02/06/2016

Egito e o "whitewashing"


“uma dádiva do Nilo” (Herodoto)



Literalmente um oásis; faixa de terra fertilizada pelas cheias periódicas correspondia 20 km de largura, tornando-se maior apenas ao Norte (baixo Egito), quando o rio forma um delta de 150 km.

 Divisão Histórica
Quando falamos em “Egito antigo”, estamos nos referindo aproximadamente  4000 a.C. ao momento em que ele foi dominado pelos romanos, no século I a.C.
Tal periodização é dividida para estudo em:

  •  Antigo – Capital Mênfis – 2052 a.C. – Agricultura e pirâmides
  •  Médio – Capital Tebas – 2052 a 1570 a.C. – Centralização
  •  Novo Império – Expulsão dos Hicsos/ocupação “preventiva” (Canaã e Síria)

O EGITO É ÁFRICA!

Whitewashing é a união das palavras em inglês white (branco) + wash (limpeza) e tem muitos significados, como “produto que deixa mais branco” ou “absolver da culpa”. E, mais recentemente, foi colocado um novo significado na palavra: “fazer limpeza étnica em um personagem fictício ou histórico, transformando-o em uma pessoa branca”.



No século XX as produções cinematográficas para o cinema, televisão, internet, e até mesmo representações teatrais, circenses e em outras mídias como a literatura, quadrinhos, videogames, desenhos, pinturas, esculturas, etc., tendem a representar o povo egípcio como tendo sido uma população predominantemente branca. Tal tendência não começou no século XX, mas foi durante ele que essa referência imagética de um "Egito branco" prevaleceu na cultura e na mentalidade contemporânea. E mesmo no século XXI, ainda vemos filmes, novelas, desenhos, etc., retratando os faraós sempre brancos, a nobreza egípcia sempre branca, o grosso da população sendo branca, e quando há negros e pardos, estes geralmente são camponeses ou escravos.


No século XX as produções cinematográficas para o cinema, televisão, internet, e até mesmo representações teatrais, circenses e em outras mídias como a literatura, quadrinhos, videogames, desenhos, pinturas, esculturas, etc., tendem a representar o povo egípcio como tendo sido uma população predominantemente branca. Tal tendência não começou no século XX, mas foi durante ele que essa referência imagética de um "Egito branco" prevaleceu na cultura e na mentalidade contemporânea. E mesmo no século XXI, ainda vemos filmes, novelas, desenhos, etc., retratando os faraós sempre brancos, a nobreza egípcia sempre branca, o grosso da população sendo branca, e quando há negros e pardos, estes geralmente são camponeses ou escravos.


Descrições de estrangeiros:

O historiador grego Heródoto de Halicarnasso (c. 480 - c. 425 a.C), em seu livro Histórias, em alguns momentos menciona que havia gente negra no Egito. Em uma das passagens de seu livro, Heródoto fala sobre o povo de Cólquida, região situada na Ásia, a costa do Mar Negro, no que hoje é território da Geórgia. De acordo com ele, os colquidianos se diziam ser descendentes dos egípcios; Heródoto mostra-se incrédulo quanto a isso, no entanto, diz que os colquidianos eram negros e de cabelo crespo como os egípcios, embora ele saliente que havia outros povos com estas mesmas características, o que significava que necessariamente os colquidianos não seriam descendentes dos egípcios



Pintura num mural retratando um homem e uma mulher participando da colheita. Percebe-se que ambos têm a pele parda e o cabelo crespo.

Segundo o tratado grego Fisionomia, supostamente atribuído ao filósofo Aristóteles (384-322 a.C), nesta obra, o autor em questão diz que os egípcios e etíopes eram negros (DIOP, 2010, p. 13). O escritor grego Luciano de Samósata (c. 125-190) em seu livro Navegações, menciona o diálogo entre dois homens chamados Licino e Timolaus; na ocasião os dois comentam a respeito de um homem negro que haviam visto, o qual usava o cabelo longo e trançado. Timolaus diz que aquele estilo de cabelo era comumente usado entre os egípcios, inclusive que eles eram negros. Já o geógrafo grego Estrabão (64-24 a.C) autor da volumosa obra Geografia, especificamente no livro 1, cap. 3, ele diz que os etíopes e os colquidianos, eram negros como os egípcios.



Os romanos durante sua República e Império conquistaram terras no norte da África, e ali se depararam com populações negras e pardas, diferente da ideia de que no Norte do continente africano, todos seus habitantes seriam na maioria brancos. Um exemplo interessante diz respeito aosNumidas, um povo de origem berbere, que era descrito como sendo mestiço. Os Numidas viviam naNumídia região hoje que compreende parte da Argélia. Nos relatos sobre sua aparência, nota-se que os escritores atestam que eles tinham a pele clara ou escura. Os romanos também viam os egípcios como um povo mestiço e não predominantemente branco. De acordo com a Bíblia Sagrada (Gênesis 10:6), Cam o caçula de Noé, teria tido quatro filhos inicialmente, chamados de Cuxe, Mizraim, Pute e Canaã. Tais filhos dariam origem as populações do Oriente Médio e da África. Curiosamente o nome Mizraim era usado pelos hebreus para se referir ao Egito, Cuxe, se referia a Kush, um antigo reino na Núbia; Pute corresponderia a uma região hoje no Marrocos, e Canaã é a Palestina. O historiador hebreu Flávio Josefo detalha melhor a história dos descendentes de Cuxe, Mizraim, Pute e Canaã dizendo como eles se espalharam da Mesopotâmia ao Marrocos, da Síria à Arábia, da Palestina à Etiópia (JOSEFO, 2004, p. 21-22).
Por sua vez, Cam significa "queimado" em hebraico, o que é interpretado por alguns estudiosos como sendo uma alusão a cor da pele escura. De fato, Heródoto (2006, p. 180-181) menciona que haveria regiões na África que o sol era tão intenso que os homens tinham a pele escura, pois ela era queimada. Inclusive os gregos antigos possuíam o termo para se referir a tal condição, algo que será visto adiante no texto.
Embora não podemos garantir veracidade ao relato bíblico, porém sabemos que o encontro entre tais povos ocorria, de fato, o Egito foi terra de passagem de vários povos ao longo de milênios, daí ser visto como uma nação miscigenada. Por outro lado, atribuir-se que todos os supostos descendentes de Cam seriam negros e pardos, é um problema, pois a área do Oriente Médio no qual seus descendentes teriam se estabelecido, não possuem apenas populações negras e pardas, mas possuem populações brancas e amarelas.
Para Jean Vercoutter (1980, p. 26-27), a população egípcia era miscigenada, no entanto, era puramente de origem africana, ou seja, o povo egípcio ele era naturalmente oriundo da África, embora não se saiba de onde eles vieram, provavelmente de terras do sul, migrando até a região do Nilo. Todavia, devido ao contanto com as terras vizinhas, elementos brancos, pardos, amarelos e negros se misturaram para formar o povo egípcio. O problema da opinião de Vercoutter é que ele não dava atenção a essa miscigenação, renegando a contribuição cultural de outros povos os quais habitaram e fundaram dinastias faraônicas como os hicsos e os núbios. Na Idade Média e no começo da Idade Moderna, a palavra egípcio estava associada em alguns países europeus com o sentido de se referir aos ciganos e a pessoas de pele escura. No romance gótico O Corcunda de Notre- Dame (1831), embora seja uma obra de ficção, ainda assim, como em outros livros de Victor Hugo, o autor fazia uso de referências históricas para conceder maior verossimilhança as suas narrativas.
Menciono em particular esse livro pelo fato de que a cigana Esmeralda é várias vezes chamada de "egípcia" (gipsy em inglês, gitan em francês). As palavras gipsy e gitan são contrações da palavra egyptian, ou em português, egípcio. Neste caso, no medievo e na modernidade, "egípcio" era sinônimo de cigano em alguns países. E ainda hoje o termos gipsy, gitan, gitano, etc., são usados para identificar os ciganos.
Na obra, Esmeralda é descrita como uma bela mulher de dezesseis anos, tendo longos cabelos negros, olhos castanhos e pele escura. Embora Esmeralda fosse uma francesa de nascença, mas devido a ser uma cigana e ter a pele mais escura, era considerada uma estrangeira, uma filha da Boêmia ou do Egito, locais que o imaginário europeu da época creditava serem a terra de origem dos ciganos. Além disso, muitos ciganos franceses naquele tempo era descritos como sendo pessoas mestiças, sendo brancos ou pardos. De fato, a relação de ciganos com o Egito é um mal entendido, pois não se sabe ao certo de onde vieram os ciganos, pois pelo fato deles terem se espalhados por três continentes, traçar suas origens é algo bastante difícil. No entanto, a referência a cor da pele não está errada.



Questão etimológica

Primeiramente é preciso dizer que o nome Egito, não é um nome de origem egípcia, mas sim de origem grega, advindo de Aígyptos, palavra essa que significava "templo dedicado ao deus Ptah", sendo que Aígyptos seria uma variação de Ha-k-Ptah. Por sua vez, os romanos latinizaram o termo grego para Aegiptos. Ptah foi um importante deus associado a cidade Mênfis, uma das capitais do país.
Nota-se que o nome Egito é de origem grega, no entanto nada tem de referência a cor daquela população, porém, quando passamos para outro termo também de origem grega, surge uma certa proximidade.
A palavra etíope vem do grego aithiops, que significava "aquele que tem o rosto queimado". Por sua vez os romanos latinizaram a palavra para aethiops. Assim quando colocamos lado a lado as palavras gregas aígyptos e aithiops, e, as palavras latinas aegiptos e aethiops, a grafia e a pronúncia são parecidas, talvez trata-se apenas de coincidência, no entanto, um fato é que a palavra etíope antes de ser utilizada para designar o habitante que nasce na Etiópia, era um termo genérico para se referir a qualquer africano negro. Sendo assim, em obras gregas e latinas, não era incomum encontrar o termo etíope para designar qualquer africano negro, independente de onde ele era oriundo.
Os árabes quando começaram a melhor explorar a África, eles passaram a designar as populações negras do Saara, através do termo as-sudan que significa "gente negra". O nome dos dois paísesSudão e Sudão do Sul vem do árabe bilad as-sudan "a terra dos negros". Antes dos árabes melhor conhecerem a África, eles ficaram restritos aos países que englobam o deserto do Saara e como a população ali era predominantemente negra, eles chamaram
aquelas terras de bilad as-sudan. Tal aspecto por si só desmente a ideia de que os africanos da região saariana fossem predominantemente brancos.



Estátua do faraó Mentuhotep II da XI Dinastia, tendo governado por volta de 2061-2010 a.C. A ideia de que todos os faraós eram brancos, isso é uma invenção midiática

Um dos nomes usados pelos antigos egípcios para se referir a sua nação,era Kemet, que significava "terra negra". Normalmente os historiadores
interpretam que o termo Kemet fosse uma referência as terras férteis situadas
ao longo das margens do Nilo. De fato, tal terra é de coloração mais escura,
devido a umidade e aos nutrientes ali presentes. Por outro lado, kemet era usado para se diferenciar as terras férteis das terras desérticas ou estéreis, chamadas de deshret "terra vermelha". Entretanto, existe um ponto peculiar no uso do termo kemet; os egípcios se autodenominavam em algumas épocas usando a expressão: remet-en-kemet que significava "o povo da terra negra" (SILLIOTTI,2006, P. 16).
Muitos historiadores preferem creditar que o uso de Kemet deve-se apenas a referência as terras férteis as margens do rio Nilo, mas alguns alegam que além dessa conotação, kemet também poderia ser uma alusão ao seu povo, algo como a "terra dos negros". Para respaldar isso vejamos a explicação do historiador e antropologista senegalês Cheikh Anta Diop.
“Os egípcios tinham apenas um termo para designar a si mesmos: kmt, = “os negros” (literalmente). Esse e o termo mais forte existente na língua faraônica para indicar a cor preta; assim, e escrito com um hieróglifo representando um pedaço de madeira com a ponta carbonizada, e não com escamas de crocodilo.
Essa palavra e a origem etimológica da conhecida raiz kamit, que proliferou na moderna literatura antropológica. Dela deriva, provavelmente, a raiz bíblica kam. Portanto foi necessário distorcer os fatos para fazer com que essa raiz atualmente signifique “branco” em egiptologia, enquanto, na língua-mãe faraônica de que nasceu, significava “preto-carvão”. Na língua egípcia, o coletivo se forma a partir de um adjetivo ou de um substantivo, colocado no feminino singular. Assim, kmt, do adjetivo = km = preto, significa rigorosamente “negros”,ou, pelo menos, “homens pretos”. O termo e um coletivo que descrevia, portanto, o conjunto do povo do Egito faraônico como um povo negro”. (DIOP, 2010, p. 21-22).



Baseado neste seu argumento, Diop defendia que o termo remet-en-kemet poderia significar "o povo da terra dos negros". Para ele, kmt era utilizado de duas formas: no sentido de cor, ou seja, aquelas pessoas se reconheciam como sendo negros, mas também kmt estaria ligado a uma ideia de identidade, ou seja, eles se reconheciam como habitantes de uma nação chamada Kemet. Para respaldar essa ideia de identidade, Diop (2010, p. 25) assinala que os egípcios chamavam os núbios de nahas. Lembrando que os núbios eram na sua maioria negros, mas os egípcios não usavam o termo kmt para se referir a eles.

Representações iconográficas

Existem um grande número de representações iconográficas, das quais algumas anteriormente apresentadas que apontam o fato dos egípcios serem pardos e negros, embora houvessem egípcios brancos. Todavia, vejamos mais algumas dessas representações, como a de baixo na qual retrata um homem pardo e uma mulher branca, ambos segurando vasos.
A ideia de que o Egito era uma nação branca por se localizar no norte da África não é totalmente verdadeira. De fato, a proximidade com o Mediterrâneo, que os conectava a Europa, e por sua vez com o Oriente Médio, que os ligava aos povos asiáticos brancos e amarelos, tornava o Egito um local de passagem e conversão de várias pessoas. Sendo assim ao longo da História, o Egito teve uma população mestiça. Hicsos, hititas, mitanes, hebreus, núbios, persas, gregos, romanos, fenícios, bizantinos, árabes, etc., viajaram ao Egito e ali se estabeleceram.



Quando vemos outras representações do faraó Akhenaton percebemos que ele era pardo e suas filhas também. No caso de Nefertiti pelo que se conhece de suas feições, ela seria branca ou parda, embora como dito, exista a dúvida quanto a suas origens, as quais poderiam ser asiáticas. Ainda assim, revela como o Egito era uma nação mestiça, ainda mais neste caso em particular, pois era comum os faraós casarem-se com suas irmãs para manter a linhagem-real, mas Nefertiti não era irmã de Akhenaton, e haja dúvidas se fosse alguma prima ou uma estrangeira completa. Todavia, além de Akhenaton e suas filhas serem pardas, seu famoso filho Tutancâmon também era pardo, diferente do que a mídia tenta passar de que se tratava de um homem branco. Alguns creditam que o busto abaixo seja uma representação do jovem faraó que morreu aos 19 anos.



 Tutancâmon assumiu o trono por volta de seus oito ou nove anos, casando-se com sua irmã Anakshunamum. Tanto ele quanto ela, eram pardos, e mesmo que tal busto não seja uma representação do faraó, existem outras representações dele e de sua esposa, que mostram a cor mais escura de suas peles.
Por fim, exponho a imagem de um dos faraós mais conhecidos, Ramsés II, terceiro faraó da XIX Dinastia. Ramsés II cognominado "o Grande" foi um guerreiro e conquistador, além de supostamente ser o "faraó do Êxodo". Nos anos 70 quando sua múmia foi levada para Paris, a fim de se estudada, alguns dos cientistas que trabalhavam na pesquisa, especialmente P. F. Ciccaldi ao analisar a pigmentação dos cabelos de Ramsés II, constatou que havia pigmentos de origem vermelha, ou seja, o faraó teria sido ruivo.
Ciccaldi publicou um artigo defendendo que o faraó Ramsés II, seu pai Seti I, e um de seus avós, todos seriam de linhagem ruiva, logo, seriam brancos. Todavia, mesmo os ruivos na Europa não são comuns, estando restritos ao Norte do continente. Além disso, hoje se sabe que existem povos negros que possuem naturalmente olhos azuis e cabelos louros, e em alguns casos, encontram-se negros e pardos que são ruivos naturais. O problema é como definir o fator que levou a tais pessoas nascerem ruivas. Teria sido alguma miscigenação de algum antepassado desconhecido? Ou uma mutação genética?
No caso de Ramsés, os cientistas concluíram que ele não seria ruivo como sugerido por Ciccaldi, provavelmente os testes que ele fez, foram contaminados com pigmentos encontrados na múmia, pois percebeu-se que os cabelos mesmo brancos, continham pigmentos de tinta. Os egípcios tinham o costume de pintar as perucas ou os próprios cabelos em alguns casos.
No caso de Ramsés, os cientistas concluíram que ele não seria ruivo como sugerido por Ciccaldi, provavelmente os testes que ele fez, foram contaminados com pigmentos encontrados na múmia, pois percebeu-se que os cabelos mesmo brancos, continham pigmentos de tinta. Os egípcios tinham o costume de pintar as perucas ou os próprios cabelos em alguns casos.
De qualquer forma, os cientistas hoje na maioria descartam uma ascendência ruiva para Ramsés II e seus antepassados, e apontam que ele fosse mestiço, talvez sendo branco ou pardo, mas não negro como sugeriu Cheikh Anta Diop. Todavia, em 90% das representações midiáticas de Ramsés II, ele é retratado como sendo branco, mas quando vemos algumas representações da sua época, elas nos revelam outro ponto de vista.


Referências Bibliográficas:
DIOP, Cheikh Anta. A origem dos antigos egípcios. In: MOKHTAR, Gamal
(ed.). História Geral da África II: África Antiga. 2a ed. Brasília, UNESCO, 2010.
8v.
JOSEFO, Flávio. História dos Hebreus: de Abraão à queda de Jerusalém.
Tradução de Vicente Pedroso. 8a ed. Rio de Janeiro, CBAD, 2004.
HERÓDOTO. Histórias. Tradução de J. Brito Broca. Rio de Janeiro, W. M.
Jackson Inc., 1950 (2006).
HUGO, Victor. O Corcunda de Notre-Dame. Tradução Jorge Bastos. Rio de
Janeiro, Zahar, 2015.
SILLIOTI, Alberto. Egito. Barcelona, Ediciones Folio, S. A., 2006.
VERCOUTTER, Jean. O Egito Antigo. Tradução de Francisco G. Heidemann.
2a ed. São Paulo, Difel, 1980


Deuses e Reis




Exodus é uma adaptação da história bíblica do Êxodo, segundo livro do Antigo Testamento. O filme narra a vida do profeta Moisés (Christian Bale), nascido entre os hebreus na época em que o faraó ordenava que todos os homens hebreus fossem afogados. Moisés é resgatado pela irmã do faraó e criado na família real. Quando se torna adulto, Moisés recebe ordens de Deus para ir ao Egito, na intenção de liberar os hebreus da opressão. No caminho, ele deve enfrentar a travessia do deserto e passar pelo Mar Vermelho.





18/05/2016

3º Ano - Seminários - Material de apoio




Material de apoio aos seminários do 3º ano do ensino médio. Acesse:

Participação Brasileira na Segunda Guerra


Fascismo e Nazismo - relação de Mussolini e Hitler


Colônia Japonesa no Brasil


2 Yami no Ichinichi - O Crime que abalou a Colônia Japonesa no Brasil"

Direção: Mario Jun Okuhara. Realizacão: Imagens do Japão TV. Ano de 2012. Duração: 82 minutos.
Sinopse do filme: Yami no Ichinichi - O Crime que abalou a Colônia Japonesa no Brasil traz a saga de Tokuichi Hidaka, que, em 1946, aos 19 anos de idade, foi um dos autores do assassinato do coronel Jinsaku Wakiyama, em crime atribuído a uma entidade denominada Shindo Renmei (Liga dos Caminhos dos Súditos). Entregou-se à polícia com o restante do grupo e cumpriu 15 anos de prisão. Em liberdade, sofreu a punição da colônia japonesa: foi discriminado, condenado ao ostracismo, sem oportunidade para contar a sua versão. Décadas mais tarde, Hidaka inicia uma busca por amigos e pessoas desse período para reconstruir a memória da época e encontrar o sentido da sua vida no Brasil. Nesta nova versão do documentário, integrantes da família Wakiyama falam do papel exercido por Jinsaku na comunidade nipo-brasileira paulista dos anos 1940 e expõem seu ponto de vista sobre os fatos.

Link.: documentário 




Material diverso (todos os temas)

Integralismo:

parte 1

parte 2

parte 3

parte 4


Material das aulas; recorte dos discursos de Hitler; documentários:

2ª. Guerra Mundial





16/05/2016

2º Ano Ensino Médio - O nome da rosa




“Stat rosa pristina nomine, nomina nuda tenemus”
(“A rosa antiga permanece no nome, nada temos além dos nomes”)


O título do livro é uma expressão utilizada na Idade Média para exemplificar o poder infinito das palavras. Há basicamente duas reflexões suscitadas pelo termo: designação versus objeto concreto e perenidade do conceito versus efemeridade do objeto único. A primeira foi condensada poeticamente por Shakespeare numa das falas de Julieta:
“What’s in a name? That which we call a rose
By any other name would smell as sweet.”
(“O que é um nome? O que chamamos rosa, sob uma outra designação teria igual perfume.”)
A segunda refere-se à opinião sobre o nome da rosa: o conceito é universal e imortal e sobrevive à mortalidade do objeto? ou o conceito é particular e perece junto com o objeto individual?



Em 1327 William de Baskerville (Sean Connery), um monge franciscano, e Adso von Melk (Christian Slater), um noviço que o acompanha, chegam a um remoto mosteiro no norte da Itália. William de Baskerville pretende participar de um conclave para decidir se a Igreja deve doar parte de suas riquezas, mas a atenção é desviada por vários assassinatos que acontecem no mosteiro. William de Baskerville começa a investigar o caso, que se mostra bastante intrincando, além dos mais religiosos acreditarem que é obra do Demônio. William de Baskerville não partilha desta opinião, mas antes que ele conclua as investigações Bernardo Gui (F. Murray Abraham), o Grão-Inquisidor, chega no local e está pronto para torturar qualquer suspeito de heresia que tenha cometido assassinatos em nome do Diabo. Considerando que ele não gosta de Baskerville, ele é inclinado a colocá-lo no topo da lista dos que são diabolicamente influenciados. Esta batalha, junto com uma guerra ideológica entre franciscanos e dominicanos, é travada enquanto o motivo dos assassinatos é lentamente solucionado.

Ficha do Filme:
Título no Brasil:  O Nome da Rosa
Título Original:  Der Name Der Rose
País de Origem:  França / Itália / Alemanha
Gênero:  Suspense
Tempo de Duração: 131 minutos
Ano de Lançamento:  1986
Site Oficial:  
Estúdio/Distrib.:  Warner Home Video
Direção:  Jean-Jacques Annaud



Helmut Qualtinger (Remigio da Varagine)
Elya Baskin (Severinus)
Michael Lonsdale (The Abbot)
Volker Prechtel (Malachia)
Feodor Chaliapin Jr. (Jorge de Burgos)
William Hickey (Ubertino da Casale)
Michael Habeck (Berengar)
Urs Althaus (Venantius)
Valentina Vargas (The Girl)
Ron Perlman (Salvatore)
Leopoldo Trieste (Michele da Cesena)



Curiosidades:
- A garota (Valentina Vargas) é a única personagem mulher do longa.
- Christian Slater tinha apenas 15 anos quando realizou a cena de sexo com a personagem de Valentina.
- Contou com filmagens na Itália e na Alemanha.
- O projeto levou cinco anos para sair do papel.
- O orçamento de O Nome da Rosa foi de US$ 20 milhões, sendo que em todo o planeta o filme obteve uma bilheteria equivalente a US$ 77 milhões.




Análise

O filme nos leva à uma imersão na Idade Média, fazendo-nos transitar por diversos temas e fases da história, tornando-se uma grande aula de história e também de filosofia.
A atmosfera sombria, a aparência doentia dos monges / frades, a rejeição a conceitos tidos como avançados pelos monges frequentadores do mosteiro e a abordagem à Santa Inquisição que passa a ser feita a partir da segunda metade do filme nos permite compreender um pouco do que foi a Idade Média.
O filme retrata a história da investigação de uma série de assassinatos ocorridos em um monastério da Itália Medieval, (sete monges são mortos de maneira insólita, no período de sete dias e noites). Um monge franciscano, Willian de Baskervile, ex-inquisitor, chega ao mosteiro para participar de um conclave onde decidiriam se a Igreja doaria parte de suas riquezas; mas diante dos assassinatos desviou sua atenção e começou a investigar o caso acompanhado pelo seu noviço / discípulo: Adso de Melk. (outra característica da Id. Média; habitualmente o 3° filho do Senhor Feudal era “encaminhado” à Igreja aos cuidados de um preceptor)
Willian é o representante da ciência, usa métodos de pesquisa sofisticados para reunir as provas necessárias e chegar à verdade; busca pistas que não são visíveis às demais pessoas; como as frases no pergaminho, apagadas com suco de limão, que revelam-se aos olhos do investigador sob a chama de uma vela. No filme, ele representa o Intelectual Renascentista, que com sua postura Humanista e Racional, consegue desvendar a verdade por trás das mortes do Mosteiro.
Para os franciscanos, representados por Guilherme de Baskerville, se existe uma verdade já dada, então como fica a onipotência de Deus? Deus também tem que se submeter a essa verdade? Logo: não existem as verdades universais. Com isso, praticamente, o bem e o mal não existiriam mais. Algo se tornará bom ou mal quando Deus disser que será bom ou mal. Tudo fica relativizado. A verdade passará a ser definida pela vontade de Deus, e a questão se torna: como descobrir a vontade de Deus?.

A personagem Guilherme de Baskerville, utilizava-se da ciência e consequentemente da razão para solucionar os crimes que ocorreram no mosteiro, trabalhava sob a evidência e a observação, e essa postura desagradava a todos na abadia.

Frei Guilherme de Baskerville, franciscano, discípulo de Roger Bacon (Filósofo Inglês, conhecido por Doctor Mirabilis (1220-1292), lecionou em Paris sobre Aristóteles, voltando a Oxford por volta de 1247, onde se dedicou a estudos linguísticos e científicos. Como filósofo, seguiu sobretudo Aristóteles, usando Avicene como intérprete. É acima de tudo notável pela insistência sobre a importância da matemática e a ciência experimental) e amigo de Guilherme de Occam, acompanhado do jovem noviço da ordem de São Bento, Adso de Melk, chega, no ano de 1327, a uma abadia beneditina dos Alpes marítimos italianos, na qualidade de mensageiro da embaixada que o Imperador Luís da Baviera se preparava para enviar com o intuito de conferenciarem, naquele mesmo local, com os representantes do Papa João XXII (Papa entre 1316 e 1334), que se encontrava instalado não em Roma, mas sim em Avinhão.
O autor remete-nos para o confronto entre o Papa João XXII e o Imperador Luís II da Baviera, como paradigma da luta entre Igreja e Estado pelo controlo da sociedade daquela época. Os protagonistas afectas ao Papado e ao Império utilizavam as riquezas, as disputas teológicas, e até os pequenos acontecimentos do dia-a-dia para se confrontarem visando a superintendência e o controlo do poder na sociedade medieval. Nesse combate, utilizava-se igualmente a táctica da infiltração no campo do adversário. Daí este confronto político conduzir a outro, mais profundo, que seria o do controlo do poder dentro da própria Igreja.
E é neste ponto que se concentram as questões mais complexas abordadas pelo O Nome da Rosa. No tempo em que decorre o romance - início do século XIV - registavam-se grandes controvérsias filosóficas.
A questão dos universais (Adeptos da doutrina que considera a realidade como um todo único, onde os indivíduos não podem ser isolados a não ser por abstração), agitava as universidades. Tanto os realistas platónicos, nominalistas (uma das doutrinas fundamentais da filosofa antiga, negando a existência aos universais;pode então definir-se o nominalismo como a teoria filosófica de que só têm existência real os seres individuais, e que os chamados universais não passam de nomes que nós damos em comum a objectos realmente diferentes e incomunicáveis.) seguidores de Guilherme Ockham, e realistas moderados, como os aristotélicos, esgrimiam-se nas cátedras das universidades. O triunfo de uma dessas correntes provocava forçosamente transformações profundas na Igreja, no Estado, na Sociedade, na Cultura e na Ciência. Era o futuro da civilização e da humanidade que estava em jogo.
Nessa época, a luta entre estes dois poderes era alimentado por duas concepções opostas da sociedade. De um lado tínhamos a posição do catolicismo, consubstanciada na bula Unam Sanctam de Bonifácio VIII. De outro, a concepção imperial, laica e estadista, representada pelas teorias de Marsílio de Pádua. Os partidos dos Guelfos e dos Gibelinos eram os que, de certa forma, sustentavam esta divisão contribuindo de forma determinante para as desavenças políticas das cidades italianas da época medieval. De acordo com a referida bula, Cristo deu a Pedro duas espadas: a espiritual e a temporal. A primeira para ser usada por Pedro, isto é, pela Igreja, enquanto a segunda devia ser utilizada pelo Estado, para bem da própria Igreja. O poder do Estado é ordenado e subordinado ao poder eclesiástico, uma vez que as actividades naturais do homem são subordinadas a um único fim, que é Deus e à salvação eterna. Da mesma forma que no homem, a alma deve estar unida ao corpo e é superior a ele, pois é ela que o conduz, também, na sociedade, a Igreja e o Estado deviam estar unidos, mas de maneira a que a Igreja estivesse sempre em situação de superioridade. Do mesmo modo que a supremacia da alma sobre o corpo não significa que ela tenha de exercer funções próprias do corpo, também, na sociedade, embora a Igreja desempenhe o papel de liderança, isto não lhe dá o direito de exercer funções temporais próprias do Estado, pois, apesar da alma dar vida ao corpo, não cabe a ela digerir nem respirar, logo, embora a Igreja dê vida à sociedade e ao Estado, não lhe compete organizar a vida material nem a administração dos assuntos terrenos e temporais.
Em consonância com estes princípios, Bonifácio VIII, através da dita bula, definia que todo o gênero humano devia ser submisso ao Romano Pontífice, condição essencial para a salvação de qualquer simples mortal. Com esta postura, todos, incluindo os soberanos, estavam subordinados ao Papa e à disciplina religiosa.
Do outro lado da barricada estavam as teses defendidas por Marsílio de Pádua. Ele apoiava a luta de Luís da Baviera e a dos Espirituais franciscanos contra o Papa João XXII. As principais teses de Marsílio de Pádua, que ainda hoje se mantêm bastante atuais, podem-se resumir da seguinte forma :
- Supremacia do Estado sobre a Igreja. Ao Estado caberia até mesmo a jurisdição espiritual, podendo condenar hereges e infiéis.
- Ao Papa competia pagar tributo ao Imperador.
- A Igreja deveria ser pobre e sem propriedades (Esta tese era acarinhada pelos Gibelinos e Fraticelli) e todos os seus bens deviam reverter a favor do Estado.
- Todo o poder, seja ele civil ou eclesiástico provém do povo.
- Cristo não deu maior poder a Pedro do que aos outros Apóstolos. Ele não fez de Pedro o seu Vigário, nem o chefe da Igreja, ideia que Lutero e toda a Reforma vão repetir com grande ódio.
- Na Igreja não deve haver hierarquias. O Papa, Bispos, Padres têm todos o mesmo poder, porque Cristo não deu mais poder a uns do que a outros. Todo poder na Igreja é concessão do Imperador, que pode depor e julgar qualquer autoridade eclesiástica, inclusive o Papa.
Pelo que atrás foi escrito, dificilmente haveria maior oposição entre as duas doutrinas. A primeira pretendia colocar Deus e o Céu como objectivo principal; a outra colocava como objectivo final, o homem e o seu reino na terra. Uma queria uma Igreja monárquica, hierárquica e de poder divino; outra queria uma igreja democrática, igualitária, pobre e popular. Uma preconizava a união entre Igreja e Estado; outra defendia a separação entre o poder eclesiástico e o civil e até a subordinação da Igreja ao Estado.
Nesta obra, Frei Guilherme de Baskerville é o porta-voz diplomático das teses de Marsílio de Pádua, na conferência dos embaixadores das cortes imperial e papal. À semelhança de Marsílio, ele defende uma nítida separação entre a Igreja e o Estado: "...a legislação sobre as coisas desta terra e, portanto, sobre as coisas das cidades e dos reinos, nada tem a ver com a guarda e a administração da palavra divina, privilégio inalienável da hierarquia eclesiástica"17. "O domínio temporal e a jurisdição secular nada têm a ver com a Igreja e com a lei de Jesus Cristo, e foram ordenados por Deus fora de qualquer confirmação eclesiástica e até mesmo que surgisse a nossa santa religião."18. Por isso, o Papa não deveria possuir nenhum poder coercivo. "Ele (Cristo) não quis que os apóstolos tivessem mando e domínio, e por isso parecia coisa sábia que os sucessores dos apóstolos devessem ser aliviados de qualquer poder mundano e coativo". Não podendo contestar o texto do Evangelho, no qual Cristo instituiu Pedro como pedra fundamental da Igreja, e, por isso, lhe dá o poder das chaves, Frei Guilherme explica que Cristo "brincava com as palavras" ao dizer "Tu es Petrus".
Guilherme faz a sua investigação apoiado na tese gibelina. Este facto é notório, quando afirma que "a Igreja de Avinhão fazia injuria à humanidade inteira afirmando que lhe competia aprovar ou suspender aquele que tinha sido eleito imperador dos romanos. O papa não tem sobre o império maiores direitos que sobre os outros reinos".
Pelo contrário, o Imperador é que deveria ter poder não só sobre o Papa, como também sobre todos os clérigos: "Se o Pontífice, os bispos e os padres não estivessem submetidos ao poder mundano e coactivo do príncipe, a autoridade do príncipe ver-se-ia invalidada, e invalidar-se-ia com isto uma ordem que, como se tinha demonstrado antes, fora disposta por Deus".
Até mesmo o poder de julgar assuntos religiosos acabava por ser negado por Frei Guilherme "A Igreja pode e deve avisar o herege que ele está saindo da comunidade dos fiéis, mas não pode julgá-lo na terra e obrigá-lo contra a sua vontade".
Se a Igreja não pode julgar o homem por motivos religiosos, muito menos é permitida tal missão ao Estado, pois o Príncipe não é guardião da verdade divina. No máximo, poderá condenar o herege, caso "prejudique a convivência de todos".
Frei Guilherme defende então, a tese segundo a qual o poder vem do povo e atribui essa ideia liberal ao próprio Jesus Cristo, pois "era de suspeitar que ao próprio Senhor não era estranha a ideia de que nas coisas terrenas o povo seja legislador e primeira causa e efetiva da lei". E, "pelo povo... bem entender a universalidade dos cidadãos ou (...) a parte melhor dos cidadãos". "A maneira como o povo poderia exprimir a sua vontade podia coincidir com uma assembleia geral eletiva. Disse que lhe parecia sensato que uma tal assembleia pudesse interpretar, mudar ou suspender a lei". O que retirava da lei toda a essência natural, sujeitando-a ao relativismo da opinião da maioria. Era já o Direito positivista a triunfar sobre o Direito natural...
Não há dúvida que as teses de Frei Guilherme mantêm-se, também elas, extremamente atuais. Na luta entre o Estado e a Igreja intervinham também os hereges gnósticos(gnosticismo é um sistema de filosofia religiosa, cujos sectários pretendiam ter o conhecimento completo da natureza e dos atributos de Deus.). Eles rejeitavam a matéria e, portanto repudiavam a Igreja estruturada, hierárquica e rica, logo, condenavam de forma incondicional o mundo criado pelo demiurgo(nome que os filósofos platônicos davam a deus criador e "ordenador" do mundo, diferente de Deus.), recusando-se eles a aceitar uma Igreja como aquela que era concebida e definida por Bonifácio VIII, que tinha como principal objectivo, submeter o mundo, o Estado e a sociedade à vontade de Deus. Os místicos gnósticos defendiam então que a Igreja verdadeira deveria ser puramente espiritual. Estes pontos ligam-nos mais uma vez, às teses gibelinas e laicas de Marsílio de Pádua.

O diálogo entre fé e razão era central na Idade Média. Assim, uma vez que a razão foi dada por Deus ao homem, e Aristóteles era tão exímio no uso dela, será que a vontade de Deus não estaria sendo também descoberta por Aristóteles? E por que a questão do riso? Na regra beneditina, o riso estava associado com orgia. Para Jorge, o riso aniquilava o medo e "sem medo não pode haver fé. Sem o medo do Diabo, não há necessidade de Deus. “

A biblioteca de O Nome da Rosa é símbolo de uma Igreja conservadora, mestra desconfiada e receosa que obstrui o conhecimento de determinadas doutrinas, e que pretende impedir qualquer progresso intelectual e material, com o objetivo de manter o seu domínio sobre o mundo.
Prezam pela “conservação do conhecimento não a busca”. Por isso, a biblioteca era tida como reservatório do saber, consequentemente do poder. Eles proibiam a leitura dos livros, primeiro porque nem todas as verdades são para todos os ouvidos, segundo porque os que os lessem poderiam ter uma nova interpretação da verdade e de Deus, por isso, só os que fossem selecionados poderiam entrar e ter acesso. Terceiro, o valor e a fragilidade desses documentos desaconselham que eles sejam manuseados por qualquer um. Por essas três razões, na biblioteca da Abadia só podiam entrar o abade, o bibliotecário e seu auxiliar.
Os acontecimentos narrados no filme pretendem ser uma parábola da História do mundo. O poder na Abadia tinha sede na igreja, mas ele se exercia através do controle do saber, isto é, do controle da biblioteca. Assim também a Igreja Católica dominaria o mundo medieval por meio do controle do saber e do estudo.





Link para download do filme: o nome da rosa 

Link para download do livro: O nome da rosa (Umberto Eco)



06/04/2016

Dinossauro - Trabalho Ensino Médio (1º Ano)



Pterodáctilo era uma espécie de pterosauro com capacidade de voar. É, entre esse grupo, a espécie mais famosa, já foi várias vezes representado no cinema. Apesar de serem frequentemente incluídos na ordem dos Dinossauros, eles são classificados em sua própria ordem, a dos Pterossauros.
Os dinossauros foram grandes animais que povoaram a Terra na Era Mesozóica. Na condição de maiores animais já registrados na história do planeta, suas diversas espécies reinaram não apenas na terra, mas também no ar. O grupo chamado de pterossauros designa os répteis dotados da capacidade de voar.
Muito embora os cientistas acreditem que os dinossauros evoluíram para aves, os pterossauros mantinham ainda as características típicas de répteis, não chegavam nem mesmo a serem ancestrais das aves. Esses animais eram dotados de pele rugosa, sendo que não ocorria a existência de pêlos e nem mesmo asas, possuíam ainda a boca repleta de dentes.
Pterodáctilo é o pterossauro mais conhecido deste grupo. Essa espécie viveu entre 65 e 150 milhões de anos atrás, última fase da era Mesozóica. Habitava as regiões que hoje conhecemos como África e Europa, era carnívoro e se alimentava de peixes e pequenos animais.
O Pterodáctilo costuma ser muito citado em cinema e seriados, mas sua representação não corresponde à realidade do que foi o animal. Na cultura popular, quando se fala em pterossauros há uma associação quase que imediata com os Pterodáctilos, o que é um equívoco. A representação que se fez desse animal mostra-o como detentor de uma envergadura que atingia seis metros, medindo aproximadamente 4,5 m e que voavam com grande destreza, sendo explorados em filmes como animais que seriam capazes de devorar homens. Na realidade, o pterossauro que possui tais características era o Pteranodon, parente do Pterodáctilo, mas não o mesmo animal.
O Pterodáctilo verdadeiro era um animal muito pequeno, seria incapaz de colocar em risco a vida de um ser humano. Com uma envergadura de asas bastante reduzida em relação ao seu parente Pteranodon, tal aspecto era medido entre 50 a 75 cm apenas. Outra informação que costuma ser vinculada de forma equivocada é quanto a capacidade de voar desses animais, os cientistas acreditam os Pterodáctilos voavam com grande dificuldade, eram capazes apenas de planar.
Fontes:
http://www.pangeaworld.it/main/diziosauror.asp?chiave=P
http://www.pterosaur.net/restoration.php
http://www.achetudoeregiao.com.br/dinossauros/pteranodon.htm

Material do Trabalho:

Link: pterossauro

Usar o modelo para transferir com stencil/carbono para papelão ou papel cartão, montar e apresentar para nota.

20/03/2016

Atividade - Ensino Médio/EJA - Primeira Guerra Mundial (Barão Vermelho)



A Primeira Guerra Mundial, entre 1914 e 1918, foi o conflito que marcou a entrada dos aviões no mundo militar. Ainda uma invenção recente, o avião se mostrou extremamente eficiente em combate, criando novas possibilidades de ataques e meios de observação a longa distância. Era o braço longo dos exércitos, proporcionando atacar inimigos de surpresa pelo alto e antecipar movimentos de tropas dias antes delas alcançarem seus objetivos, permitindo criar estratégias para contê-las. Era o início de uma era revolucionária.
Enquanto muitos ainda aprendiam a domar os aviões, já havia nesta época um sujeito que dominava com perfeição a arte de pilotar essas máquinas voadoras. Era o alemão Manfred von Richthofen, que ficou conhecido como “Barão Vermelho”. Richthofen foi o maior dos ases da Primeira Guerra Mundial e seu apelido surgiu em virtude da cor de seus aviões, sempre com detalhes vermelhos ou pintados inteiramente nessa cor, como era o seu temível triplano Fokker DR1.




Richthofen era um “Freiherr” (“Senhor Livre”, em alemão), um título de nobreza frequentemente traduzido como “Barão”. Nascido em Breslau, no então Império alemão (atualmente Wroclaw, Polônia), o Barão Vermelho foi o segundo de quatro irmãos – seu irmão mais velho, Lothar, também foi piloto militar. Seus pais eram o oficial de cavalaria Albrecht ‘Freiherr’ von Richthofen e sua esposa, Gwendoly, que descendia de um longa linhagem familiar de militares e aristocratas.




Em nove anos de serviço militar, o Barão Vermelho alcançou o posto de capitão.
Em 1911, com apenas 19 anos, Richthofen ingressou na escola militar, mas ainda muito longe de voar. Quando estourou a Primeira Guerra Mundial, era um oficial de reconhecimento da cavalaria e entrou em ação na Rússia, França e Bélgica. Porém, com o advento da “guerra de trincheiras”, as operações de seu regimento se tornaram ineficientes e obsoletas e seu grupo foi extinto. Desta forma, Manfred passou a servir como entregador de correspondência e operador de telefone de campo, funções que nunca o agradaram.

Desapontado por não participar diretamente dos combates, Richthofen pediu transferência para o setor de suprimentos do exército no início de 1915, onde se interessou pela aviação. Novamente, pediu outra transferência, mas desta vez para o Serviço Aéreo Imperial Alemão, que mais adiante ficaria conhecido como “Luftstreitkräfte”. Seu pedido foi aceito e em maio daquele ano iniciou seus treinamentos com os novíssimos aviões. E ele aprendeu rápido.

Em apenas três meses, Richthofen obteve a formação de piloto e partiu para a frente de batalha aérea, primeiramente como oficial observador em missões de reconhecimento. Sua primeira vitória nos céus, mesmo não atuando como “caçador”, aconteceu em Champagne, na França, onde abateu um avião com uma metralhadora de mão, após um tensa batalha com outro avião de observação francês, que fez o piloto ter novas ambições na aviação militar.





Em outubro de 1915, apenas dois meses após a aprender a pilotar um avião, Richthofen se juntou ao Kampfgeschwader 2 (Esquadrão de bombardeio No. 2) e passou a voar com um Albatros C.III, atacando posições francesas com bombas lançadas da própria cabine e fogo de metralhadora, função que realizaria por quase um ano.
Depois de um período pilotando aviões biposto na frente oriental, em agosto de 1916 Richthofen se volutariou a ingressar no recém-formado esquadrão de caça, o “Jasta 2”. Em menos de um mês, o piloto venceu seu primeiro combate aéreo, sobre Cambrai, na França.
Após sua primeira vitória confirmada, Richthofen encomendou uma taça de prata gravada com a data e o tipo do avião inimigo que abateu a um joalheiro de Berlim, prática que repetiria outras 60 vezes até o fornecimento de prata na Alemanha ficar limitado durante a guerra, que o forçou a interromper sua “coleção”.

Em vez de usar táticas agressivas e arriscadas, como seu irmão Lothar, que também era piloto e colecionou 40 vitórias, Manfred seguia apenas uma série de orientações básicas para assegurar o sucesso do esquadrão e de seus pilotos. Richthofen não era um piloto espetacular ou acrobata, como seu irmão. Por outro lado, ele era um estrategista notável, um excelente líder de esquadrão e um ótimo atirador. Geralmente ele atacava de cima para ter a vantagem do sol atrás dele, com outros pilotos cobrindo sua retaguarda e flancos.

Em 23 de novembro de 1916, Richthofen abateu seu oponente mais famoso, o ás britânico Major Lanoe Hawker. Essa vitória ocorreu enquanto o piloto alemão voava um Albatros D.II e Hawker um Airco DH.2. Depois de um longo combate aéreo, Hawker foi morto com uma bala na cabeça quando tentava escapar de volta para suas próprias linhas.

Depois de sua 18ª vitória (em 24 de janeiro de 1917), von Richthofen recebeu o ‘Pour le Mérite‘, a honraria militar mais elevada da Alemanha na época. Ao mesmo tempo ganhou o apelido ‘Barão Vermelho’ em seu esquadrão, nome que também ficaria conhecido do outro lado das linhas inimigas, que sempre o reconheciam de longe devido as cores vistosas em seu avião.






Manfred von Richthofen morreu em combate, às vésperas de fazer 26 anos
1. Manhã de 21 de abril de 1918. O Barão treina seu primo mais novo, Wolfran, para futuros combates quando se depara com uma patrulha de cinco aviões Sopwith Camel da RAF, a Real Força Aérea britânica.
2. Com a briga iniciada nos céus, tropas entrincheiradas dos Aliados - inimigos dos alemães - observam o Barão em perseguição a um de seus caças, pilotado pelo tenente Wilfrid May. Quando o Barão se prepara para atacar, outro Camel, guiado pelo capitão Roy Brown, mergulha para interceptá-lo.
3. O Barão Vermelho dispara várias vezes e o canadense Wilfrid May escapa com manobras em ziguezague. Enquanto isso, o Fokker vermelho é abatido por tiros disparados por Roy Brown e pela artilharia terrestre.
4. O corpo de Von Richthofen é examinado por uma junta de médicos Aliados. A causa da morte é uma bala vinda das trincheiras. O projétil entrou abaixo da axila direita e subiu pelo peito, causando danos mortais ao coração e aos pulmões.
5. A RAF reconhece o inglês Roy Brown como quem derrubou o maior ás da 1ª Guerra, mas o artilheiro australiano Robert Buie reivindica ter feito o disparo. Após uma reconstituição feita em 1998, o verdadeiro autor do tiro é revelado: o australiano Cedric Popkin, que morreu sem saber da proeza.



O Filme



The Red Baron – O Barão Vermelho, Alemanha, Guerra, 2009, 105 minutos.

Com: Matthias Schweighöfer, Til Schweiger, Lena Headey, Joseph Fiennes.

Direção: Nikolai Muellerschöen.

Este filme alemão, O Barão Vermelho, conta a história do lendário Barão Vermelho, o barão Manfred von Richthofen, considerado um dos maiores pilotos, não só da primeira guerra mundial, mas também de todos os tempos.

O filme tem muitos efeitos especiais, único jeito de recriar o ambiente da primeira guerra mundial com a maior precisão possível. Vale destacar que o melhor destes efeitos são os combates aéreos. Imagens belas, de boa qualidade, velozes, empolgantes e, sobre tudo, ricas em detalhes para que o espectador tenha uma visão completa dos aviões da época e de como foram as luta por dominar o espaço aéreo nesse terrível e sanguinário conflito, onde os aviões mostraram, pela primeira vez, em grande escala, o poder de destruição que tem.


LINK: (escolha a opção 'baixar para pelo navegador"):

Barão Vermelho (arquivo e legenda devem estar juntos no mesmo lugar)





QUESTÕES DO TRABALHO

1 - Explique o que era a "Paz Armada".

2 -  Leia o texto extraído de uma recente biografia espanhola a respeito do Barão vermelho:

"Sou um caçador por natureza", escreve Von Richtofen no O avião vermelho de combate. "Quando derrubo um inglês, minha paixão pela caça se acalma por pelo menos quinze minutos." É difícil conciliar esse comentário frívolo à realidade dos aviadores, uivando em suas quedas desesperadas enquanto são consumidos como tochas em seus aviões incendiados. E o Barão acrescenta: "Caçadores precisam de troféus." Assim justifica um de seus costumes - além de matar pessoas - que mais causa aversão: sua obsessão por recolher ou arrancar elementos dos aviões que derrubava, metralhadoras, pás de hélices e especialmente os números de identificação que arrancava como terríveis lembranças das suas vitórias. Com eles, decorou um quarto na sua casa. Alguém pode se perguntar como conseguia se sentir confortável sentado ali, entre recordações do destino fatal de tantos aviadores, e não perceber o espectro da morte que também o assombrava. Quando o derrubaram - já convertido em lenda -, em uma assustadora imitação do seu costume, as mãos ávidas dos soldados aliados arrancaram lembranças da sua máquina voadora e do seu corpo inerte, inclusive as suas botas. Desde a sua primeira morte, Von Richtofen encomendou em um joalheiro uma taça de prata, uma para cada inimigo abatido."

Agora responda:

a) onde está presente o nacionalismo na fala do Barão?
b) como o avião mudou o equilíbrio de forças nas batalhas?


3 - Cite a principal característica militar pela qual ficou conhecido a Primeira Guerra Mundial.

4 - A figura mítica do "ás imbatível" é utilizada pelos alemães para motivar o seu exercito combalido nas trincheiras e nas diversas derrotas sangrentas. Mas qual o outro lado da guerra descoberto pela personagem do filme?


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