21/10/2014

Xintoísmo: a religião étnica


Recentemente, antes do recesso escolar, recebi umas dicas de uma aluna a respeito de títulos interessantes de animes. Entre os quais o anime "Noragami", que trata das aventuras de uma divindade japonesa (kami) que busca reconhecimento e figurar com destaque no panteão dos deuses nipônicos. O anime é realmente bem interessante e irá figurar entre as nossas dicas na seção de "Animes & outras culturas". Como a principal razão e força motivadora deste blog é a divulgação cada vez maior de cultura, preparei também um grande apanhado de informações a respeito do Xintoísmo.


(portal que indica presença divina)


O xintoísmo é uma religião étnica, ou seja, é a religião de um único povo, no caso, o japonês, que se formou no interior deste e com ele cresceu, a ponto de povo e religião formarem uma só coisa com a cultura, a história e a mentalidade. Por essa qualidade, o xintoísmo não é uma religião proselitista, ou seja, não envia missionários para difundi-la entre outros povos; a única tentativa foi feita na Coréia durante o período de ocupação colonial no séc. VI.
O xintoísmo não conhece divindades ou um deus, mas reconhece a existência dos kamis ou seres divinos, que podem se hospedar em tudo o que existe como árvores, rios, montes, e naturalmente nos homens e mulheres. Assim fazem parte das divindades xintoístas, foram pessoas importantes na vida do país, como os soldados mortos nas guerras, os heróis nacionais, os antepassados e, sobretudo, os imperadores.
    O xintoísmo não tem fundadores, mas foi se formando com a espontaneidade do povo (costume) e reelaborado, mais tarde, pela vontade da classe imperial.  O xintoísmo não tem dogmas, teologia, escritura sagrada (os livros da história do Japão são  considerados sagrados). No Japão, todas as religiões são chamadas de ensinamento ou kyo, assim Cristo-kyo, islã-kyo; somente o xintoísmo é definido caminho (to), por isso é xin-to, que quer dizer o caminho dos homens e dos seres divinos (kami). O estudioso C.D. Holtom define o xintoísmo como " a síntese peculiar de ritos e crenças praticadas pelos japoneses celebrando, dramatizando, interpretando e cultivando os principais valores da sua vida nacional"( HOLTOM, 1965).
No xintoísmo não existem mandamentos que dizem o que os homens devem ou não fazer. Nele, vale a autoconsciência, ou seja, o homem sabe, pela sua própria natureza, o que deve fazer.A vida, os instintos e tudo o que serve para conservá-la e torná-la mais bela são avaliados de maneira positiva. A morte e tudo o que a ela conduz - como doença, falta de sorte e infelicidade - são avaliados negativamente e devem ser evitados.Não existindo pecado, não deveria existir o sentimento de culpa ou de perdão, mas o xintoísmo recorre às purificações por um sentimento de deferência a quem é mais justo e forte como os kamis. Uma virtude particularmente cultivada no xintoísmo é o senso de honra, considerado até mesmo como um valor com fim em si mesmo. Depois vem a fidelidade, especialmente ao imperador e, em seguida, ao grupo a que se pertence, a obediência aos superiores, o sucesso nos estudos e na vida, o autocontrole e o não prejuízo ao próprio grupo e à sociedade.
 




A história do xintoísmo deve ser dividida em duas partes: antes e depois da chegada do budismo no século VI .
O Japão, ao longo de sua história, foi invadido por vários povos que vieram pelo mar, do sul e do oeste, com suas culturas e que introduziram o cultivo do arroz e um tipo peculiar de construção de casas.
Nas ilhas, os invasores encontraram uma população pacífica e foi fácil empurrar esses aborígenes para as montanhas do norte. Encontraram também uma natureza belíssima, um clima moderado, uma vegetação rica e colorida. Fundindo as próprias crenças e ritos com todos esses elementos, formaram uma religião alegre, cheia de gentilezas e amor pela natureza. Era o xinto primitivo.
No século VI, o budismo foi introduzido no Japão, especialmente na corte imperial, mas somente depois de dois séculos, conseguiu difundir-se entre o povo e transformar-se até num sincretismo xinto-budista, no qual os kamis passaram a ser considerados como reencarnações de Buda.
O xintoísmo sofreu durante os séculos a influência do budismo ( ritos e formas arquitetônicas dos templos, o conceito de oração, a teoria da reencarnação), do confucionismo ( o culto dos antepassados e o senso de pertença e de dever do indivíduo para com a sociedade) e do taoísmo ( crenças animistas e práticas mágicas). 



No século passado, houve uma reação por parte do imperado Meiji que reformou o xinto, trazendo-o de volta à pureza primitiva. Nessa reforma, a preocupação não foi somente religiosa mas também política, visto que se desejava fortalecer o poder do imperador. Criou-se, assim, um xintoísmo de Estado com seus santuários (jinja), estritamente separado do xintoísmo popular e de seus lugares de cultos (miya).

A partir dessa reforma, o imperador foi deificado e definido como quem "integra, coordena, harmoniza, sintetiza, recupera a unidade e tradição do povo japonês". Em outras palavras, ele exercia uma função divina que realizava em dois serviços: um para as divindades e outro para o povo. Religião e política fundiam-se numa coisa só.




Gravura de Toyahara Chikanobu (1838 - 1912), feita em 1878, mostrando o Imperador Meiji (sentado no centro) e sua esposa a Imperatriz Shoken (sentada a seu lado). são acompanhados na parte superior (da esquerda para a direita) pelos kami Izanami, Kunitokotatchi e Izanagi, e à sua direita pelos kami Amaterasu (na parte superior, carregando os Tesouros Sagrados), Ninigi (neto de Amaterasu, à direita desta) e o Imperador Jimmu (1º Imperador do Japão, portando o arco coroado com a águia), juntamente com a Imperatriz Go-Sakuramachi (117º Imperador, à esquerda do Imperador Jinmu e desenhada como homem na gravura) e o Imperador Komei (121º Imperador, à esquerda da Imperatriz Go-Sakuramachi). À sua esquerda acompanham-no os kami Hiko-hohodemi (filho de Ninigi e avô do Imperador Jimmu, vestido de branco) e Ugayafukiaezu (neto de Ninigi e pai do Imperador Jinmu, vestido de amarelo), assim como o Imperador Go-Momozono (118º Imperador, vestido de vermelho), o Imperador Kokaku (119º Imperador, vestido de negro) e o Imperador Ninko (120º Imperador, vestido de verde). Durante a instituição do xintoísmo estatal promoveu-se e elevou-se a divindade do Imperador, como essência da unidade da nação, criando uma árvore genealógica que remonta até ao primeiro imperador e daí às divindades mais importantes da mitologia japonesa.


 
Para o xintoísmo, tudo o que existe provém da ação recíproca de dois princípios: yo, o princípio ativo e in, o passivo. Assim, nasceram as primeiras sete gerações das divindades celestiais que ficaram inativas; o último casal dessas divindades, Izanagi (céu) e Izanama (terra), após ter mexido com sua lança na terra pantanosa, deixaram cair algumas gotas de lama que, ao se solidificar, criaram as duas ilhas Futaminoura que escolheram para própria habitação.



Izanami (à esquerda, sustentando a lua no alto) e Izanagi (à direita, segurando o sol), dois deuses xintoístas da criação.


Deles, nasceram várias divindades entre as quais Amaterasu O Mi, a deusa do sol, que deu origem a Jimmu Tenno, o antepassado que deu origem à raça Yamato e fundou o império nipônico em 600 a.C.
Além disso, o xinto admite uma miríade de kamis, ou espíritos, que moram em tudo o que existe, cada qual com seus mitos.
Os kamis podem se manifestar sob formas antropomórficas, ou seja, com corpo e paixões humanas.



(príncipe Susano e o dragão Orochi)


O xintoísmo não se preocupa com as questões que estão na base das outras religiões como os porquês da vida, o que é o homem, donde ele vem, para onde ele vai, etc. Mas, embora não se coloque esses questionamentos, o japonês tem três princípios que guiam sua vida no xinto:

    O musubi é força misteriosa que está na origem de toda a criação e estabelece a relação entre homem e os kamis, entre o ser e o não ser. Indica a solidariedade e a harmonia que deve unir entre si os membros de um grupo ou uma família.

    O makoto é atitude fundamental da pessoa quando, cheia de humildade e agradecimento, se encontra com os kamis e gera virtudes como o amor, a piedade, a lealdade e a fidelidade.

  O tsunagari é princípio da continuidade e da relatividade. Como todos dependem dos pais para nascer e, por sua vez, geram outros descendentes, assim estão interligados e devem viver não apenas para si, mas doar as próprias energias, a cada momento, para encontrar a felicidade de viver. Isso significa que todos devem participar do processo histórico do país para conseguir a paz, o bem-estar, o progresso e a tolerância universal.



 (divindade xintoísta dos raios - Raijin)


Para o xintoísta, tudo é divino até o homem e, portanto, a experiência religiosa é tomar consciência da própria natureza divina, contemplar essa essência em nós e nos outros.

 (divindade xintoísta dos ventos - Fuujin)


O xintoísmo deu ao japonês um senso de familiaridade com o divino e de adoração de tudo aquilo que é superior ao homem: ele encontra o absoluto na atmosfera de uma paisagem, nas montanhas que são sagradas, nas ilhas, nas cachoeiras e nos rios. Essa alma profundamente religiosa conserva-se mesmo nestes tempos de sofisticadas tecnologias, sendo que as peregrinações aos numerosos santuários japoneses, construídos, geralmente, em lugares bonitos favorecem a contemplação.
Existe também uma espécie de sacerdote, o kannushi, com atribuições específicas nos templos ou santuários onde exercem suas funções, ainda que todos os homens possam presidir o culto.
No passado, o número de templos era muito elevado; hoje, haveria mais de 100 mil. Os santuários, meta de peregrinações e local de celebração das festas anuais, são diferentes nas formas e na grandeza, mas possuem elementos comuns como o torii, as piscinas para a purificação, as salas para os sacerdotes e os peregrinos e as lanternas de pedra.


Os torii, construídos em madeira, pedra ou bronze, formam o portal colocado no ingresso do templo. Parece que, originalmente, eram destinados a acolher em sua viga superior os galos, animais sagrados para a deusa Amaterasu.
As cerimônias nos templos são de vários tipos e dedicadas a todos os aspectos e acontecimentos da vida humana, como a purificação, o nascimento, o casamento, a saúde, as colheitas e as celebrações das estações durante o ano.


Mitologia


Deus (Kami Sama) criou IZANAGI (pronuncia-se Izanagui) e IZANAMI. Izanagi significa o homem convidado e Izanami a mulher convidada. O equivalente cristão seria: Deus criou Adão e Eva.


Deus Xinto enviou os filhos Izanagi e Izanami à terra como seu representante. Diz a mitologia que Deus Xinto colocou-os numa ponte para que eles caminhassem em direção à “terra” que hoje é chamado Japão.
Quando eles chegaram à “terra”, o Japão ainda era apenas uma ilha coagulada que se chamava ONO-KORO.

Os Deuses Izanagi e Izanami se casam para formar seus descendentes. Nessa época, inicia-se Kunibiki, a junção de várias outras pequenas ilhas até chegar as quatro atuais: Hokkaidou, Honshuu, Shikoku e Kyuushuu. O Japão é batizado de YAMATO, "A Grande Paz".

Eles tiveram 3 filhos:

A primeira filha, AMATERASU OOMI KAMI que significa a deusa xinto do sol.

O segundo filho, TSUKI YOMI NO MIKOTO que significa o deus xinto da lua.

O terceiro filho, SUSANO O NO MIKOTO que significa o deus xinto do trovão.


Segundo a mitologia japonesa, a primeira filha AMATERASU OOMI KAMI é a que descende a família imperial do Japão. E o primeiro filho dessa deusa é o primeiro imperador do Japão, JIN MU TENNOU que significa O Passo do Deus Xinto quem governou o Japão de 660 AC até 585 AC.

Para termos uma idéia concreta, o atual imperador Akihito do Japão é o 125º imperador que descende diretamente da deusa AMATERASU OOMI KAMI, cujo filho JIN MU TENNOU é o primeiro imperador.

Então, AMATERASU OOMI KAMI, a deusa do sol, sendo a primeira filha de Deus Xinto recebe a posse para tomar conta do arrozal, daí até hoje o alimento mais sagrado é o arroz no Japão. Ela não se dá bem com o terceiro irmão SUSANO O NO MIKOTO, o deus do Trovão, mas pelo contrário se dá muito bem com o segundo irmão TSUKI YOMI NO MIKOTO, o deus da Lua.
Certo dia, a deusa AMATERASU OOMI KAMI teve desentendimento com o irmão SUSANO O NO MIKOTO por ele ter danificado suas plantações de arroz. Ela ficou tão furiosa e triste que se fechou numa caverna. O Japão todo escureceu, pois ela era a deusa do sol.
Fora da caverna outros deuses fizeram de tudo para que ela abrisse a porta da claridade, mas foi em vão. Então, o segundo irmão, TSUKI YOMI NO MIKOTO resolveu simular uma grande festa dos xintoístas, usando espelhos para dar reflexos e utilizou galhos de SAKAKI para dar o rítmo à cerimônia. Ele convidou a deusa da chuva AME NO UZUME para bailar.
Fazendo uma pequena pausa, SAKAKI é uma árvore da família da japoneira templária, cleyera japônica que é muito plantada junto aos templos. A palavra SAKAKI escreve-se em um só ideograma e significa “a árvore de Deus”. Até a presente data, o seu galho é freqüentemente utilizado tanto como oferenda quanto como para purificação.

Uma das relíquias da família imperial até hoje, é o espelho. E na cerimônia de culto dos xintoístas, utiliza-se o galho de SAKAKI para dar a benção aos seguidores e também para espantar os astrais negativos.

Assim, a festa começou em frente à caverna. A deusa AMATERASU ouvindo todo aquele barulho estrondoso de tambores, ficou muito curiosa e abriu um pouquinho a porta da caverna para ver o que estava se passando lá fora. Imediatamente o deus TSUKI YOMINO MIKOTO e demais deuses auxiliares puxaram a porta da caverna. Depois desse acontecimento, o Japão sempre teve seu brilho.
O irmão SUSANO NO MIKOTO foi punido pela irmã AMATERASU e foi mandado para província de Izumo onde havia só terra coagulada e que ele tinha de construir uma nova cidade. Diz a lenda que o deus SUSANO era um homem cabeludo com barba comprida, daí talvez os nativos AINU fossem descendentes dele.
Deus SUSANO era muito valente que um dia quando na sua cidade de Izumo apareceu um dragão com 8 cabeças, engolindo moças e rapazes, ele resolve acabar com ele, dando-lhe 8 tambores de sake para o dragão ficar bêbado. Quando o dragão já está num estado sonolento, o deus SUSANO avança em cima do dragão e retira-se do estômago, jóias preciosas, moças e rapazes; do rabo do dragão o deus SUSANO retira uma espada também.
A segunda relíquia da família imperial até hoje é essa espada e a terceira é uma dessas jóias. Portanto, são 3 as relíquias que são mostradas na cerimônia oficial da família imperial:
O ESPELHO que representa o sol, a bandeira nacional, a capacidade de olhar para si.
A ESPADA que representa a origem do bushidou, SAMURAIS para trazer a justiça
JÓIA que representa a riqueza do país e a união entre todos.
A deusa AMATERASU e o segundo irmão, TSUKI YOMI NO MIKOTO, migraram-se para Kyuushuu, a quarta ilha do atual Japão. Nessa região eles estabeleceram YAMATO, antigo nome que se dá ao Japão. Nesse YAMATO (A Grande Paz) estabeleceu-se o primeiro imperador JIN MU TENNOU.

Origens do Céu e da Terra
 
No mais antigo dos tempos, o céu e a terra estavam grudados, como se tivessem sido unidos, ao longo dos séculos, em uma matéria informe. Repentinamente, o silêncio que imperava foi quebrado, com sons estranhos, cuja origem era o movimento das partículas. Assim, a luz e as partículas mais céleres se elevaram, mas nem todas puderam seguir a luz em sua ascensão. Dessa forma, a luz acumulou-se na parte superior do universo, e abaixo dela as partículas formaram em primeiro lugar as nuvens, depois um paraíso chamado de Takamagahara (fenda do alto firmamento). E muito abaixo as partículas permaneciam em uma massa informe, que foi chamada de terra.
Naqueles tempos, em que nasceram o céu e na terra, surgiram divindades em Takamagahara. Eram chamados: Ame-no-mi-naka-nushi-no-Kami (Senhor do esplêndido Centro do Céu), Taka-mi-musushi-no-Kami (Divindade da Esplêndida Energia Vital), e Kami-musushi-no-Kami (Deus da Energia Vital). Todas essas três divindades formadas espontaneamente se ocultaram. De outro lado, enquanto o mundo movia-se como uma medusa, surgiu algo parecido com um broto de bambu: Umashi-ashi-kabi-hikoji-no-kami (Antigo Príncipe do encantado broto de Bambu) e Ame-no-toko-tachi-no-kami (o que se mantêm eternamente no céu).
Estas duas divindades, apesar de formadas espontaneamente, também vieram a ocultar-se. Com as outras três mencionadas, formam as "Divindades Celestiais Independente" primordiais.

As sete gerações divinas
 
Os nomes das divindades que se formaram em seguida foram: Kuni-no-toko-tachi-no-kami (o que permanece eternamente sobre a terra) e Toyo-kumo-un-no-kami (Senhor Justo). Estas divindades também se ocultaram. Em seguida, vieram a se formar U-hiji-ni (Senhor do limo da terra), e logo sua irmã-esposa, a deusa Su-hiji-ni (Senhora do limo da terra); logo o deus Tsunu-guhi (O que integra as origens), e sua irmã-esposa Iku-guhi (A que integra a vida); e o par seguinte, o deus Ô-to-no-ji (O ancestral da grande região), e sua irmã e consorte Ô-to-no-be (A ancestral da grande região); logo o Deus Omo-Daru (O perfeitamente formoso) e sua jovem irmã-esposa, a deusa Aya-kashiko-ne (a venerável). E o par O Venerável Izanagi-no-Miko (O primeiro homem, o grande varão) e sua jovem irmã e consorte A Venerável Izanami-no-Mikoto (A grande mulher, a primeira mulher). Esses deuses, desde Kuni-no-koto-tachi, até a Venerável Izanami-no-mikoto são conjuntamente chamadas de sete gerações divinas.

DEUSES DA SORTE






A criação do Arquipélago e o par primordial




Então os deuses se reuniram e deliberaram longamente sobre a terra, que continuava sendo a mera mescla de águas e terras, informe e plana. Decidiram por enviar um par deles para organizar a terra, e assim O Venerável Izanagi e a Venerável Izanami receberam um Grande Mandamento, que dizia: "Regulai e consolidai a terra em movimento". Assim ordenando, foi a eles confiada a ordem e a lança celestial, Ama-no-Nukobo, que estava coberta de pedras preciosas; então as divindades, estando sobre a ponte flutuante do céu - talvez um arco-íris - desceram a lança lentamente, e, girando-a, coalharam a água salgada, quando subiram a lança havia uma ilha, que foi chamada de Onogoro (espontaneamente coagulada).

Descendo, então, do céu, e indo para a ilha, em pouco tempo erigiram um Sagrado Altar, Yashidono, uma Sacra Coluna, Ama-no-mi-hashira, o Sagrado Pilar do Céu, e um Salão Santo, com oito braças.
Então questionou o Venerável Izanagi a sua irmã: "De que modo formou-se seu corpo?", ao que ela respondeu: meu corpo está completamente formado, mas há uma parte que não cresceu e está selada. E disse o Venerável Izanagi: "Também o meu corpo está totalmente formado, mas há uma parte que cresceu em excesso. Logo, se inserirmos a parte que me cresceu em demasia e criaremos terras”."Que solução melhor do que procriar?" A Venerável Izanami retorquiu: "Certamente está bem assim”.E O Venerável Izanagi disse: "Andemos em volta dessa Sagrada Coluna Celeste, e quando encontramo-nos do outro lado, haveremos de nos unir”.
Assim falaram, e entraram em acordo. Ele disse: "Tu para me encontrar, deves ir pela direita; eu, para encontrar-te, irei pela esquerda". Quando deram a volta, tal como tinha combinado, a Venerável Izanami foi a primeira a exclamar: "oh, na verdade tu és um jovem belo e amável!” E logo o Venerável Izanagi "Oh, mas que jovem bela e amável!". E depois de falarem, ele disse a sua companheira: "Não está bem que seja a mulher a primeiro falar”.
Não obstante, uniu-se em um leito e tiveram um filho, Hiru-ko, (menino sanguessuga). Eles o depositaram em uma canoa de juncos, para que a correnteza o levasse, pois era grotesco. Depois, nasceu Awa Shima, a ilha da espuma, que sequer contaram como descendente. Disse O Venerável Izanagi:
"Os filhos que até esse momento nos tivemos não são bons. Devemos subir ao céu, e questionou as grandes divindades o motivo do acontecimento. Essas disseram, reunidas em Grande Oráculo:” Como a mulher falou primeiro, as coisas não vão bem.”Então eles partiram de novo, e na Sagrada Coluna do Céu repetiram o processo anterior, mas dessa vez foi O Venerável Izanagi a falar primeiro. De sua união, nasceu à ilha de Awaji, o caminho da espuma”.
Da mesma maneira, as demais ilhas do arquipélago, Honshu, Shikoku, Kyushu, as ilhas gêmeas de Oki e Sado, e, finalmente, a ilha de Iki. Logo também conceberam uma série de deuses e deusas, entre os quais os do vento, das montanhas, e das árvores.

Morte de A Venerável Izanami e a ida de O Venerável Izanagi ao país dos mortos


Por uma desgraça, Kagutsuchi, o deus do fogo - também chamado de Homusubi -, o filho caçula de Izami, ao nascer, vitimou sua mãe com terríveis queimaduras e, seus genitais, e ficou enferma, vindo a morrer te terríveis febres. Apesar disso, A Venerável Izanami seguiu dando origem a outras divindades em plena agonia, nas fezes, na urina e no vômito; a última a nascer foi Mizuhame-no-mikoto, que marca o surgimento da dor e da morte no mundo. O Venerável Izanagi, desesperado, geme em volta do cadáver, e de suas lágrimas nascem outras divindades, entre eles a deusa do Arroio Aflito.
Nesse momento, a tristeza de O Venerável Izanagi converte-se em uma cólera fria, e ele mata o deus do fogo, despedaçando o seu corpo, pela culpa que tinha na morte de sua mãe, a amada esposa de O Venerável Izanagi. O sangue e os membros do matricida consertem-se em uma série de novos deuses, que simbolizam várias montanhas. Então, O Venerável Izanagi desce ao País das Trevas, em busca de A Venerável Izanami.
O Venerável Izanagi, desejando ver sua jovem esposa A Venerável Izanami, seguiu-a até Yomi-tsu-kuni, o país das trevas, e quando ela vem abrir a porta do palácio, saindo para encontrar com seu esposo, O Venerável Izanagi, que disse:
- Oh, minha esposa, jovem e encantadora irmã! Os países que criamos ainda não estão concluídos! É preciso que retorne! Mas a sua esposa e irmãs respondeu: "é triste que não tenha vindo antes, pois já comi do fruto do País das Trevas! Sem dúvida, oh meu encantador marido e irmão mais velho, que eu gostaria de voltar, e vou consultar-me com as divindades do País das Trevas. De modo algum deve me ver!" - E assim dizendo entrou no palácio. Com o tempo, O Venerável Izanagi cansou-se de esperar, e foi em busca de sua esposa; e entrou no país, apenas para descobrir que sua esposa, A Venerável Izanami, era agora um cadáver putrefato, coberto de vermes. Estava dando a luz aos oito deuses do trovão.
Então, quando O Venerável Izanagi, aterrorizado com esta visão, corria, sua jovem irmã gritou-lhe: Cobriu-me de vergonha - e ordenou que as terríveis mulheres do país das trevas perseguissem seu esposo. De modo que, O Venerável Izanagi, tomando nas mão uma grinalda da flor kazura, que estava em seus cabelos, jogou-a ao chão, e ela converteu-se em um ramo de uvas silvestres. Enquanto elas comiam, ele desatou a correr, mas elas seguiam na perseguição. Por isso, jogou ao chão um pente que prendia seus cabelos, e dele nasceram brotos de bambu, que as horrendas mulheres voltaram a comer, e ele corria.
Vendo essa situação, A Venerável Izanami lançou contra seu irmão os oitos deuses do trovão, e mil e quinhentos guerreiros. Todos levavam espadas com dez palmos de altura, e teriam matado A Venerável Izanami se ele não corresse com ainda maior velocidade. Estavam quase alcançando O Venerável Izanagi quando ele chegou a Yomi-no-horakaza, um declive que desce desde a terra dos vivos, até a terra dos mortos, onde há uma árvore. Dela O Venerável Izanagi tomou três pêssegos, com os quais golpeou os inimigos e os matou. Disse o venerável O Venerável Izanagi, solenemente, aos pêssegos: "Do mesmo modo que me socorreram, irão de socorrer todos os que moram na Planície dos Juncos”.Depois de pronunciar essas palavras, deu ao fruto o título de "Venerável Fruto Divino".
Por fim, sua jovem irmã, A Venerável Izanami, lançou-se, pessoalmente, em sua perseguição. Ao que ele ergueu uma rocha que mil homens não poderiam ter a esperança de sequer arrastar, e bloqueou o declive entre o mundo dos vivos e dos mortos, separando para sempre a vida da morte; e lá disseram adeus. Falou a venerável A Venerável Izanami: "oh, meu amado e encantador irmão mais velho, se ti comportas assim, estrangularei e trarei para este país, eu apenas um dia, um milhar de homens de sua terra!" Ao que retrucou o venerável O Venerável Izanagi: "oh, minha amada e encantadora irmã menor, se o fizer, erguerei, num só dia, cinco mil casas de parto. Assim, num só dia, um milhar de homens morrerá; mas mil e quinhentos irão nascer!”.
Por esse motivo, a venerável A Venerável Izanami é chamada de Grande Divindade do País das Trevas, e como ela perseguiu e alcançou, é também chamada de grande divindade que chega a rota. A rocha que bloqueou as duas terras é chamada de Grande Divindade que bloqueia a porta do país das trevas; e o declive que ligava os dois mundos é chamado de Declive de Ifuya, no país de Izumo.

O Venerável Izanagi e a última geração
Depois de escapar dos horrores da terra dos mortos, O Venerável Izanagi teve de limpar-se da imundice e impurezas que o sujavam, e o faz com um banho. Chegou a um riacho em Hyuga, a leste de Kyushu, chamado de Tachibana-no-Odo, e despe-se, banhando-se nas águas. DAQUI A ORIGEM DO MISOGI descrito no Aikido e também nas cerimônias xintoístas.De seu cajado, das diversas partes de seu traje, de seus braceletes, nascem doze divindades; e outras mais nas diversas partes de seu banho. Mas foi quando ele limpou seu rosto que as principais divindades do Xintoísmo vieram a nascer: do olho esquerdo, a deusa suprema do xintoísmo, Amaterasu-no-Mikoto, Venerável divindade do sol; do olho esquerdo, Tsuki-Yomi-no-Mikoto, o Venerável deus da Lua; e de sue nariz, Take-Haya-Susano-no-Mikoto, O Augusto, venerável e célere, irado e valente. A essas três divindades - o último dos quais converteu-se em deus da tempestade - foram investidos, por O Venerável Izanagi, como governantes do universo.

A investidura das três deiades
Nesse instante, o Venerável Izanagi se ergueu de forma altiva e disse: “Eu, dando origem filho após filho só na última geração obtive resultados louváveis. Logo depois, sacudindo a gargantilha de jóias que formava seu colar, cedeu-o a sua filha, Amaterasu-no-mikoto, dizendo”:
"Que tu governe a planície dos altos céus". E este colar era chamado de deus da tabela da grande câmara dos tesouros. A Tsuki-yomi-no-mikoto:
"Que sua venerável pessoa governe o reino da noite". E assim, a ele foi outorgado esse cargo. Por sim, disse a Susano-No-mikoto: Que sua venerável pessoa governe as planícies das águas.
Amaterasu e Tsuki-Yomi aceitaram suas tarefas de forma obediente, tomando posse de seus respectivos domínios. Susano, no então, põe-se a chorar, e lamentar e gritar. Seu pai, Izanagi, pergunta o que há de errado, e Susano responde que não deseja governar as águas, mas sim a terra onde viveu sua mãe, a Venerável Izanami. Irado, Izanagi desterra seu filho e se retira, tendo findado a sua missão. Conta-se que viveu
No "palácio do sol mais jovem", ou que estaria enterrado em Taga. Enquanto isso, Susano ergueu-se, após se despedir de sua irmã Amaterasu, aos céus em grande fúria, espalhando confusão por toda a natureza.

O desafio das deiades irmãs

 
Então, Amaterasu, alarmada por esse alvoroço, disse: "A razão pela qual ele ascendeu dessa forma não procede com um bom coração. Certamente quererá arrebatar meu reino. Ao mesmo tempo, enrolou um cordão cheio de magatama, de oito pés de altura, e com quinhentas jóias, nos esquerdo e direito, como também em seu toucado e igualmente em seu braço esquerdo e direito. Em suas espáduas, duas aljavas, uma com mil flechas, e outra com quinhentas. Brandiu sua espada e susteve seu arco, cuja parte superior tremia. Depois, batendo com o pé, ergue-se até o céu e postaram-se, pernas abertas como um homem, à frente. E disse, com altivez:” porque subiu até aqui?”“.

O que parece é que vai ocorrer uma grande batalha. Susano não olvida em garantir a sua irmã que não tem intenções más, e por isso propõe-se a realizar um juramento. O texto não é muito claro, mas parece indicar que susano propõe, em seu juramento, um acordo: um concurso de reprodução, segundo o qual aquele que engredar mais divindades masculinas, o bem o que engredasse mais divindades. Se Susano vencesse sua irmã deveria admitir a pureza de suas intenções.
As divindades, separadas por Amanogawa, (o rio do céu) trocaram as palavras de compromisso e iniciaram a competição. Para começar, Amaterasu pediu a seu irmão a espada; quebrou-a em três fragmentos e deles criou três belas deusas. Por sua vez, Susano pegou as grandes fileiras da Magatama de Amaterasu levava em volta dos ombros, e da jóia criou cinco deuses, inclusive Oshi-Omini.
Amaterasu, logo, expressa sua vontade de estabelecer quais dos deuses, segundo a sua origem, eram filhos de uns e outros. Susano se proclama vencedor, com cinco. Mas Amaterasu indica que os varões de Susano deveriam ser considerados como seus, pois foram criados com seus pertences!
Logo, era ela a vencedora. Susano, naturalmente, nega-se a aceitar essa decisão, e, furioso, desencadeia mil catástrofes.

As devastações de Susano


Então Susano espalhou o caos sobre o mundo, e atacou as obras de sua irmã: destruiu a divisão entre os arrozais divinos, obstruiu os canais, e, ademais, verteu sobre o palácio de sua irmã nojentas secreções, bem na sala em que ela degustava o Venerável Alimento. E apesar desse comportamento, Amaterasu apenas disse: “isto, que parecem ser excrementos, deve ser algo que meu venerável irmão maior vomitou em sua embriaguez. E Susano prosseguiu, violento ao extremo”.
Quando estava Amaterasu sentada em sua sala, usando seu sacro tear, Susano perfurou o teto, e por ele fez escorregar para a sala um corcel celestial. Vendo o animal, as fiandeiras que a ajudavam ficaram chocadas, e enterraram fundo em seus corpos as lançadeiras; Amaterasu ficou tão chocada que se escondeu, cerrando a porta de Ama-no-iwato, a caverna das rocas celestiais, e recusou-se a sair.

A crise divina

Imediatamente, Takamagahara estava desaparecida na mais completa obscuridade, e o mesmo veio a ocorrer com o país central da planície dos juncos, e por causa disso, reinou a noite eterna. Ali, no alto, com o ruído de dez mil deuses inquietos, dez mil calamidades surgiram simultaneamente. Por isso, as divindades se reuniram em uma assembléia divina, no leito seco de Amanogawa para discutir uma forma de Amaterasu retirar-se da caverna.

O sábio deus Omoi-kane-no-kami, o que acumula pensamento, filho de uma das divindades primordiais, Taka-mi-musushi, propôs uma solução: reuniram as aves que cantavam ao fim da noite e as fizeram cantar. Como dali não sobreveio solução, concebeu um complicado estratagema: tomaram duas rochas do rio Amagonawa, e ferro das celestes montanhas de metal, e convocaram o ferreiro Ama-tsu-ma-ra; encarregaram o venerável Ihi-kore-dome que fabricasse, desses materiais, um espelho; encarregaram o venerável Tama-no-ya que fabricasse um colar de jóias com quinhentas magatama a uma altura de oito pés; mandaram chamar o venerável Ameno-koyane, e o venerável Futo-tama, e ordenaram-lhes arrancar as omoplatas de um gamo do celeste monte Kagu, e extrair a cortiça das árvores do celeste monte Kagu, para praticar um adivinharão; arrancaram a raiz da árvore sakaki do mesmo monte, e colocaram nos ramos superiores os colares de quinhentas magatama, sobre os ramos intermediários o espelho de oito pés, e sobre os inferiores sedosas oferendas nas cores brancas e azuis.
O venerável Futo-Tama tomou e guardou tudo aquilo com grandes oferendas, e o augusto Ame-no-koyame pronunciou com ardor algumas palavras rituais, enquanto o deus Ama-no-tachikara-wo (Varão de fortes mãos) mantinha-se oculto próximo à porta de Ama-no-Iwato; então, a deusa.
Ame-no-uzume (mulher terrível do céu) fez uma grinalda de flores para sua cabeça, e de algumas folhas de bambus anões do monte Kagu fez um ramalhete para suas mãos, subiu sobre um tambor, e desatou a pisar, até que ele retumbasse; e como se possuída, deixou seus seios a mostra, logo depois deixando cordão de sua faixa a deslizar pela cintura.
Então, todos os deuses riram ao mesmo tempo, e Takamagahara tremeu. Ao escutar, surpresa, Amaterasu vai abrir a porta, e diz: "pensei que, devido ao meu retiro, Takamagahara quedaria em escuridão, e o país da Planície dos juncos estaria, também, obscurecido. Como é possível, então, que Uzume se regozije e que, ademais, essa miríade de deuses riam?" Uzume retrucou, então: "Estamos alegre e nos regozijamos porque a uma divindade mais brilhante do que Sua Venerável Pessoa”.
Enquanto ela falava dessa maneira, Ame-no-koyane e Furo-tama dirigiram o espelho para a porta que jazia entreaberta, e Amaterasu, surpresa com o que ocorria, saiu um pouco, e enquanto mirava-se intensamente no espelho, quedou deslumbrada, por um instante. Ama-no-tachikara-wo, que permanecia oculto tomou-a pela mão e obrigou-a a sair; então, Futo-tama pegou uma corda de fibra de arroz e colocou as costas de Amaterasu, dizendo "não retroceda desse ponto!" E assim, quando Amaterasu saiu, Takamagahara e o Pais Central da Planície dos Juncos voltaram a ser iluminados com seu brilho, e retornaram a normalidade; Uma vez fora da cova, Amaterasu concedeu em voltar ao seu palácio, se Susano fosse desterrado.

A expulsão de Susano

Ali no alto, os deuses, reunidos em conselho, impuseram a Susano um castigo que consitia em entregar mil tabuas de oferendas, e depois disso, cortaram a barba, arrancaram as unhas dos dedos das mãos e dos pés, e mediante um divino mandato o expulsaram. Assim perseguido, Susano buscou ajuda com a deusa Ogetsu-hime-no-kami, deusa dos alimentos, que saca da boca, do nariz, e do reto todo o tipo de comidas estranhas para oferecer. Indignado pelo insulto, Susano mata a deusa, mas a morte tem efeitos benéficos; do cadáver da vítima nascem os "cinco cereais", isto é, os alimentos básicos que seguem dando subsistência aos japoneses até hoje: de seus olhos, nasceram sementes de arroz, de suas orelhas, milho, de seus genitais, trigo, de seu nariz feijões e de seu reto, soja. O deus Kami-musubi mandou recolher e semear estas sementes, para o bem dos mortais.
 

 






04/09/2014

Resistência: Marcus Garvey, o idealista do movimento de “volta para a África”



Marcus Mosiah Garvey (Saint Ann’s Bay, Jamaica, 17 de agosto de 1887 – Londres, 10 de junho de 1940) foi um comunicador, empresário e ativista jamaicano. É considerado um dos maiores ativistas da história do movimento nacionalista negro. Garvey liderou o movimento mais amplo de descendentes africanos e é lembrado como o principal idealista do movimento de “volta para a África”, inclusive, seu nome é citado em músicas de vários artistas como Burning Spear e Bob Marley.







Ele criou um movimento de profunda inspiração para que os negros tivessem a “redenção” da África e pra que as potências coloniais européias desocupassem o continente. Garvey fundou em 1914, a Associação Universal para o Progresso Negro ou AUPN (Universal Negro Improvement Association, mais conhecida como UNIA). O lema da instituição era era “One God! One Aim! One Destiny!”, em portguês, Um Deus! Uma aspiração! Um destino!
Os objetivos da UNIA eram:
- a promoção da consciência e unidade na raça negra, da dignidade e do amor
- o desenvolvimento da África, livrando-a do domínio colonial e transformando-a numa potência
- protestar contra o preconceito e a perda aos valores africanos
- estabelecer insituições de ensino para negros, onde se ensinasse a cultura aficana, também
- promover o desenvolvimento comercial e industrial pelo mundo
- auxiliar os despossuídos em todo o mundo
Garvey viajou o mundo e viu da perto a miséria que os negros sofriam, ele dedicou toda sua vida a favor da causa negra. Exerceu uma importante influência nos movimentos, que, mais tarde, libertaram a África do domínio colonial europeu. Apesar de ter sido criado como metodista, Marcus Garvey se declarava católico, seu pensamento religioso era fundamentado numa interpretação da Bíblia, especialmente do Velho Testamento.
Marcus e seus seguidores identificavam-se com a história das tribos perdidas de Israel, vendidas aos senhores de escravos da Babilônia. Essa metáfora inicial gerou uma série de imagens simbólicas que se tornaram constantes na tradição oral dos rastas: “Babilônia”, “Zion”, etc. Numa das profecias atribuídas a Marcus Garvey, previa-se que um Rei Negro seria coroado na África e que esse rei seria o líder que conduziria os negros do mundo inteiro à redenção.
Quando em 1930, Rastafari Makonnen foi proclamado rei da Etiópia, adotando o título de “Rei dos Reis, Senhor dos Senhores, Sua Majestade Imperial, Leão Conquistador da Tribo de Judá, Eleito de Deus”, os líderes religiosos e seguidores de Garvey na Jamaica reconheceram nele o Rei Negro de que o profeta havia falado.

"Redemption Song" é uma canção da banda jamaicana Bob Marley & The Wailers, última faixa do nono álbum, Uprising. Quando Marley escreveu a canção, por volta de 1979, já lhe tinha sido diagnosticado o cancro que mais tarde o mataria; de acordo com sua esposa Rita Marley, "ele já estava secretamente em grande dor e a lidar com a sua mortalidade, uma característica que é evidente no ábum, especialmente nesta canção". A canção é considerada o canto do cisne de Marley, com letras derivadas do discurso do orador pan-africano Marcus Garvey.Ao contrário da maioria das canções de Marley, a canção é somente um solo acústico com o próprio Marley a cantar e a tocar uma guitarra acústica.


Redemption Song

Old pirates, yes, they rob I
Sold I to the merchant ships
Minutes after they took I
From the bottomless pit
But my hand was made strong
By the hand of the Almighty
We forward in this generation
Triumphantly

Won't you help to sing
These songs of freedom?
'Cause all I ever have:
Redemption songs
Redemption songs

Emancipate yourselves from mental slavery
None but ourselves can free our minds
Have no fear for atomic energy
'Cause none of them can stop the time
How long shall they kill our prophets
While we stand aside and look?
Some say it's just a part of it
We've got to fulfill the Book

Won't you help to sing
These songs of freedom?
'Cause all I ever have
Redemption songs
Redemption songs
Redemption songs

Canção de Redenção

Velhos piratas, sim, eles me roubaram
Me venderam para navios mercantes
Minutos depois de eles terem me tirado
Do poço sem fundo
Mas, minha mão foi fortalecida
Pela mão do Todo-Poderoso
Nós avançamos nessa geração
Triunfantemente

Ajude-me a cantar
Estas canções de liberdade
Pois, tudo que eu sempre tenho:
Canções de redenção
Canções de redenção

Libertem-se da escravidão mental
Ninguém além de nós mesmos pode libertar nossas mentes
Não tenha medo da energia atômica
Porque nenhum deles pode parar o tempo
Até quando vão matar nossos profetas
Enquanto nós permanecemos de lado, olhando?
Alguns dizem que isso faz parte
Nós temos que cumprir o Livro

Ajude-me a cantar
Estas canções de liberdade
Pois, tudo que eu sempre tenho:
Canções de redenção
Canções de redenção
Canções de redenção



Link para a música: redemption song 

Link para a música trabalhada em sala de aula (8ªsérie - turma F): "Soul Rebels":   soul rebels


fontes: http://www.consuladodajamaica.com.br/cultura_marcus.html
           http://pt.wikipedia.org/wiki/Redemption_Song

02/09/2014

Oliver Cromwell - Revolução Puritana


 Oliver Cromwell foi o nome mais destacado da Revolução Puritana inglesa, também conhecida como a Guerra Civil inglesa. Membro de uma família de pequenos proprietários rurais puritanos, Cromwell nasceu em 25 de abril de 1499, tendo morrido em 03 de setembro de 1658.
Sua família havia recebido terras que foram confiscadas da Igreja Católica pelo Estado durante a Reforma Protestante na Inglaterra. Com uma formação religiosa puritana (nome dado aos calvinistas na Inglaterra) e anticatólica, Oliver Cromwell foi eleito para a Câmara dos Comuns em 1628. Porém, no ano seguinte, o rei Carlos I (1600-1649) dissolveu o Parlamento e governou autocraticamente até o ano de 1640.
A ação do rei levou Cromwell a nutrir uma profunda aversão a seu governo. Com a reinstauração do Parlamento em 1640, Cromwell voltou a compô-lo, defendendo o puritanismo e atacando as ações arbitrárias do rei. Com a eclosão da Guerra Civil, em 1642, ele passou a compor as forças bélicas de defesa do Parlamento. Como um dos homens à frente do chamado Exército de Novo Tipo (New Model Army), Cromwell começou a ganhar destaque no cenário político inglês. Ele ainda formou uma seção de cavalaria denominada de Ironsides, marcada pelo fanatismo religioso e pela combatividade. Suas tropas conseguiram derrotar as forças realistas em diversas batalhas, resultando na vitória na Guerra Civil. Cromwell participou da captura do rei Carlos I e da instauração de seu julgamento. Com a condenação do rei à morte, em 1649, e sua posterior decapitação, o Parlamento inglês passou a controlar o poder na Inglaterra, abolindo a monarquia e instaurando a República, ou Commomwealth. O poder executivo seria exercido por um Conselho de Estado formado por alguns parlamentares, dentre eles Oliver Cromwell como presidente. Nessa função, Cromwell conseguiu debelar os últimos focos de resistência realista na Irlanda e na Escócia. No aspecto político-administrativo, ele aboliu uma série de taxações consideradas abusivas, além de expedir os Atos de Navegação, a partir de 1650. Com essa medida, criava-se a exclusividade do comércio marítimo nos portos da Inglaterra aos navios de bandeira inglesa, atacando, dessa forma, o monopólio que detinham os comerciantes holandeses. Cromwell criava assim as bases para o desenvolvimento do imperialismo marítimo inglês.
Em 1653, após o aparecimento de oposições a seu governo tanto entre os conservadores quanto entre os setores mais populares, Oliver Cromwell dissolveu o Parlamento, intitulando-se Lorde Protetor dos ingleses. Nessa função, derrotou as Províncias Unidas, em 1654, e conquistou o território da Jamaica dos espanhóis, em 1655, transformando-o no principal espaço colonial inglês no Caribe. Mas a vida de Cromwell não duraria muito. Em 1658, Cromwell faleceu, não se sabe se envenenado ou de febre. Seu corpo foi enterrado na capela de Westminster. Ricardo, seu filho, foi seu sucessor, mas não tinha o mesmo carisma do pai. Em 1660, houve a restauração da monarquia. O novo rei, Carlos II, resolveu exumar o corpo de Cromwell e decapitá-lo, expondo a cabeça na Torre de Londres. Apesar dessa tentativa de condenação póstuma de Cromwell, o nome do líder da República inglesa ficaria gravado na história.

NEW MODEL ARMY


Oliver Cromwell era um defensor da liberdade religiosa em um momento em que isso se tornava revolucionário em um reino inglês marcado pela transformação social decorrente da dissolução das instituições feudais. Lutava também pela promoção pelo mérito, e não por nascimento, sendo que esta última beneficiava apenas a nobreza.
Seguindo essa premissa, Cromwell auxiliou na formação de um exército como defesa do Parlamento, no contexto da Guerra Civil Inglesa, também conhecida como Revolução Puritana. O chamado Exército de Novo Tipo (New Model Army) era uma inovação na organização das tropas em relação aos exércitos feudais.  Os membros do Exército de Novo Tipo também eram conhecidos como os Cabeças Redondas (round-heads) em decorrência do elmo (capacete) de metal, em formato arredondado, que os soldados utilizavam. 
Baseando a escolha de oficiais e cavaleiros no mérito, e não nos títulos de nobreza, essa forma de organização proporcionava uma maior participação popular. Havia uma abertura aos soldados nos comitês que tomavam as decisões. Tal tipo de estrutura militar permitiu um contato maior dos soldados com as questões políticas, contribuindo para a formação de uma consciência mais profunda sobre os motivos da luta.
As lutas pelo território inglês representaram uma possibilidade de mobilização desses estratos sociais, colocando distintas populações em contato, situação que não era percebida anteriormente. 
O caráter religioso da guerra e também a adesão de grande parte dos soldados ao puritanismo (nome dado ao calvinismo na Inglaterra) levou também, com o passar do tempo, à realização de pregações religiosas, tirando dos pastores a exclusividade na função. O Exército de Novo Tipo seria utilizado no período para ensinar aos camponeses a entenderem a liberdade.
Porém, o Exército de Novo Tipo não era um corpo militar homogêneo. A maior participação dos estratos mais baixos do exército garantia um posicionamento e uma iniciativa dos soldados diferentes do que era característico dos oficiais. Os soldados rasos chegaram a escolher agitadores entre suas fileiras, além de financiarem por si próprios algumas reuniões.
A ação mais ousada realizada pelos soldados do Exército de Novo Tipo foi certamente o sequestro do rei Carlos I (1600-1649), em 1647, sem que houvesse uma ordem dos oficiais superiores para que a ação fosse realizada. Esse fato demonstra um caráter democrático no exército, no sentido de que as ordens durante certo momento acabavam sendo direcionadas de baixo para cima.     
 
 Analisando a imagem: "Oliver Cromwell Lorde Protetor dos Britânicos"



1.       A espada empunhada por Cromwell que está ligada a uma mensagem em grego (“crer em um só Deus”) vinda dos céus, e que parece emanar de uma igreja (acima da coluna da direita) nos apontam para a mentalidade de que o que líder do principal exército parlamentar fazia, era em nome de Deus. Esta ideia se reforça com a presença da pomba, logo acima da sua cabeça, sinalizando que o mesmo fora guiado e/ou conduzido pelo Espírito Santo.

2.       Só nestes 2 elementos inicialmente destacados, percebermos a forte presença do pensamento religioso. A presença de uma bíblia na mão esquerda de Cromwell concretiza bem esta linha de pensamento, pois a mesma representa o puritanismo, religião na qual norteou ideologicamente, o exército comandado por este puritano.

3.       A Armadura, se associada ao teor religioso aqui já mencionado, transmite a intenção  de apresentá-lo como “Soldado de Deus”. Ao fundo, podemos perceber o exército liderado por Oliver Cromwell. É interessante reforçar que a ideologia puritana conduziu o seu exército a vitória, já que os seus soldados acreditavam que Cromwell era sim, um escolhido de Deus, e que consequentemente todos eles lutavam por uma causa divina.

4.       Percebe-se também, uma pessoa e uma serpente sendo pisada (esmagada e/ou destruída). Neste aspecto, residentem dois símbolos importantes: o primeiro, o sistema monárquico absolutista simbolizado na figura de uma pessoa, já a serpente, refere-se ao mal que este sistema político causava ao povo. Também associaria a serpente ao Anglicanismo, que era a religião oficial da Inglaterra antes do processo revolucionário. A doutrina anglicana era fortemente combatida pelos puritanos.

5.       As bandeiras da Inglaterra, da Escócia e da Irlanda presentes na coluna direita, aludem à criação de um parlamento único para os três países sob a tutela republicana de Oliver Cromwell considerado o protetor destes.

6.       O tamanho desproporcional atribuído a Cromwell na paisagem. A intenção ai é transmitir a importância atribuída a ele, conhecido como “Lorde Protetor dos Britânicos”, aquele que está acima de todos e muito poderoso, ou seja, segundo a mentalidade de grande parte dos revolucionários e da população, não havia ninguém mais importante que ele na Grã-Bretanha.

7.       Por fim, damos destaque às diversas atividades trabalhistas como a agricultura, a mineração, a pecuária, nesta última, por exemplo, predominava a criação de ovelhas já que a extração de lã para a produção de fios usados na fabricação de tecidos era uma das principais atividades econômicas da Inglaterra. É válido ressaltar ai, que a doutrina puritana exalta o fator trabalho como algo virtuoso e sagrado.

Revolução Puritana








A Revolução Puritana foi um conflito ocorrido na Inglaterra na década de 1640 entre a monarquia e o parlamento. Carlos I, rei do país, não aceitava a intervenção política dos parlamentares e, de forma autoritária, governava movido por seus interesses.
As divergências políticas se iniciaram quando Carlos I assumiu o reinado após a morte de seu pai, Jaime I, em 1625. Sua dinastia era responsável por uma série de mudanças políticas na Inglaterra. Jaime I acabou com as medidas liberais dos Tudor e se aliou à Igreja Católica para fortalecer a ideologia conservadora.
Naquela época, a Irlanda tinha uma economia dependente dos ingleses, que mantinham um sistema feudal absolutamente elitizado. No poder, Carlos I queria aumentar a taxa dos impostos, mas dependia de uma aprovação do Parlamento.
Os parlamentares exigiram uma petição relacionada aos problemas com impostos, prisões, julgamentos e convocações do exército. Revoltado, o rei acatou as medidas, mas ordenou o fechamento imediato do Parlamento, que perdeu seu direito de intervenção política por mais de 10 anos.
Com a implementação de mais tributos, a burguesia se viu prejudicada e acabou gerando uma crise financeira ao não pagar os altos impostos cobrados pelo rei.
Tal fato acabou dividindo os parlamentares em duas facções:
  • Diggers: liberais que defendiam a reforma agrária do país e uma distribuição de terras mais igualitária para o desenvolvimento da atividade agrícola.
  • Levellers: mais conservadores, defendiam o direito de praticar a religião (católica) de forma livre, além de serem adeptos à igualdade jurídica.
O fortalecimento econômico da burguesia foi apoiado pela dinastia Tudor, cimentando a autoridade real em uma atuação conjunta ao parlamento, em que eram representadas politicamente a burguesia e a nobreza. Porém, com a sucessão dinástica de Elisabeth I, entrando em seu lugar a dinastia Stuart, alterou-se a situação política no reino.

Seu sucessor Jaime I e o filho deste, Carlos I, iriam buscar fortalecer novamente o poder régio e da nobreza mais tradicional, ligada aos preceitos medievais, principalmente com a adoção de medidas que passavam por cima dos interesses do Parlamento. Eles eram ainda escoceses, e não ingleses, o que intensificou a oposição à permanência deles no poder. Por serem rigorosos anglicanos, perseguiram os puritanos calvinistas, ampliando a insatisfação com seu governo.

O ápice da insatisfação veio com o reinado de Carlos I. Sendo obrigado a assinar a “Petição dos Direitos”, em 1628, que protegia a população contra tributos e detenções ilegais, em troca da ampliação de impostos de seu interesse, Carlos I dissolveu o Parlamento em 1629. Passou a governar de forma autocrática, reconvocando o Parlamento novamente em 1640 para conseguir recursos para debelar uma rebelião na Escócia.

Entretanto, o Parlamento tentou novamente limitar o poder régio, tendo como resposta de Carlos I uma nova tentativa de dissolução. O resultado dessas ações foi o deflagrar de uma violenta guerra civil e da Revolução Puritana.

É interessante notar que as disputas religiosas interligaram-se umbilicalmente à luta política, perceptível inclusive com o próprio nome dado à Revolução.

Os preceitos religiosos e o controle da Igreja Anglicana na vida cotidiana garantiam o controle da ordem político-social inglesa. Mesmo com a ruptura com a Igreja Católica no reinado de Henrique VIII, a Igreja Anglicana mantinha-se mais próxima do catolicismo e da ideologia da Idade Média. Por outro lado, o puritanismo – o calvinismo inglês – era uma expressão ideológica da burguesia, principalmente pelo fato de ligar a salvação da alma às ações econômicas realizadas na Terra, bem como a uma religiosidade mais individualizada, sem a interferência institucional da Igreja.

Nesse sentido, a guerra civil opôs, grosso modo, os membros da alta nobreza aristocrática inglesa, funcionários do Estado e o clero, em sua maior parte anglicano, contra os agricultores capitalistas, a burguesia urbana, os pequenos mercadores e artesãos, que professavam crenças protestantes como o puritanismo e o presbiterianismo.

No aspecto militar, a divisão ocorreu entre os Cavaleiros, partidários de Carlos I e apoiados por latifundiários, católicos e protestantes; e os Cabeças Redondas (rounheads), os defensores do Parlamento. O nome adotado remetia ao corte de cabelo adotado, curto e de forma arredondada, diferenciando dos longos cabelos dos membros da corte.
Além do corte de cabelo, uma diferença mais substancial foi que o exército dos Cabeças Redondas, conhecido como Exército de Novo Tipo, baseava-se em promoções internas por mérito, e não por sangue, além de permitir debates sobre os motivos da guerra, o que garantia aos soldados uma consciência política de suas ações. Essa diferença foi substancial para a derrota dos Cavaleiros nas batalhas de Marston Moor (1644) e Naseby (1645).

A primeira fase da guerra terminou em 1646, com a derrota de Carlos I. Mas o receio da posição radical democrática dos Cabeças Redondas levou parlamentares moderados a tentarem um acordo com a realeza. O resultado foi uma radicalização ainda maior da revolução. Em 1647, Carlos I foi preso pelos soldados. O rei ainda fugiu da prisão e tentou reorganizar uma reação. Porém, foi novamente derrotado por Cromwell e outros chefes das tropas parlamentares. Os radicais conseguiram a hegemonia na Câmara dos Comuns, expulsando os moderados. Em 1649, Carlos I foi julgado e executado. Sua decapitação foi a primeira de um monarca por ordem de um Parlamento.

Após Carlos I perder a cabeça, uma República foi instaurada na Inglaterra, formando-se um Conselho de Estado e extinguindo-se a Câmara dos Lordes. Oliver Cromwell ainda debelou as últimas reações dos realistas, pondo fim à guerra civil em 1651. Uma das principais medidas de Cromwell no governo foram os Atos de Navegação, que garantiam proteção aos comerciantes ingleses no comércio britânico, excluindo a ação holandesa no setor, que constituía até então a maioria.

Mas a oposição política a Cromwell intensificou-se. Frente a isso, o líder revolucionário dissolveu o Parlamento em 1653, criando uma ditadura pessoal e se autointitulando Lorde Protetor da República. Sua ditadura durou até 1658, ano de sua morte. Foi substituído pelo filho, Richard Cromwell, que não conseguiu manter a existência da República. Os nobres realistas organizaram uma contrarrevolução, colocando Carlos II no trono, acabando com a República e realizando a Restauração Monárquica.

Era o fim da República Puritana. Entretanto, as transformações sociais que ela representava não permitiram que a Restauração Monárquica durasse muito tempo. Com a Revolução Gloriosa de 1688, completava-se o ciclo da revolução burguesa na Inglaterra, instaurando uma monarquia constitucional de caráter liberal, que garantiria as condições gerais para o desenvolvimento do capitalismo.




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