19/04/2017

Iluminuras e arte românica



Na Idade Média, todo conhecimento e cultura da Europa cristã estavam guardados nos mosteiros. Em uma sala especial chamada scriptorium (do latim, scribere, “escrever”), monges e monjas copiavam os evangelhos e os textos de autores gregos e romanos. Os copistas escreviam sobre pergaminho, material feito da pele delicada de cabra, carneiro ou ovelha. Com caneta, usavam a ponta de uma pena que mergulhavam na tinta.



     Os trabalhos eram ilustrados com iluminuras, pinturas que recebiam folhas de ouro que “iluminavam” a imagem. As cores eram obtidas de plantas, minerais, sangue e insetos. O pigmento era misturado com clara,gema de ovo e cera de abelha para deixá-lo mais consistente e permanente. A tinta preta vinha do carvão; o branco, da cal ou das cinzas de ossos de pássaros; a cor azul, muito apreciada pelos monges, era extraída das sementes de uma planta ou da azurita e lápis-lazuli moídos;  o verde se obtinha da malaquita;  o amarelo do açafrão. A tinta vermelha, obtida da argila misturada com púrpura, só era empregada nos títulos, nas iniciais maiúsculas e nomes importantes o que deu origem ao termo rubrica (derivado do latim ruber, vermelho). Hoje rubrica se refere a uma assinatura abreviada, a uma observação ou indicação. 



     A letra inicial do parágrafo ou do capítulo tinha tamanho maior do que o restante do texto e era decorada com arabescos, ramagens, flores ou mesmo ilustrações de cenas em miniaturas. Era chamadas de letra capitular ou letra capital – termo ainda hoje empregado na impressão de livros. 

Na idade Média, todo trabalho manual era considerado inferior. Os monges executavam esta tarefa de transcrever os textos como forma de expiar os pecados. E era realmente doloroso! Escreviam tudo a pena e devagar (podendo-se levar anos para terminar uma sequencia curta de páginas), e o faziam em uma posição inclinada, dedicando várias horas do dia à tarefa, em ambientes nem sempre iluminados, o que levaria a um cansaço da visão até uma eventual cegueira. Muitos monges copistas, desenvolviam problemas nas articulações resultado de horas de trabalho com a mesma repetição de movimentos.





     O livro nessa época era considerado uma raridade e assim somente a nobreza tinha acesso a isto. Quanto mais colorido e ornado, mais caro o livro. As iluminuras guardavam sempre o mesmo sentido do texto, por exemplo, se era um texto sobre guerra, as figuras retratavam isto. Isso se deve ao fato de que mesmo com status de nobreza, nem todos os nobres e reis da época sabiam ler.



(exemplos de iluminuras)





O pergaminho

(Apocalipse de Lorvão)

     O suporte para a ilustração, iluminura, bem como para a escrita era o pergaminho. Este oferecia uma superfície lisa, homogénea, quase impermeável, que permitia que a escrita e a cor aderissem ao suporte sem “esborratar”. Para um livro como o Apocalipse do Lorvão terão sido necessárias cerca de 112 ovelhas. As operações que transfor­mam uma pele coberta de pelos e gorduras numa folha branca de textura aveludada estão descritas no Caderno Pergaminho. Resumi­damente, as peles eram, antes de mais, mergulhadas numa mistura muito corrosiva de água e cal, onde ficariam a macerar durante vá­rios dias. Cada pele tem dois lados, o verso, ou costas, onde estavam os pelos, e o reverso, ou flor. Quando a pele era retirada do banho seria depilada e raspada. Depois de bem limpa seria muito bem es­ticada e tornada tão fina quanto possível. Nesta última fase, podia-se também esfregar o reverso com giz, tornando-a branca e opaca. De seguida, seria cortada com as dimensões necessárias ao códice a copiar ou criar.


As cores





Os monges também pre­paravam as suas tintas para escrever e os pigmentos para pintar. Os pigmentos são as cores que utilizamos para fa­zer uma tinta para pintar. Existem 3 cores principais no Apocalipse do Lorvão: o vermelho, o laranja e o amarelo. Estas eram considera­das as cores da luz. O Livro das Aves tem uma paleta muito mais va­riada: azul, laranja, carmim, vermelho, amarelo, verde, preto e branco. Os pigmentos utilizados para colorir os desenhos foram obtidos a partir de diferentes minerais. A única cor que não tem uma origem inorgânica é o carmim, obtido a partir da matéria corante existente numa resina, a goma laca, excretada por um insecto parasita. Alguns dos minerais não existiam em Portugal e podiam vir de muito longe, de países tão distantes como o Afeganistão ou o Irão. É o caso da cor azul, do lápis-lazúli, que era mais valioso que o ouro. Outros, como o laranja ou o vermelhão, já podiam ser obtidos por síntese, sendo muito mais económicos. Mas, era preciso ter as receitas de como os preparar, segredos que os monges possuíam. As tintas para escrita eram feitas a partir de bugalhos: esmagavam-se, ferviam-se em água, e ao suco assim obtido, era adicionado um sal de ferro, o vitriol. Obtinha-se uma tinta de cor preta e densa, muito escura, a que se chama ferrogálica. As letras escritas com esta tinta, com o tempo, passam de uma cor preta para o castanho que estamos habituados a ver nos códices muito antigos. As canetas para escrever eram feitas a partir de penas de aves de grande porte, como o ganso ou o perú, e de caniços. Estes, depois de cortados com a dimensão desejada e de preparado o aparo com um canivete, denominavam-se cálamos. Ambas as tintas, para escrever e para pintar, eram completadas por adição de uma cola, o ligante, que permitia que a cor aderisse ao pergaminho. Este ligante podia ser uma cola animal, como a obtida cozendo restos de pergaminho, ou uma resina vegetal, solúvel em água, como a goma arábica, a resina de pessegueiro ou de cerejeira.
             No Apocalipse do Lorvão as iluminuras foram pintadas com tintas obtidas misturando uma cola de pergaminho com os minerais ou­ro pigmento (amarelo), vermelho de chumbo (laranja) e vermelhão (vermelho). Os contornos foram feitos a tinta de escrever. Para pre­parar a tinta, o pigmento é previamente moído e de seguida muito bem misturado com a cola de pergaminho. Esta é depois aplicada a pincel. No Livro das Aves usou-se também uma cola animal, verme­lho de chumbo e vermelhão, para além de lápis-lázuli, verdete, ocre castanho, branco de chumbo, negro de carvão e o corante goma laca. 
         Primeiro esboçava-se o desenho. Os monges tinham alguns truques que podiam ajudar: usavam modelos cujos contornos picotavam; para passar o desenho do modelo podiam picotá-lo diretamente para o pergaminho ou fazer cair pó de carvão sobre o picotado do modelo para obter um contorno. Este desenho era normalmente passado a tinta de escrever. Só depois se coloria. Aqui também havia truques que ajudavam a saber qual a sequência de uso das cores por forma a obter o máximo efeito. Os truques podiam ser simples, como no Apocalipse, ou mais complexos. A maioria dos efeitos era obtido sem mistura de cores. Os pigmentos eram utilizados puros e podiam ser deixados mais claros (por adição de branco).




scriptorium



À frente do scriptorium ficava um responsável que selecionava os livros a transcrever, adquiria os materiais, treinava os seus au­xiliares, e coordenava as diversas atividades do escriba: copista, iluminador, rubricador, dourador, etc. Este responsável pode ser o próprio Abade. Para a escrita e ilustração são exigidas di­ferentes habilidades que raramente se encontram numa só pes­soa, e assim cada um se especializa numa atividade. Depois de escolher cuidadosamente os materiais (pergaminho, tintas, instrumentos de escrita) é necessário também selecionar os mais competentes, os peritos no desenho, nas letras, no douramento e na caligrafia.



               Os livros podem ser emprestados para serem copiados, ou ser trazidos por um monge copista, como foi Mágio, que no séc. X, levando os seus serviços de Mosteiro em Mosteiro, se deslocava com um Apocalipse debaixo do braço e realizava em diversos locais uma cópia.






(fases de execução de uma iluminura)


               Exemplo de Iluminura 

 O Apocalipse do Lorvão



O Apocalipse do Lorvão é um manuscrito iluminado datado de 1189, no início do reinado de D. Sancho I, segundo rei de Portugal. Possivelmente uma obra do scriptorium do Mosteiro do Lorvão, próximo de Coimbra, mosteiro a que o manuscrito pertenceu durante a Idade Média, é uma das raras obras do gênero sobreviventes da Idade Média portuguesa. É considerado um dos primeiros e mais sumptuosos manuscritos iluminados do jovem reino de Portugal.
O Apocalipse do Lorvão, faz parte de um vasto grupo de manuscritos denominados Beatos, nome derivado de Beato de Liébana, monge que viveu na transição do sé­culo VIII para o século IX, em Liébana (Mosteiro de Santo Toribio, então dedicado a São Martinho) e que redigiu um comentário ao Apocalipse de São João, num ambiente de crença de Fim do Mundo, acentuado pelo aproximar do fim do milênio. Deste comentário foram realizadas numerosas cópias que conjugavam o texto bíblico, o comentário e as respectivas imagens.


No século XII, razões de ordem histórica ligadas ao avanço Almóada na Península Ibérica para o renascer do espírito apocalíptico, dão origem a um novo surto de comentários historiados ao Apo­calipse, no qual o nosso manuscrito se insere, sendo a única cópia desta época que se encontra datada. Está escrito em latim, em letra gótica-primitiva.

        Um outro fator curioso é a utilização de uma sequencia de cores extre­mamente reduzida na medida em que se restringe a apenas três co­res dominantes, amarelo, laranja e vermelho e ao preto, cor aplicada em circunstâncias específicas, acentuando a carga simbólica de uma determinada. É destacado nas iluminuras, a primazia dada pelo ilu­minador do manuscrito, ao desenho, característica específica da arte românica, visível nos vestígios chegados até nós, escul­pidos nos pórticos e nos capitéis das igrejas. A forma exímia como ele desenha as asas dos anjos acentuando o movimento da figura, a multiplicidade dos ros­tos representados, individualizados através do traço, bem como os numerosos elementos representativos da vida quotidiana, é um dos exemplos mais marcantes da. O amarelo, o cor-de-laranja e o vermelho serão utilizados para delimitar cenas, para individualizar acontecimentos numa mesma cena, funcionando mesmo como elemento de interligação entre registros diferentes.


Você pode ver o arquivo original da iluminura, no link abaixo, disponibilizado para consulta pelos portugueses. Acesse:





A arte românica






Arte Românica corresponde à arte produzida sobre as ruínas das cidades romanas que, após o declínio e divisão do Império Romano, agora faziam parte do Império Romano do Ocidente, com sede em Roma (daí o nome Românico). Hoje em dia abrange também países como  Itália, França, Alemanha, Inglaterra, Portugal e Espanha.
Essa arte predominou entre os séculos XI e XII com algumas particularidades em cada região mas, no geral, com características comuns que possibilitaram classificar todas elas como românica!

Características da Arte Românica

           É uma  arte rural e essencialmente arquitetônica. Também  trata-se de uma arte didática que tem por objetivo a educação religiosa das pessoas por meio das imagens e da arquitetura.
Como a maioria da população era analfabeta, prevalecem na arte o uso de símbolos ao invés da escrita.

Arquitetura Românica

                 A arquitetura medieval como um todo, não apenas a Românica, é uma prova de que durante a Idade Média houve muito progresso tecnológico.

       Castelos






        O castelo era o cerne da vida econômica, social e política. As batalhas e conflitos durante o período medieval eram frequentes, em razão das possíveis vinganças entre os senhores feudais e por ataques de outras civilizações. Portanto, a principal função destinada aos castelos era a segurança da família do senhor feudal, da nobreza e dos camponeses. Construídos com imensas muralhas, torres, fossos, calabouços e pontes levadiças. Geralmente eram construídos em terrenos elevados, o que facilitava a defesa contra ataques externos.


Mosteiros





Os mosteiros eram os mais importantes núcleos culturais e artísticos deste período. Eram construções rodeadas de altos muros, com um vasto pátio interno. Eram lugares apropriados à meditação e também serviam de abrigo aos viajantes, pobres e peregrinos (“aqueles que atravessam os campos”).

Igrejas

Em vista da religiosidade do momento histórico e do papel da Igreja como protagonista em todos os âmbitos da sociedade e da cultura, destacam-se os templos.
Foram construídos para atender a necessidade de acolher peregrinos que viajavam para visitar as santas relíquias.

Características principais:

1. Abóbadas (o teto formado por arcos) em substituição ao telhado das basílicas.
2. Pilares (colunas) maciços e paredes espessas sustentadas por contrafortes (colunas externas).
3. Aberturas raras e estreitas usadas como janelas.
4. Torres, que aparecem no cruzamento das naves (espaço de circulação) ou na fachada.

Esculturas e Pintura

Embora a pintura e a escultura tenham tido amplo desenvolvimento, ficaram subordinadas à arquitetura.
Na pintura prevalecia a representação do Cristo Pantocrator, o Cristo Pastor.

Iluminuras

A produção de iluminuras estendeu-se por vários séculos. Eram livros copiados e pintados a mão que narravam histórias por meio de ilustrações. Como a maioria da população era analfabeta, as Iluminuras foram um meio muito importante de difusão do cristianismo porque também apresentavam ilustrações da Bíblia, missas, salmos e etc.


ATIVIDADE - ILUMINURAS 





(esboço e pintura de uma iluminura)

Após todo este nosso estudo, é hora de colocar em prática o nosso conhecimento. Iremos produzir para exposição, uma série de 4 iluminuras temáticas conforme será orientado em sala, mas antes conheça um pouco da base para seu trabalho. Estude nossos textos e siga a orientação seguinte:


Passo 1: as iluminuras medievais, textos ilustrados, geralmente traziam temas religiosos como cenas de passagens bíblicas. Você não precisa escolher esse tema, escolha uma frase, um texto ou mesmo uma palavra que seja importante pra você.



Passo 2: Esboço- em folha branca faça um desenho prévio da sua iluminura. As letras góticas podem deixar o seu desenho mais com cara de Idade Média.


Passo 3: Acrescente elementos - folhas, flores, arabescos ou algumas formas geométricas enfeitando as margens ou a letra capitular.


Passo 4: contorne com uma canetinha de ponta bem fina e depois apague as marcas de lápis.


Passo 5: Hora de colorir. Nas imagens foi usado lápis de cor aquarelável. Use o que achar melhor.


Dica: com lápis de cor aquarelável você deve colorir sempre de fora para dentro, ou seja, da margem para o centro.

Também fica interessante usar várias tonalidades da mesma cor, da mais clara até a mais escura.


Na última tonalidade basta colorir a borda, sem força, bem de leve para não machucar o papel.


E assim seu trabalho estará pronto.


Passo 6: Se trabalhar com lápis de cor aquarelável, depois de tudo pintado, você pode passar levemente o pincel com água sobre algumas partes do desenho (não precisa passar em tudo!).


Passo 7: Para dar o efeito dourado, muito usado nas iluminuras, use cola colorida com gliter ou em relevo.














Observe nossa data combinada para entrega do material e mãos à obra.

Dica de trabalho originalmente postada em: 

 http://arteeducacaodf.blogspot.com.br/2014/08/como-fazer-uma-iluminura-romanica.html



DICA!

Com duvidas de como montar sua iluminura para nosso trabalho? Você pode seguir um truque dos monges. Eles utilizavam em alguns casos para acelerar o trabalho, recortes que eram sobrepostos sobre o trabalho e coloridos. Você pode fazer o mesmo, faço a sugestão dos moldes seguintes, assim como também pode deixar livre a sua imaginação, usando o padrão de caligrafia presentes nos desenhos aqui dispostos. Faça o seu melhor trabalho e apresente para nossa escola.


Exemplos:



















































12/04/2017

Tigre dentes de sabre - Esmilodonte



Está semana iniciamos nosso trabalho de segundo bimestre com os sextos anos. O desafio pré-histórico deste ano é a reprodução de um esqueleto de um tigre-dente-de-sabre. Vamos então conhecer mais a seu respeito.
Segundo a definição da maior parte dos dicionários, tigre-de-dente-de-sabre é um “nome comum a vários felídeos pré-históricos, semelhantes ao tigre atual”. O animal, já extinto, também é conhecido como Esmilodonte ou Smilodon e pertence a uma subfamília chamada Machairodontinae. Apesar de bastante utilizado, o nome tigre-de-dente-de-sabre refere-se mais a uma das características mais visíveis do felino, os dois caninos extremamente avantajados e saltados para frente. Porém, o Smilodon não tem nenhuma ligação com o tigre.



O surgimento do tigre-de-dente-de-sabre ocorreu no período referente ao Plioceno, há cerca de 3 milhões de anos. O animal tinha provável descendência do Megantereon (um dos dente-de-sabre mais antigos), tendo vivido no continente americano. Sua extinção ocorreu há aproximadamente 10 mil anos. Um dos primeiros naturalistas a descrever o animal foi Peter Wilhelm Lund, de origem dinamarquesa, que foi o pioneiro na descoberta de fósseis do Smilodon populator, em Minas Gerais, na Lagoa Santa, em 1841.




https://t.dynad.net/pc/?dc=5550001577;ord=1491930823078
O tamanho deste tipo de felino era bastante variável, sendo que a espécie de maior porte, o citado Smilodon populator, vivia na América do Sul e chegava a medir mais de 3 m no que se refere ao comprimento, pesando aproximados 900 kg. Em termos comparativos, o animal tinha mais robustez e era maior do que um leão na fase adulta.
Em outro aspecto, o felino era exclusivamente carnívoro, e os dentes caninos superiores que lhe deram o nome controverso de tigre-de-dente-de-sabre tinham medidas que chegavam a até 50 cm de comprimento. Suas mandíbulas apresentavam uma articulação especial, permitindo uma abertura em ângulo de 95 graus. Ou seja, era um dos maiores predadores de seu tempo.





Isso pode ser comprovado pela mordedura do animal, que rompia com rapidez os vasos sanguíneos da garganta da presa, fechava sua traqueia e tirava a sua vida rapidamente. Além disso, o Smilodon tinha musculosas patas dianteiras que o ajudavam a imobilizar a presa, ajudando na precisão da mordida fatal. Para cortar a carne, utilizava seus incisivos projetados à frente, o que evitava a lesão dos caninos.


De acordo com alguns estudiosos, o Smilodon era um animal que vivia em grupos bastante parecidos em organização com os das hienas. Apesar da primeira descoberta de fósseis do animal ter sido encontrada no Brasil, a maior parte provém dos poços de betume, localizados em Los Angeles (EUA).


O tigre-de-dente-de-sabre foi bastante representado na cultura pop. No universo da Marvel Comics, o inimigo mortal do famoso mutante Wolverine leva o nome de Dentes-de-Sabre  (Sabretooth). A espécie também é retratada no filme 10.000 A.C. (2008), do diretor Roland Emmerich.


Classificação científica:
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Carnivora
Família: Felidae
Subfamília: † Machairodontinae
Gênero: † Smilodon
Espécies: † Smilodon populator, † S. fatalis e † S. gracilis



Para encerrar, algumas imagens do nosso trabalho. Assim que você o montar com seu grupo, deverá ficar neste formato, cabendo a você decidir através de estudo qual o melhor cenário de fundo. Pode ainda, realizar o download do molde no link abaixo. Bom trabalho e boa diversão.







30/08/2016

Era Vargas: o Estado Novo e a prisão de Monteiro Lobato



Contista, ensaísta e tradutor, este grande nome da literatura brasileira nasceu na cidade de Taubaté, interior de São Paulo, no ano de 1882. Formado em Direito, atuou como promotor público até se tornar fazendeiro, após receber herança deixada pelo avô.  Diante de um novo estilo de vida, Lobato passou a publicar seus primeiros contos em jornais e revistas, sendo que, posteriormente, reuniu uma série deles em Urupês, obra prima deste famoso escritor.

Em uma época em que os livros brasileiros eram editados em Paris ou Lisboa, Monteiro Lobato tornou-se também editor, passando a editar livros também no Brasil. Com isso, ele implantou uma série de renovações nos livros didáticos e infantis. 

Fora os livros infantis, este escritor brasileiro escreveu outras obras literárias, tais como: O Choque das Raças, Urupês, A Barca de Gleyre e o Escândalo do Petróleo. Neste último livro, demonstra todo seu nacionalismo, posicionando-se totalmente favorável a exploração do petróleo apenas por empresas brasileiras. 

No dia 2 de julho de 1948, Monteiro Lo­ba­to concedeu à rádio Record aquela que se­ria a última entrevista de sua vida, a qual encerrou com as palavras: “O Pe­tróleo é Nosso”! Dois dias após, “O Repórter Esso”, na voz de He­ron Domingues, anunciou a sua morte. Monteiro Lobato, nascido em Taubaté em 1882, falecia aos 66 anos de idade; o corpo foi velado na antiga Biblioteca Municipal de São Paulo e em seu cortejo fúnebre, que seguiu a pé até o Cemitério da Consolação, havia mais de dez mil pessoas a quais cantavam o Hino Nacional. Compreendiam que Monteiro Lobato representou a seu modo o ímpeto pioneiro, renovador, criador de tantas iniciativas fecundas e ousadas, aventuras pessoais ou coletivas, que formatariam o Brasil moderno.
Em 1927, Lobato realiza um velho sonho: é nomeado adido comercial nos Estados Unidos. Os quatro anos que passará na América do Norte constituirão uma descoberta e um deslumbramento para o caipira de Taubaté: vê o gigantesco progresso americano e o compara com a nossa lentidão colonial. Ao voltar, trará planos grandiosos de salvação econômica para o Brasil. O primeiro deles é a Campanha do Ferro: é preciso “ferrar o Brasil”. A próxima, ainda mais ampla, será a Campanha do Petróleo.

Nos anos 1930 havia interesse oficial em se dizer que no Brasil não havia petróleo. Na contramão dos interesses dominantes, fundou a Companhia Petróleos do Brasil, e inaugurou várias empresas para fazer perfuração, sendo a maior de todas elas a Companhia Mato-grossense de Petróleo (em 1938), que visava realizar perfurações quase junto à fronteira com a Bolívia, cujo governo nacionalista já encontrara seu ouro negro.
 Lobato ainda sofreu crítica, censura e perseguição por parte da Igreja Católica. O influente padre Sales Brasil, na primeira fila do reacionarismo da guerra fria, denunciará o livro “História do Mundo Para as Crianças” como sendo o “comunismo para crianças”.
Monteiro Lobato sempre se declarou, co­rajosamente, sim­patizante da Re­volução So­vi­ética; diz o seu bi­ógrafo que “ele ansiava por um socialismo difuso, meio anárquico, meio ro­mântico”. “Não possuía, entretanto, nenhum gosto pela especulação doutrinária e por isso, jamais foi homem de partido, militante político.” Seu contato maior com os comunistas ocorreria a partir de 1941, após o período de confinamento no Presídio Tiradentes, durante a ditadura de Vargas. Empolgou-se com a luta antinazista da União Soviética na Segunda Guerra Mundial e suas conquistas e vitórias nos campos das ciências, da educação. Jamais escondeu sua admiração e estima por Luís Carlos Prestes e o fazia de modo aberto, a quem lhe perguntasse. Em 1945, no famoso comício do Pacaembu enviou a Prestes uma das mais lindas e humanas saudações. Quando, em 1947, levanta-se uma nova onda de calúnias direitistas e perseguições políticas, de sua pena nascerá a história de “Zé Brasil”, panfleto que percorreu o país de norte a sul, acusando o presidente Dutra de implantar no Brasil uma nova ditadura: o “Estado Novíssimo”.
A história de Lobato com o petróleo começa em 1927, quando o presidente Washington Luís o nomeou adido comercial nos Estados Unidos, reconhecendo o escritor como um grande representante dos interesses culturais do Brasil. Em sua temporada nos EUA, Monteiro Lobato acompanhou de perto as constantes inovações tecnológicas e industriais daquele país, e convenceu-se de que o progresso norte-americano era um fruto de investimentos em ferro, petróleo e transportes, e que nós brasileiros deveríamos seguir o mesmo caminho dos EUA, copiando suas políticas de desenvolvimento.
No ano seguinte, Lobato visitou a General Motors e, entusiasmado, organizou uma empresa para produzir aço no Brasil. Para tentar levantar recursos, o brasileiro investiu na bolsa de valores, mas acabou perdendo tudo na crise de 1929.
Enquanto isso, no Brasil, Júlio Prestes fora apontado como candidato à sucessão do presidente Washington Luís na eleição de 1930. De Nova York, Monteiro Lobato envia uma carta de apoio ao candidato por estar convencido de que a continuidade administrativa era o que o Brasil precisava para adotar uma política desenvolvimentista como a americana, uma vez que Washington Luís investiu maciçamente em transporte, e Júlio Prestes já havia realizado explorações de petróleo no estado de São Paulo. O escritor acreditava que era preciso “explorar o petróleo nacional para dar ao povo brasileiro um padrão de vida à altura de suas necessidades”.




A eleição foi realizada e Júlio Prestes eleito presidente do Brasil, mas não chegou a assumir devido à Revolução de 1930, encabeçada por Getúlio Vargas — o candidato derrotado na eleição — para depor o presidente Washington Luís e assumir o poder. Com a tomada do poder por métodos nada democráticos, começou a antipatia de Monteiro Lobato pelo presidente Vargas.
O governo getulista afirmava que não havia petróleo no Brasil, algo corroborado pelos empresários brasileiros com o argumento de que, se houvesse petróleo no país, as petrolíferas americanas já teriam descoberto. Não havia, até então, nenhuma jazida de petróleo ou de gás identificada ou explorada no Brasil, mas o poder público era incapaz de realizar explorações porque o Brasil simplesmente não tinha tecnologia, conhecimentos básicos e nem o capital necessário para o empreendimento.
Lobato contudo não estava apenas convicto da existência de petróleo no Brasil, como também suspeitava que os americanos já trabalhavam no mapeamento das áreas petrolíferas.
A empresa de Monteiro Lobato contava com técnicos norte-americanos, experientes na prospecção e extração de petróleo, mas era frequentemente sabotada por órgãos governamentais, sofrendo intervenções por motivos dos mais banais e acabou obtendo provas de suas suspeitas sobre a ação estrangeira na prospecção de petróleo no país.
Diante da situação Monteiro Lobato escreveu uma carta ao presidente Vargas em janeiro de 1935 reclamando das dificuldades impostas pelo Ministério da Agricultura em relação às atividades de suas companhias ao mesmo tempo em que denunciava confidencialmente as atividades da filial argentina da Standard Oil Company (que mais tarde se tornaria a Exxon/Esso) no país com a conveniente corrupção de fiscais do Serviço Geológico Nacional.

“[…]nossas melhores jazidas de minérios já caíram em mãos estrangeiras e no passo em que as coisas vão o mesmo se dará com as terras potencialmente petrolíferas. E já hoje ninguém poderá negar isso visto que tenho uma carta em que o chefe dos serviços geológicos da Standard ingenuamente confessa tudo, e declara que a intenção dessa companhia é manter o Brasil em estado de ‘escravização petrolífera’.”

Diante da omissão do governo em relação à sua denúncia, Monteiro Lobato publicou o livro “A Luta Pelo Petróleo”, onde denunciava o Serviço Geológico Nacional, órgão oficial encarregado das pesquisas, da conivência com a ação de grupos estrangeiros no Brasil ao acusar o governo de “não tirar petróleo e não deixar que ninguém o tire”.
A militância e o avanço de Monteiro Lobato, contudo, interferiam nos interesses de grandes grupos e do governo federal. Em 1936 uma das sondas do escritor sofre intervenção federal e é interditada. O escritor segue adiante, levanta alguns recursos e finalmente encontra gás natural de petróleo a 250 metros de profundidade em Riacho Doce, Alagoas. A Companhia prossegue os trabalhos de prospecção. Neste mesmo ano Monteiro Lobato publicou outro livro, intitulado “O Escândalo do Petróleo”, que esgotou três edições no mês de lançamento, onde denunciava dois técnicos estrangeiros do Departamento Nacional de Produção Mineral pela “venda de segredos do subsolo a empresas estrangeiras”. No ano seguinte o livro é censurado pelo governo federal e o sagaz escritor edita um terceiro livro sobre o assunto: “O Poço do Visconde – Uma aula de geologia para crianças”.



Em 1938 o governo federal decidiu explorar um poço no município de Lobato, na Bahia (atualmente um bairro de Salvador) e constata a existência de petróleo. No ano seguinte cria o Conselho Nacional do Petróleo (CNP), que seria a primeira iniciativa para regular e estruturar a exploração de petróleo. Até então havia uma disputa entre empresários (caso de Lobato e das petrolíferas estrangeiras) e ideais nacionalistas, divulgados pelo governo getulista, sobre a exploração petrolífera no país. Uma alteração de última hora no decreto-lei que instituiria o CNP passou a considerar patrimônio da União todas as jazidas de petróleo em solo brasileiro, inclusive as ainda não encontradas.
Em 1941 Monteiro Lobato envia outra carta ao presidente Getúlio Vargas com severas críticas à política brasileira de exploração de minérios e acaba preso pelo general Horta Barbosa, que mais tarde se tornaria líder da campanha nacionalista “O petróleo é nosso”. Pela carta Lobato foi condenado a seis meses de prisão sem direito a banhos de sol.



Na Casa de Detenção, José Bento Monteiro Lobato escreveu carta ao Sr. José Adriana Marrey Jr. (procurador de justiça), cujos excertos principais foram publicados pelo jornal O Estado de S. Paulo.

“Casa de Detenção, 3-4-1941 Marrey Júnior

Não resisto à tentação de escrever esta, às 6 da manhã, na Sala Livre, com a passarinhada barulhando nas grandes árvores que aparecem extramuros e os meus seis companheiros ainda deitados.
Escrever esta para dizer uma coisa apenas: um homem só escapa da língua libérrima desta gente presa, que justamente porque presa se sente numa segurança que não há aí fora, e fala com o coração nas mãos, sem medo de coisa nenhuma, porque o pior já aconteceu.
Esse homem é você, Marrey.
O arrasamento do pessoal de aí fora é integral... mas o nome de Marrey é sagrado. É o único advogado honesto... É o advogado estudioso; é o que melhor analisa o argumento, o melhor isto e aquilo; é o melhor tudo.
Todas as noites, os debates da Sala esquentam e o arrasamento das personalidades é praticamente integral – mas o nome de Marrey fica alto, isolado – como um ilha.
Que bonito, Marrey! Que coisa reconfortante!
Receba, pois, os cumprimentos de um colega que nunca teve a ocasião de aproximar-se de você, mas que vai sair daqui profundissimamente impressionado com a única coisa que aprendeu na sua longa passagem pelo xadrez: há um advogado sobre cuja honestidade e valor os grandes e verdadeiros juízes dos advogados, que são os presos, juram a pés juntos: Marrey Júnior.
Unanimidade absoluta!... Que coisa bonita, Marrey! Que tremenda consagração!
Receba, pois, o comovido abraço deste preso que sempre pregou, acima de tudo, no mundo, esta coisa maravilhosa chamada honestidade, e que, por causa dela, está passando por aqui um pedaço de sua vida. (a) Monteiro Lobato.”
O criminalista paulista dr. Raimundo Pascoal Barbosa levantou, na Casa de Detenção de São Paulo, os seguintes dados sobre a prisão de Monteiro Lobato: “Devidamente escoltado por investigadores desta Especializada (Delegacia Especializada de Ordem Política e Social), com este apresento-lhe o dr. Monteiro Lobato, que deverá ser recolhido preso, à ordem e disposição desta, incomunicável, na Prisão Especial desta Detenção”. 27 de janeiro de 1941. Do prontuário: “Removido em 30-1-41 para a Superintendência de Segurança Política e Social, de conformidade com a determinação constante do ofício de 30-1-41 do dr. Delegado de Ordem Política e Social, a fim de depor no inquérito em que é indiciado. Removido”.
“Condenado pelo Tribunal de Segurança Nacional em sessão realizada em 20-5-41, à pena de seis meses de prisão celular, como incurso no artigo 3º, nº 25 do Decreto-lei nº 431, de 1939.
Liberdade em 20-06-41 de conformidade com os dizeres do ofício de 20-6-41, do dr. Delegado de Ordem Política e Social e conforme dizeres do telegrama nº 2.237 expedido pelo Juiz-Presidente do Tribunal de Segurança Nacional, visto haver sido, por Decreto do Exmo. Sr. Dr. Presidente da República, datado de 17-6-41, indultado do resto da pena de seis meses de prisão celular que lhe foi imposta pelo delito contra a Segurança Nacional.”
Saindo da prisão, declarou:

“Depois que me vi condenado a seis meses de prisão, e posto numa cadeia de assassinos e ladrões só porque teimei demais em dar petróleo à minha terra, morri um bom pedaço na alma.”

No mesmo ano foi descoberto o primeiro poço de exploração comercial, em Candeias, também na Bahia, e o governo avançou na prospecção de petróleo no país. Após a promulgação da Constituição de 1946 foi travado um grande debate em relação à política do petróleo, uma vez que o presidente Dutra defendia uma política econômica liberal, de abertura ao capital estrangeiro, o que significaria simplesmente a entrega da exploração do petróleo brasileiro aos interesses das multinacionais. Contudo, na época não havia no Brasil uma empresa nacional com capital e tecnologia necessários para a exploração de petróleo.



CARTAS DE MONTEIRO LOBATO À GETÚLIO VARGAS


São Paulo, 20 de janeiro de 1935

Dr. Getúlio Vargas

Por intermédio do meu amigo Rônald de Carvalho, procurei no dia 15 do corrente, fazer chegar ao seu conhecimento uma exposição confidencial sobre o caso do petróleo, estou na incerteza se esse escrito chegou a destino. Talvez se perdesse no desastre do dia 20. E como se trata de documento de muita importância pelas revelações que faz, seria de toda conveniência que eu fosse informado a respeito. Nele denuncio as manobras da Standard Oil para senhorear-se das nossas melhores terras potencialmente petrolíferas, confissão feita em carta pelo próprio diretor dos serviços geológicos da Standard Oil of Argentina, que é o tentáculo do polvo que manipula o brasil. E isso com a cooperação efetiva do sr. Victor Oppenheim e Mark Malamphy, elementos seus que essa companhia insinuou ou no Serviço Geológico e agora dirigem tudo lá, sob o olho palerma e inocentíssimo do dr. Fleuri da Rocha. É de tal valor a confissão, que se eu der a público com os respectivos comentários o público ficará seriamente abalado.

Acabo agora de obter mai uma prova da duplicidade desse Oppenheim, cornaca do Fleuri. Em comunicação reservada que ele enviou para a Argentina ele diz justamente o contrário, quanto às possibilidades petrolíferas do Sul do Brasil, do que faz aqui o Fleuri pelos jornais, com o objetivo de embaraçar a marcha dos trabalhos da Companhia Petróleos.

O assunto é extremamente sério e faz jus ao exame sereno do Presidente da República, pois que as nossas melhores jazidas de minérios já caíram em mãos estrangeiras e no passo em que as coisas vão o mesmo se dará com as terras potencialmente petrolíferas. E já hoje ninguém poderá negar isso visto que tenho uma carta em que o chefe dos serviços geológicos da Standard ingenuamente confessa tudo, e declara que a intenção dessa companhia é manter o Brasil em estado de "escravização petrolífera".

Aproveito o ensejo para lembrar que ainda não recebi os papéis, ou estudos preliminares do serviço que V. Excia. Tinha em vista organizar, por ocasião do encontro que tivemos em fins do ano passado, no Palácio Guanabara.

Respeitosamente,

J. B. Monteiro Lobato

São Paulo, 19 de agosto de 1935

Dr. Getúlio Vargas

Rio de Janeiro

Excelentíssimo Senhor:

Conforme previ na última audiência que me foi concedida a 15 do corrente, há alguém interessado em embaraçar a ação da Cia Petróleos do Brasil, dificultando a obtenção da autorização para que ela siga seu curso natural, fora das restrições do Decreto nº 20.799, que, em requerimento ao Ministério da Agricultura, foi pedida. E como V. Excia., me autorizou, neste caso, a recorrer diretamente a V. Excia., como guardião que é dos verdadeiros interesses nacionais, sou forçado a lançar mão desse recurso.

Negam-nos a autorização pedida, dificultando, retardando, protelando o necessário decreto. Isso vem impossibilitar a atividade da Cia Petróleos do Brasil. Os homens contratados à custa de tanto sacrifício monetário para procederem em nosso território quatro meses de provas, nada poderão fazer já que a companhia que os contratou não pode fazer contratos de opção nos terrenos a serem examinados. E desse modo terão de regressar para a América do Norte sem que o Brasil se beneficie das vantagens incomensuráveis da série de provas previstas e para as quais a nossa empresa se formou.

Isso constitui um crime imperdoável, além de denunciar de modo esmagador que há gente paga por estrangeiros para que o Brasil não tenha nunca o seu petróleo. Em vez de, pelas funções de seus cargos, esses homens tudo fazerem para que tenhamos petróleo, quanto antes, tudo fazem para que não o tenhamos nunca. O caso é, pois, desses que pede a imediata intervenção de homens que, como V. Excia., só têm em vista os altos interesses do País.

Assim, de acordo com a promessa que V. Excia. Me fez, venho denunciar a manobra da sabotagem burocrática e pedir o remédio urgente.

Respeitosamente subscrevo-me

De V. Excia. Atento servidor

Monteiro Lobato.



Fontes.:
 http://www.projetomemoria.art.br/MonteiroLobato/monteirolobato/cartaget.html

http://www.oabsp.org.br/sobre-oabsp/grandes-causas/a-prisao-de-monteiro-lobato

http://www.infoescola.com/literatura/monteiro-lobato/

https://www.ebiografia.com/monteiro_lobato/


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