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02/10/2015

Revolução Industrial & Literatura - O cortiço





A Revolução Industrial, iniciada no século XVIII, entra numa nova fase em meados do século XIX ( a chamada Segunda Revolução Industrial), caracterizada pela utilização do aço, do petróleo e da eletricidade; ao mesmo tempo, o avanço científico leva a novas descobertas no campo da Física e da Química.
Esse momento histórico contamina a leitura de mundo realizada pelos artistas e resulta em novas linguagens, novas formas de expressão.


  •                 O positivismo de Augusto Comte, preocupado com o real-sensível, com o fato, defendendo o cientificismo no pensamento filosófico e a conciliação entre "ordem e progresso"
  •                 O socialismo científico de Karl Marx Friedrich Engels, a partir da publicação do Manifesto comunista em 1848, que define o materialismo histórico e a luta de classes.
  •                 O evolucionismo de Charles Darwin, a partir da publicação, em 1859, de A origem das espécies, livro em que são expostos os estudos sobre a evolução pelo processo de seleção natural, negando, portanto, a origem divina defendida pelo Cristianismo.           


A obra





Ao ser lançado, em 1890, "O Cortiço" teve boa recepção da crítica, chegando a obscurecer escritores do nível de Machado de Assis. Isso se deve ao fato de Aluísio de Azevedo estar mais em sintonia com a doutrina naturalista, que gozava de grande prestígio na Europa. O livro é composto de 23 capítulos, que relatam a vida em uma habitação coletiva de pessoas pobres (cortiço) na cidade do Rio de Janeiro.
O romance tornou-se peça-chave para o melhor entendimento do Brasil do século XIX. Evidentemente, como obra literária, ele não pode ser entendido como um documento histórico da época. Mas não há como ignorar que a ideologia e as relações sociais representadas de modo fictício em "O Cortiço" estavam muito presentes no país.
Essa obra de Aluísio de Azevedo tem como influência maior o romance "L’Assommoir" do escritor francês Émile Zola, que prescreve um rigor científico na representação da realidade. A intenção do método naturalista era fazer uma crítica contundente e coerente de uma realidade corrompida. Zola e, neste caso, Aluísio combatem, como princípio teórico, a degradação causada pela mistura de raças. Por isso, os romances naturalistas são constituídos de espaços nos quais convivem desvalidos de várias etnias. Esses espaços se tornam personagens do romance.
É o caso do cortiço, que se projeta na obra mais do que os próprios personagens que ali vivem. Em um trecho do romance o narrador compara o cortiço a uma estrutura biológica (floresta), um organismo vivo que cresce e se desenvolve, aumentando as forças daninhas e determinando o caráter moral de quem habita seu interior.
Mais do que empregar os preceitos do naturalismo, a obra mostra práticas recorrentes no Brasil do século XIX. Na situação de capitalismo incipiente, o explorador vivia muito próximo ao explorado, daí a estalagem de João Romão estar junto aos pobres moradores do cortiço. Ao lado, o burguês Miranda, de projeção social mais elevada que João Romão, vive em seu palacete com ares aristocráticos e teme o crescimento do cortiço. Por isso pode-se dizer que "O Cortiço" não é somente um romance naturalista, mas uma alegoria do Brasil.

Contexto

Em “O Cortiço” temos uma gama de personagens trabalhadores, de diferentes profissões – lavadora, ferreiro, operário – reflexo das transformações que o País enfrentava: determinação do fim do tráfico negreiro (1850) e da escravatura (1888), decadência da economia açucareira, industrialização e crescimento das cidades. Azevedo tenta fotografar o real e traz todos esses elementos e conflitos para o romance.

Cenário




A história se dá em dois ambientes principais bem diferentes, o cortiço do João Romão e o sobrado do Barão Miranda, figura que representa a elite brasileira. Temos a presença de várias camadas socioeconômicas, desde a classe dos mais humildes, passando pela pequena classe média, burguesia e elite. O autor faz uma síntese da sociedade naquela época.
O romance pretende denunciar a exploração do homem pelo próprio homem, expondo situações e relações de poder dentro de uma habitação coletiva. A leitura atenta leva a compreensão da proposta do Realismo-Naturalismo, que era pautado pela razão e pretendia fazer uma investigação, quase científica, dos mecanismos sociais.



Para saber mais:

07/08/2015

Romantismo & Burguesia

(Frederic Leighton O pescador e a sereia,1856-1858)


Romantismo é a escola artístico-literária cujos valores e estética substituiram o universo clássico. Nas origens do movimento romântico, encontram-se contos medievais, lendas e folclore de povos outrora considerados bárbaros pela cultura romana. Encontram-se também posturas ante a vida em divergência com os valores clássicos. A escola romântica é o sentimento e a possibilidade de externá-lo. É ainda a vida centrada no eu e na liberdade de expressão, daí resulta sua ligação forte com os movimentos de transformação em curso na sociedade (em especial a Revolução Francesa, Industrial).
A ideologia burguesa estava em oposição ao absolutismo (para defender seus interesses como classe social). Movimentos como o liberalismo, tinham como meta a valorização individual do homem, a partir do momento em que defende os direitos ou liberdades de pensamento e expressão.
Com a revolução industrial, a burguesia tornou-se a classe economicamente dominante. Apesar de o proletariado ter lutado ao seu lado, na Revolução Francesa, contra o regime absolutista e ter desempenhado papel fundamental na transformação da sociedade, é a burguesia que se apodera de todos os privilégios.
Com a Revolução Francesa, ocorre a queda do Antigo Regime, altera-se a estrutura da sociedade.
Com a Revolução Industrial, alteram-se as relações comerciais e de trabalho.
As duas revoluções provocaram no homem da época uma nova postura frente à realidade: a percepção de que os valores não são absolutos e de que os fatos da historia são relativos, porque viveram a experiência de fazer desmoronar a velha cultura e construir uma nova.
Essa transformação é evidenciada na literatura. O escritor romântico rompe com as formas tradicionais e rígidas do período clássico e conquista a liberdade de expressão, volta-se para seu mundo interior e faz uma leitura da realidade. Assume uma postura nacionalista, mergulhando em seu passado. . Mas vale lembrar que, em muitos casos, essa contestação ao Iluminismo burguês não era total, ela se estendia apenas às ideias mecanicistas e às simplificações otimistas. Em um segundo momento o movimento romântico é contrário as transformações que engessam as varias facetas da personalidade humana:

Numa sociedade em que todas as relações sociais são mediatizadas pela mercadoria, também a obra de arte, idéias, valores se transformam em mercadoria; relacionando entre si artistas, pensadores, moralistas através do valor de troca do produto. Este deixa de ter o caráter único, singular, deixa de ser a expressão da genialidade, do sofrimento, da angústia de um produtor
(artista, poeta, escritor) para ser um bem de consumo coletivo, destinado, desde o início, à venda, sendo avaliado segundo sua lucratividade ou aceitação de mercado e não pelo seu valor estético, filosófico, literário intrínseco.


 (William Holman Hunt O pastor galante, 1851)


O individualismo exagerado do romântico é uma compensação do materialismo da realidade circundante e uma defesa contra a hostilidade burguesa pelas coisas do espírito. 
O resultado desse individualismo no movimento romântico será uma arte de conteúdo egótico, de constante evocação do “eu”:

Era uma noite – eu dormia
E nos meus sonhos revia
As ilusões que sonhei !
E no meu lado senti
...
Meu Deus! por que não morri?
Por que do sono acordei?
No meu leito – adormecida,
Palpitante e abatida,
A amante de meu amor!
Os cabelos recendendo
Nas minhas faces correndo
Como o luar numa flor!
(Alvares de Azevedo – Lira dos vinte anos)

Como podemos notar no fragmento acima, na linguagem romântica há o predomínio da primeira pessoa, expressando um intimismo exacerbado, que em alguns momentos revela uma obsessão narcísica. A insatisfação do romântico com a realidade gerou outra forma de contestação que ficou conhecida como escapismo, que é o desejo de evasão, de fuga da realidade. No Romantismo, o escapismo se manifestou de maneiras diversas dentre elas temos: o espacial, o temporal e o suicídio.   Em relação ao espaço, o caminho mais comum se dava em direção à natureza. Vista como um refúgio para as almas desiludidas e sua confidente.
O escritor romântico idealiza a sociedade, o homem, o amor. Quando entra em contato com seus sentimentos mais íntimos, emerge o lirismo. A natureza, o amor, a mulher, a religião são exaltados em toda a sua plenitude.
Os versos livres foram adotados e a mitologia grega é substituída pelo medievalismo.
A linguagem torna-se mais simples, mais comunicativa. Elementos como cor e imagens, figuras com hipérbole, exclamação, comparação, metáfora e prosopopeia emergem como forma de representação dos estados de alma do escritor.
O escapismo espacial representa uma espécie de reprovação aos resultados da Revolução Francesa, contrastando com o anterior otimismo burguês frente às promessas da Revolução. As classes que ficaram à margem do poder tomam consciência do que lhes foi negado e já não acreditavam no lema que conduziu a Revolução, restando, assim, a fuga.



RESUMO:

Contexto histórico



Ascensão da burguesia

I - Revolução Francesa

II - Independência dos Estados Unidos

III - Revolução industrial



Projeto literário do romantismo

- Valorização do indivíduo

- Divulgação de valores burgueses: trabalho, sacrifício e esforço

- Exaltação do amor à pátria e dos símbolos nacionais



Características do romantismo

-Egotismo

-Misticismo (lembrando a época Medieval)

-Valorização da natureza

-liberdade de criação

-Nacionalismo, e historicismo  (motivado pelas revoluções)

-Escapismo (Sonho, loucura, espaço, tempo, morte – motivado pelo desencanto do povo com as revoluções que só favoreceram aos burgueses)

-idealização do amor do herói e da mulher

-maniqueísmo (bem x mal)



Romantismo  no Brasil

-Marco 1836 com “Suspiros poéticos e saudades” (Gonçalves de Magalhães)

-Independência em 1822



1ª Geração: Indianista e Amorosa

Principais autores: Gonçalves de Magalhães e Gonçalves Dias



2ª Geração: Ultra-Romântico  e Byroniana (mal do século )

Principais autores: Alvares de Azevedo, Casemiro de Abreu, Fagundes Varella



3ª Geração: Temáticas Sociais (condorismo e poesia lírica erótica )

Principal Autor – Castro Alves



Consegue ver influências do Romantismo por aí? Ouça a música a seguir e reflita a respeito.
(Mumford and Sons - White blank page)



 Link para a letra e tradução: White Blank Page

07/11/2013

2ºAno - Ensino Médio: Material de trabalho - 4º.Bimestre.[1] Revolução Industrial




Esta postagem se refere ao nosso exercício de reflexão sobre o processo de Revolução Industrial e Movimentos de Resistência, baseada em uma peça cinematográfica.
Vocês alunos devem analisar e responder as seguintes questões:

1 - Quem é o diretor do filme?

2 - Quais as principais personagens?

3 - Onde acontece?

4 - Em que ano acontece?

5 - Qual é contexto do filme, que momento da História está sendo retratado ?

6 - Faça um breve resumo do que acontece no filme.

7 - O que mais te chamou atenção nesse filme ?

8 - Em sua opinião o filme trouxe informações relevantes para o seu estudo de História? Justifique a sua resposta.

9 - O filme retrata alguma situação ainda presente no Brasil? Explique a sua resposta.

10 - Qual a sua opinião critica a respeito do filme ?


Dados para auxílio:


Germinal originalmente é um romance do escritor Émile Zola, o décimo terceiro da série Les Rougon-Macquart e possivelmente um dos mais famosos.
A cena tem lugar no norte da França durante uma greve provocada pela redução dos sálarios. Além dos aspectos técnicos das extrações minerais e as condições de vida nos agrupamentos dos mineiros, Zola também descreve o princípio da organização política e sindical da classe operária, tais como as divisões já existentes entre marxistas e anarquistas.
Para compor Germinal, o autor passou dois meses trabalhando como mineiro na extração de carvão. Viveu com os mineiros, comeu e bebeu nas mesmas tavernas para se familiarizar com o meio. Sentiu na carne o trabalho sacrificado, a dificuldade em empurrar um vagonete cheio de carvão, o problema do calor e a umidade dentro da mina, o trabalho insano que era necessário para escavar o carvão, a promiscuidade das moradias, o baixo salário e a fome. Além do mais, acompanhou de perto a greve dos mineiros.
Já o filme,  caracteriza perfeitamente o processo de produção do trabalho do modelo capitalista, a expansão do chamado capital, mostrando assim de uma forma bem clara os opostos entre as necessidades humanas e as materiais. O filme se passa na França do século XIX e transmite muito bem aquele determinado momento histórico e seu contexto social, econômico e político e é claro cultural e para obtermos uma análise satisfatória se torna necessário o conhecimento dos antecedentes da revolução industrial presentes nele.

link para download: Germinal 


Vídeo:

parte 1


parte 2



parte 3




parte 4 (final)

14/03/2013

Revolução Industrial



Olá ! Seja bem vindo(a) novamente ao nosso espaço extra sala para discussão e reflexão. No nosso último encontro falamos a respeito de Revolução Industrial na Inglaterra. Essencialmente falamos de diversos assuntos em torno deste tema. Que tal saber mais um pouco e preparar-se mais ? Aceita ? Pois bem. Na nossa próxima aula iremos assistir a um video que nos ajudará a compreender certos aspectos do tema, mas como este é um espaço mais ágil de nossa atividade, o video já se encontrará aqui (não fique aflito quanto ao acesso a ele, pois será exibido em sala de aula também ok).



Eolípila é o nome desta segunda figura em nosso blog(falaremos novamente a respeito dela, aguarde). Aqui podemos ver o exemplo, da força que poderia ser extraida a partir do vapor d'água. Para saber mais vamos ao video. Confira:









Segue agora algumas imagens para lhe ajudar no entendimento e preparação para a atividade que faremos em sala:



Esta é a "Spinning Jenny" acima.Invenção de James Hargreaves




A máquina movida pela força da corrente continua de água, desenvolvida por Cartwright. Como você pode perceber as possibilidades de utilização são limitadas pois só seria possivel instalar este sistema próximo a locais com água corrente. O Vapor foi a solução para esse problema e dinamizou a produção


Com toda a certeza ficou para você aluno(a) uma pergunta: "Mas afinal de onde surgiu a ideia de usar o vapor para mover o maquinário ?"
Lembra da Eolípila ? A segunda imagem de nossa postagem. Foi a partir dela que a ideia de utilizar o vapor como fonte de energia foi aplicada. A ideia original não é inglesa mas grega. De Heron de Alexandria.
Heron de Alexandria - (também escrito como Hero e Herão, 10 d.C. - 70 d.C.) foi um sábio matemático e mecânico grego, do começo da era cristã (século I). É especialmente conhecido pela fórmula que leva seu nome e se aplica ao cálculo da área do triângulo. E também por ajudar a descobrir mais rápido raízes inexatas(álgebra). Seu trabalho mais importante no campo da geometria e metrica, permaneceu desaparecido até 1896. Ficou conhecido por inventar um mecanismo para provar a pressão do ar sobre os corpos, que ficou para a História como o primeiro motor a vapor documentado, a nossa agora já conhecida eolípila.
Que tal ver um experimento de como ela funciona ? Vamos então clique na imagem em flash abaixo e observe. Passe o mouse sobre as áreas em destaque para mais informações a respeito.




A ideia foi como você pode perceber aprimorada. Vamos ver mais uma animação. Agora considerando como funciona uma grande máquina a vapor: o trem. Uma máquina que funciona com o motor a vapor de pistão.Clique e inicie a animação:

Animação:Trem a vapor (clique com o botão direito do mouse e escolha "abrir nova aba ou abrir nova janela")


Você pode ver que a válvula corrediça é responsável por permitir que o vapor em alta pressão entre em qualquer lado do cilindro. A haste de comando da válvula é geralmente conectada a uma ligação com a cruzeta, de modo que seu movimento faça a válvula funcionar deslizando. Na locomotiva a vapor, este arranjo também permite ao maquinista fazer o trem dar ré.Você pode ver neste diagrama que o vapor, depois de usado, é simplesmente expelido, saindo para a atmosfera. Esse fato explica duas coisas sobre locomotivas a vapor: por que se deve carregar água na estação - a água é constantemente perdida com a descarga de vapor. O som "tchu-tchu" que vem da locomotiva - quando a válvula abre o cilindro para liberar a descarga de vapor, este escapa em pressão muito alta, fazendo o som "tchu" quando sai. Quando o trem dá partida, o pistão se move muito lentamente, mas quando o trem começa a andar o pistão ganha velocidade. O efeito disto é o "tchu... tchu... tchu... tchu-tchu-tchu-tchu" que ouvimos quando o trem começa a se mover. Numa locomotiva a vapor, a cruzeta normalmente se liga a uma haste motriz, e daí às hastes de acoplamento que acionam as rodas da locomotiva. No diagrama apresentado, a cruzeta é conectada à haste motriz que, por sua vez, se conecta a uma das três rodas motrizes. As três rodas são conectadas por hastes de acoplamento de modo que girem em uníssono, juntas.
O vapor de alta pressão para um motor a vapor vem de uma caldeira. O trabalho da caldeira é aquecer a água para gerar vapor. Há dois métodos: tubo de fogo e tubo de água. A caldeira com tubos de fogo era mais comum nos anos 1800. Ela consiste em um tanque de água atravessado por canos. Os gases quentes do fogo de carvão ou madeira atravessam os canos para esquentar a água no tanque, como mostrado aqui:





Numa caldeira com tubos de fogo, o tanque todo está sob pressão, então se o tanque estourar, gera uma grande explosão. Mais comuns hoje são as caldeiras tubulares de água, nas quais a água corre através de um conjunto de tubos que ficam na passagem dos gases quentes do fogo. O diagrama simplificado a seguir mostra um esboço de uma caldeira de tubos de água:




Numa caldeira real, tudo é muito mais complicado porque o objetivo dela é extrair todo o calor possível do combustível queimado para melhorar a eficiência. 
O vapor foi utilizado nas mais variadas funções a partir do desenvolvimento técnico da primeira revolução industrial. Até o limite da própria tecnologia.  Veja abaixo a imagem de um primeiro automóvel movido a vapor:



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