meus heróis de infância que poderia lutar contra tudo e todos. Não era perfeito, era um homem e como tal errou e acertou em muitas coisas ao longo de sua vida. Mas nas coisas em que acertou ele foi realmente grandioso.

Mesmo hoje lutando contra uma doença terrível que desfaz pouco a pouco a sua memória e o debilita a condição de não poder usar sua famosa eloquência, seus olhos obstinados permanecem. Verdadeiramente um herói da vida real.
Segue abaixo uma de suas mais belas e inspiradoras falas:



Muhammad Ali – Recipe for Life

David Frost: What would you like people to think about you when your gone?.

Muhammad Ali: I’d like for them to say:

    “He took a few cups of love.
    He took one table spoon of patience.
    One table spoon, tea-spoon of generosity.
    One pint of kindness.
    He took one quart of laughter.
    One pinch of concern.
    And then he mixed willingness with happiness.
    He added lots of faith.
    And he stirred it up well.
    Then he spread it over a span of a lifetime.
    And he served it to each and every deserving person he met.”

Tradução: 
David Frost: Como você gostaria que as pessoas pensassem sobre você quando se for?
Muhammad Ali: Eu gostaria que elas dissessem:
Ele pegou alguns copos de amor. Ele pegou uma colher de sopa de paciência. Uma colhar de sopa, uma colhar de chá de generosidade. Uma pitada de doçura. Ele pegou um quarto de risadas. Uma pitada de preocupação. E então ele misturou ansiosamente com felicidade. Ele adicionou muita fé e misturou bem.
Então ele espalhou sobre toda sua vida e ele serviu a cada pessoa merecedora que ele encontrou.


Acese também, nossa página com Cinema, para ver mais a respeito.

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