Mostrando postagens com marcador movimento negro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador movimento negro. Mostrar todas as postagens

02/06/2016

Egito e o "whitewashing"


“uma dádiva do Nilo” (Herodoto)



Literalmente um oásis; faixa de terra fertilizada pelas cheias periódicas correspondia 20 km de largura, tornando-se maior apenas ao Norte (baixo Egito), quando o rio forma um delta de 150 km.

 Divisão Histórica
Quando falamos em “Egito antigo”, estamos nos referindo aproximadamente  4000 a.C. ao momento em que ele foi dominado pelos romanos, no século I a.C.
Tal periodização é dividida para estudo em:

  •  Antigo – Capital Mênfis – 2052 a.C. – Agricultura e pirâmides
  •  Médio – Capital Tebas – 2052 a 1570 a.C. – Centralização
  •  Novo Império – Expulsão dos Hicsos/ocupação “preventiva” (Canaã e Síria)

O EGITO É ÁFRICA!

Whitewashing é a união das palavras em inglês white (branco) + wash (limpeza) e tem muitos significados, como “produto que deixa mais branco” ou “absolver da culpa”. E, mais recentemente, foi colocado um novo significado na palavra: “fazer limpeza étnica em um personagem fictício ou histórico, transformando-o em uma pessoa branca”.



No século XX as produções cinematográficas para o cinema, televisão, internet, e até mesmo representações teatrais, circenses e em outras mídias como a literatura, quadrinhos, videogames, desenhos, pinturas, esculturas, etc., tendem a representar o povo egípcio como tendo sido uma população predominantemente branca. Tal tendência não começou no século XX, mas foi durante ele que essa referência imagética de um "Egito branco" prevaleceu na cultura e na mentalidade contemporânea. E mesmo no século XXI, ainda vemos filmes, novelas, desenhos, etc., retratando os faraós sempre brancos, a nobreza egípcia sempre branca, o grosso da população sendo branca, e quando há negros e pardos, estes geralmente são camponeses ou escravos.


No século XX as produções cinematográficas para o cinema, televisão, internet, e até mesmo representações teatrais, circenses e em outras mídias como a literatura, quadrinhos, videogames, desenhos, pinturas, esculturas, etc., tendem a representar o povo egípcio como tendo sido uma população predominantemente branca. Tal tendência não começou no século XX, mas foi durante ele que essa referência imagética de um "Egito branco" prevaleceu na cultura e na mentalidade contemporânea. E mesmo no século XXI, ainda vemos filmes, novelas, desenhos, etc., retratando os faraós sempre brancos, a nobreza egípcia sempre branca, o grosso da população sendo branca, e quando há negros e pardos, estes geralmente são camponeses ou escravos.


Descrições de estrangeiros:

O historiador grego Heródoto de Halicarnasso (c. 480 - c. 425 a.C), em seu livro Histórias, em alguns momentos menciona que havia gente negra no Egito. Em uma das passagens de seu livro, Heródoto fala sobre o povo de Cólquida, região situada na Ásia, a costa do Mar Negro, no que hoje é território da Geórgia. De acordo com ele, os colquidianos se diziam ser descendentes dos egípcios; Heródoto mostra-se incrédulo quanto a isso, no entanto, diz que os colquidianos eram negros e de cabelo crespo como os egípcios, embora ele saliente que havia outros povos com estas mesmas características, o que significava que necessariamente os colquidianos não seriam descendentes dos egípcios



Pintura num mural retratando um homem e uma mulher participando da colheita. Percebe-se que ambos têm a pele parda e o cabelo crespo.

Segundo o tratado grego Fisionomia, supostamente atribuído ao filósofo Aristóteles (384-322 a.C), nesta obra, o autor em questão diz que os egípcios e etíopes eram negros (DIOP, 2010, p. 13). O escritor grego Luciano de Samósata (c. 125-190) em seu livro Navegações, menciona o diálogo entre dois homens chamados Licino e Timolaus; na ocasião os dois comentam a respeito de um homem negro que haviam visto, o qual usava o cabelo longo e trançado. Timolaus diz que aquele estilo de cabelo era comumente usado entre os egípcios, inclusive que eles eram negros. Já o geógrafo grego Estrabão (64-24 a.C) autor da volumosa obra Geografia, especificamente no livro 1, cap. 3, ele diz que os etíopes e os colquidianos, eram negros como os egípcios.



Os romanos durante sua República e Império conquistaram terras no norte da África, e ali se depararam com populações negras e pardas, diferente da ideia de que no Norte do continente africano, todos seus habitantes seriam na maioria brancos. Um exemplo interessante diz respeito aosNumidas, um povo de origem berbere, que era descrito como sendo mestiço. Os Numidas viviam naNumídia região hoje que compreende parte da Argélia. Nos relatos sobre sua aparência, nota-se que os escritores atestam que eles tinham a pele clara ou escura. Os romanos também viam os egípcios como um povo mestiço e não predominantemente branco. De acordo com a Bíblia Sagrada (Gênesis 10:6), Cam o caçula de Noé, teria tido quatro filhos inicialmente, chamados de Cuxe, Mizraim, Pute e Canaã. Tais filhos dariam origem as populações do Oriente Médio e da África. Curiosamente o nome Mizraim era usado pelos hebreus para se referir ao Egito, Cuxe, se referia a Kush, um antigo reino na Núbia; Pute corresponderia a uma região hoje no Marrocos, e Canaã é a Palestina. O historiador hebreu Flávio Josefo detalha melhor a história dos descendentes de Cuxe, Mizraim, Pute e Canaã dizendo como eles se espalharam da Mesopotâmia ao Marrocos, da Síria à Arábia, da Palestina à Etiópia (JOSEFO, 2004, p. 21-22).
Por sua vez, Cam significa "queimado" em hebraico, o que é interpretado por alguns estudiosos como sendo uma alusão a cor da pele escura. De fato, Heródoto (2006, p. 180-181) menciona que haveria regiões na África que o sol era tão intenso que os homens tinham a pele escura, pois ela era queimada. Inclusive os gregos antigos possuíam o termo para se referir a tal condição, algo que será visto adiante no texto.
Embora não podemos garantir veracidade ao relato bíblico, porém sabemos que o encontro entre tais povos ocorria, de fato, o Egito foi terra de passagem de vários povos ao longo de milênios, daí ser visto como uma nação miscigenada. Por outro lado, atribuir-se que todos os supostos descendentes de Cam seriam negros e pardos, é um problema, pois a área do Oriente Médio no qual seus descendentes teriam se estabelecido, não possuem apenas populações negras e pardas, mas possuem populações brancas e amarelas.
Para Jean Vercoutter (1980, p. 26-27), a população egípcia era miscigenada, no entanto, era puramente de origem africana, ou seja, o povo egípcio ele era naturalmente oriundo da África, embora não se saiba de onde eles vieram, provavelmente de terras do sul, migrando até a região do Nilo. Todavia, devido ao contanto com as terras vizinhas, elementos brancos, pardos, amarelos e negros se misturaram para formar o povo egípcio. O problema da opinião de Vercoutter é que ele não dava atenção a essa miscigenação, renegando a contribuição cultural de outros povos os quais habitaram e fundaram dinastias faraônicas como os hicsos e os núbios. Na Idade Média e no começo da Idade Moderna, a palavra egípcio estava associada em alguns países europeus com o sentido de se referir aos ciganos e a pessoas de pele escura. No romance gótico O Corcunda de Notre- Dame (1831), embora seja uma obra de ficção, ainda assim, como em outros livros de Victor Hugo, o autor fazia uso de referências históricas para conceder maior verossimilhança as suas narrativas.
Menciono em particular esse livro pelo fato de que a cigana Esmeralda é várias vezes chamada de "egípcia" (gipsy em inglês, gitan em francês). As palavras gipsy e gitan são contrações da palavra egyptian, ou em português, egípcio. Neste caso, no medievo e na modernidade, "egípcio" era sinônimo de cigano em alguns países. E ainda hoje o termos gipsy, gitan, gitano, etc., são usados para identificar os ciganos.
Na obra, Esmeralda é descrita como uma bela mulher de dezesseis anos, tendo longos cabelos negros, olhos castanhos e pele escura. Embora Esmeralda fosse uma francesa de nascença, mas devido a ser uma cigana e ter a pele mais escura, era considerada uma estrangeira, uma filha da Boêmia ou do Egito, locais que o imaginário europeu da época creditava serem a terra de origem dos ciganos. Além disso, muitos ciganos franceses naquele tempo era descritos como sendo pessoas mestiças, sendo brancos ou pardos. De fato, a relação de ciganos com o Egito é um mal entendido, pois não se sabe ao certo de onde vieram os ciganos, pois pelo fato deles terem se espalhados por três continentes, traçar suas origens é algo bastante difícil. No entanto, a referência a cor da pele não está errada.



Questão etimológica

Primeiramente é preciso dizer que o nome Egito, não é um nome de origem egípcia, mas sim de origem grega, advindo de Aígyptos, palavra essa que significava "templo dedicado ao deus Ptah", sendo que Aígyptos seria uma variação de Ha-k-Ptah. Por sua vez, os romanos latinizaram o termo grego para Aegiptos. Ptah foi um importante deus associado a cidade Mênfis, uma das capitais do país.
Nota-se que o nome Egito é de origem grega, no entanto nada tem de referência a cor daquela população, porém, quando passamos para outro termo também de origem grega, surge uma certa proximidade.
A palavra etíope vem do grego aithiops, que significava "aquele que tem o rosto queimado". Por sua vez os romanos latinizaram a palavra para aethiops. Assim quando colocamos lado a lado as palavras gregas aígyptos e aithiops, e, as palavras latinas aegiptos e aethiops, a grafia e a pronúncia são parecidas, talvez trata-se apenas de coincidência, no entanto, um fato é que a palavra etíope antes de ser utilizada para designar o habitante que nasce na Etiópia, era um termo genérico para se referir a qualquer africano negro. Sendo assim, em obras gregas e latinas, não era incomum encontrar o termo etíope para designar qualquer africano negro, independente de onde ele era oriundo.
Os árabes quando começaram a melhor explorar a África, eles passaram a designar as populações negras do Saara, através do termo as-sudan que significa "gente negra". O nome dos dois paísesSudão e Sudão do Sul vem do árabe bilad as-sudan "a terra dos negros". Antes dos árabes melhor conhecerem a África, eles ficaram restritos aos países que englobam o deserto do Saara e como a população ali era predominantemente negra, eles chamaram
aquelas terras de bilad as-sudan. Tal aspecto por si só desmente a ideia de que os africanos da região saariana fossem predominantemente brancos.



Estátua do faraó Mentuhotep II da XI Dinastia, tendo governado por volta de 2061-2010 a.C. A ideia de que todos os faraós eram brancos, isso é uma invenção midiática

Um dos nomes usados pelos antigos egípcios para se referir a sua nação,era Kemet, que significava "terra negra". Normalmente os historiadores
interpretam que o termo Kemet fosse uma referência as terras férteis situadas
ao longo das margens do Nilo. De fato, tal terra é de coloração mais escura,
devido a umidade e aos nutrientes ali presentes. Por outro lado, kemet era usado para se diferenciar as terras férteis das terras desérticas ou estéreis, chamadas de deshret "terra vermelha". Entretanto, existe um ponto peculiar no uso do termo kemet; os egípcios se autodenominavam em algumas épocas usando a expressão: remet-en-kemet que significava "o povo da terra negra" (SILLIOTTI,2006, P. 16).
Muitos historiadores preferem creditar que o uso de Kemet deve-se apenas a referência as terras férteis as margens do rio Nilo, mas alguns alegam que além dessa conotação, kemet também poderia ser uma alusão ao seu povo, algo como a "terra dos negros". Para respaldar isso vejamos a explicação do historiador e antropologista senegalês Cheikh Anta Diop.
“Os egípcios tinham apenas um termo para designar a si mesmos: kmt, = “os negros” (literalmente). Esse e o termo mais forte existente na língua faraônica para indicar a cor preta; assim, e escrito com um hieróglifo representando um pedaço de madeira com a ponta carbonizada, e não com escamas de crocodilo.
Essa palavra e a origem etimológica da conhecida raiz kamit, que proliferou na moderna literatura antropológica. Dela deriva, provavelmente, a raiz bíblica kam. Portanto foi necessário distorcer os fatos para fazer com que essa raiz atualmente signifique “branco” em egiptologia, enquanto, na língua-mãe faraônica de que nasceu, significava “preto-carvão”. Na língua egípcia, o coletivo se forma a partir de um adjetivo ou de um substantivo, colocado no feminino singular. Assim, kmt, do adjetivo = km = preto, significa rigorosamente “negros”,ou, pelo menos, “homens pretos”. O termo e um coletivo que descrevia, portanto, o conjunto do povo do Egito faraônico como um povo negro”. (DIOP, 2010, p. 21-22).



Baseado neste seu argumento, Diop defendia que o termo remet-en-kemet poderia significar "o povo da terra dos negros". Para ele, kmt era utilizado de duas formas: no sentido de cor, ou seja, aquelas pessoas se reconheciam como sendo negros, mas também kmt estaria ligado a uma ideia de identidade, ou seja, eles se reconheciam como habitantes de uma nação chamada Kemet. Para respaldar essa ideia de identidade, Diop (2010, p. 25) assinala que os egípcios chamavam os núbios de nahas. Lembrando que os núbios eram na sua maioria negros, mas os egípcios não usavam o termo kmt para se referir a eles.

Representações iconográficas

Existem um grande número de representações iconográficas, das quais algumas anteriormente apresentadas que apontam o fato dos egípcios serem pardos e negros, embora houvessem egípcios brancos. Todavia, vejamos mais algumas dessas representações, como a de baixo na qual retrata um homem pardo e uma mulher branca, ambos segurando vasos.
A ideia de que o Egito era uma nação branca por se localizar no norte da África não é totalmente verdadeira. De fato, a proximidade com o Mediterrâneo, que os conectava a Europa, e por sua vez com o Oriente Médio, que os ligava aos povos asiáticos brancos e amarelos, tornava o Egito um local de passagem e conversão de várias pessoas. Sendo assim ao longo da História, o Egito teve uma população mestiça. Hicsos, hititas, mitanes, hebreus, núbios, persas, gregos, romanos, fenícios, bizantinos, árabes, etc., viajaram ao Egito e ali se estabeleceram.



Quando vemos outras representações do faraó Akhenaton percebemos que ele era pardo e suas filhas também. No caso de Nefertiti pelo que se conhece de suas feições, ela seria branca ou parda, embora como dito, exista a dúvida quanto a suas origens, as quais poderiam ser asiáticas. Ainda assim, revela como o Egito era uma nação mestiça, ainda mais neste caso em particular, pois era comum os faraós casarem-se com suas irmãs para manter a linhagem-real, mas Nefertiti não era irmã de Akhenaton, e haja dúvidas se fosse alguma prima ou uma estrangeira completa. Todavia, além de Akhenaton e suas filhas serem pardas, seu famoso filho Tutancâmon também era pardo, diferente do que a mídia tenta passar de que se tratava de um homem branco. Alguns creditam que o busto abaixo seja uma representação do jovem faraó que morreu aos 19 anos.



 Tutancâmon assumiu o trono por volta de seus oito ou nove anos, casando-se com sua irmã Anakshunamum. Tanto ele quanto ela, eram pardos, e mesmo que tal busto não seja uma representação do faraó, existem outras representações dele e de sua esposa, que mostram a cor mais escura de suas peles.
Por fim, exponho a imagem de um dos faraós mais conhecidos, Ramsés II, terceiro faraó da XIX Dinastia. Ramsés II cognominado "o Grande" foi um guerreiro e conquistador, além de supostamente ser o "faraó do Êxodo". Nos anos 70 quando sua múmia foi levada para Paris, a fim de se estudada, alguns dos cientistas que trabalhavam na pesquisa, especialmente P. F. Ciccaldi ao analisar a pigmentação dos cabelos de Ramsés II, constatou que havia pigmentos de origem vermelha, ou seja, o faraó teria sido ruivo.
Ciccaldi publicou um artigo defendendo que o faraó Ramsés II, seu pai Seti I, e um de seus avós, todos seriam de linhagem ruiva, logo, seriam brancos. Todavia, mesmo os ruivos na Europa não são comuns, estando restritos ao Norte do continente. Além disso, hoje se sabe que existem povos negros que possuem naturalmente olhos azuis e cabelos louros, e em alguns casos, encontram-se negros e pardos que são ruivos naturais. O problema é como definir o fator que levou a tais pessoas nascerem ruivas. Teria sido alguma miscigenação de algum antepassado desconhecido? Ou uma mutação genética?
No caso de Ramsés, os cientistas concluíram que ele não seria ruivo como sugerido por Ciccaldi, provavelmente os testes que ele fez, foram contaminados com pigmentos encontrados na múmia, pois percebeu-se que os cabelos mesmo brancos, continham pigmentos de tinta. Os egípcios tinham o costume de pintar as perucas ou os próprios cabelos em alguns casos.
No caso de Ramsés, os cientistas concluíram que ele não seria ruivo como sugerido por Ciccaldi, provavelmente os testes que ele fez, foram contaminados com pigmentos encontrados na múmia, pois percebeu-se que os cabelos mesmo brancos, continham pigmentos de tinta. Os egípcios tinham o costume de pintar as perucas ou os próprios cabelos em alguns casos.
De qualquer forma, os cientistas hoje na maioria descartam uma ascendência ruiva para Ramsés II e seus antepassados, e apontam que ele fosse mestiço, talvez sendo branco ou pardo, mas não negro como sugeriu Cheikh Anta Diop. Todavia, em 90% das representações midiáticas de Ramsés II, ele é retratado como sendo branco, mas quando vemos algumas representações da sua época, elas nos revelam outro ponto de vista.


Referências Bibliográficas:
DIOP, Cheikh Anta. A origem dos antigos egípcios. In: MOKHTAR, Gamal
(ed.). História Geral da África II: África Antiga. 2a ed. Brasília, UNESCO, 2010.
8v.
JOSEFO, Flávio. História dos Hebreus: de Abraão à queda de Jerusalém.
Tradução de Vicente Pedroso. 8a ed. Rio de Janeiro, CBAD, 2004.
HERÓDOTO. Histórias. Tradução de J. Brito Broca. Rio de Janeiro, W. M.
Jackson Inc., 1950 (2006).
HUGO, Victor. O Corcunda de Notre-Dame. Tradução Jorge Bastos. Rio de
Janeiro, Zahar, 2015.
SILLIOTI, Alberto. Egito. Barcelona, Ediciones Folio, S. A., 2006.
VERCOUTTER, Jean. O Egito Antigo. Tradução de Francisco G. Heidemann.
2a ed. São Paulo, Difel, 1980


Deuses e Reis




Exodus é uma adaptação da história bíblica do Êxodo, segundo livro do Antigo Testamento. O filme narra a vida do profeta Moisés (Christian Bale), nascido entre os hebreus na época em que o faraó ordenava que todos os homens hebreus fossem afogados. Moisés é resgatado pela irmã do faraó e criado na família real. Quando se torna adulto, Moisés recebe ordens de Deus para ir ao Egito, na intenção de liberar os hebreus da opressão. No caminho, ele deve enfrentar a travessia do deserto e passar pelo Mar Vermelho.





04/09/2014

Resistência: Marcus Garvey, o idealista do movimento de “volta para a África”



Marcus Mosiah Garvey (Saint Ann’s Bay, Jamaica, 17 de agosto de 1887 – Londres, 10 de junho de 1940) foi um comunicador, empresário e ativista jamaicano. É considerado um dos maiores ativistas da história do movimento nacionalista negro. Garvey liderou o movimento mais amplo de descendentes africanos e é lembrado como o principal idealista do movimento de “volta para a África”, inclusive, seu nome é citado em músicas de vários artistas como Burning Spear e Bob Marley.







Ele criou um movimento de profunda inspiração para que os negros tivessem a “redenção” da África e pra que as potências coloniais européias desocupassem o continente. Garvey fundou em 1914, a Associação Universal para o Progresso Negro ou AUPN (Universal Negro Improvement Association, mais conhecida como UNIA). O lema da instituição era era “One God! One Aim! One Destiny!”, em portguês, Um Deus! Uma aspiração! Um destino!
Os objetivos da UNIA eram:
- a promoção da consciência e unidade na raça negra, da dignidade e do amor
- o desenvolvimento da África, livrando-a do domínio colonial e transformando-a numa potência
- protestar contra o preconceito e a perda aos valores africanos
- estabelecer insituições de ensino para negros, onde se ensinasse a cultura aficana, também
- promover o desenvolvimento comercial e industrial pelo mundo
- auxiliar os despossuídos em todo o mundo
Garvey viajou o mundo e viu da perto a miséria que os negros sofriam, ele dedicou toda sua vida a favor da causa negra. Exerceu uma importante influência nos movimentos, que, mais tarde, libertaram a África do domínio colonial europeu. Apesar de ter sido criado como metodista, Marcus Garvey se declarava católico, seu pensamento religioso era fundamentado numa interpretação da Bíblia, especialmente do Velho Testamento.
Marcus e seus seguidores identificavam-se com a história das tribos perdidas de Israel, vendidas aos senhores de escravos da Babilônia. Essa metáfora inicial gerou uma série de imagens simbólicas que se tornaram constantes na tradição oral dos rastas: “Babilônia”, “Zion”, etc. Numa das profecias atribuídas a Marcus Garvey, previa-se que um Rei Negro seria coroado na África e que esse rei seria o líder que conduziria os negros do mundo inteiro à redenção.
Quando em 1930, Rastafari Makonnen foi proclamado rei da Etiópia, adotando o título de “Rei dos Reis, Senhor dos Senhores, Sua Majestade Imperial, Leão Conquistador da Tribo de Judá, Eleito de Deus”, os líderes religiosos e seguidores de Garvey na Jamaica reconheceram nele o Rei Negro de que o profeta havia falado.

"Redemption Song" é uma canção da banda jamaicana Bob Marley & The Wailers, última faixa do nono álbum, Uprising. Quando Marley escreveu a canção, por volta de 1979, já lhe tinha sido diagnosticado o cancro que mais tarde o mataria; de acordo com sua esposa Rita Marley, "ele já estava secretamente em grande dor e a lidar com a sua mortalidade, uma característica que é evidente no ábum, especialmente nesta canção". A canção é considerada o canto do cisne de Marley, com letras derivadas do discurso do orador pan-africano Marcus Garvey.Ao contrário da maioria das canções de Marley, a canção é somente um solo acústico com o próprio Marley a cantar e a tocar uma guitarra acústica.


Redemption Song

Old pirates, yes, they rob I
Sold I to the merchant ships
Minutes after they took I
From the bottomless pit
But my hand was made strong
By the hand of the Almighty
We forward in this generation
Triumphantly

Won't you help to sing
These songs of freedom?
'Cause all I ever have:
Redemption songs
Redemption songs

Emancipate yourselves from mental slavery
None but ourselves can free our minds
Have no fear for atomic energy
'Cause none of them can stop the time
How long shall they kill our prophets
While we stand aside and look?
Some say it's just a part of it
We've got to fulfill the Book

Won't you help to sing
These songs of freedom?
'Cause all I ever have
Redemption songs
Redemption songs
Redemption songs

Canção de Redenção

Velhos piratas, sim, eles me roubaram
Me venderam para navios mercantes
Minutos depois de eles terem me tirado
Do poço sem fundo
Mas, minha mão foi fortalecida
Pela mão do Todo-Poderoso
Nós avançamos nessa geração
Triunfantemente

Ajude-me a cantar
Estas canções de liberdade
Pois, tudo que eu sempre tenho:
Canções de redenção
Canções de redenção

Libertem-se da escravidão mental
Ninguém além de nós mesmos pode libertar nossas mentes
Não tenha medo da energia atômica
Porque nenhum deles pode parar o tempo
Até quando vão matar nossos profetas
Enquanto nós permanecemos de lado, olhando?
Alguns dizem que isso faz parte
Nós temos que cumprir o Livro

Ajude-me a cantar
Estas canções de liberdade
Pois, tudo que eu sempre tenho:
Canções de redenção
Canções de redenção
Canções de redenção



Link para a música: redemption song 

Link para a música trabalhada em sala de aula (8ªsérie - turma F): "Soul Rebels":   soul rebels


fontes: http://www.consuladodajamaica.com.br/cultura_marcus.html
           http://pt.wikipedia.org/wiki/Redemption_Song

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...